A cidade catarinense de menos de 6 mil habitantes que supera Florianópolis e Balneário Camboriú e entra no top 10 do Brasil em qualidade de vida
O tamanho pequeno não impediu o município de ganhar destaque nacional
Rankings de qualidade de vida costumam premiar capitais e cidades litorâneas com orçamento de sobra. Luzerna, no Meio-Oeste de Santa Catarina, quebra essa lógica: com pouco mais de 5,7 mil moradores em 117 km² a 511 metros de altitude, o município ficou em nono lugar entre os 5.570 do país no levantamento mais recente e deixou para trás todas as grandes cidades catarinenses.
Como uma cidade tão pequena chegou ao top 10 nacional?
Entregando serviço público de qualidade, não riqueza. O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026 mede 57 indicadores sociais e ambientais divididos em três dimensões: necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades, e trabalha com taxas e percentuais que independem do tamanho da população.
Luzerna cravou nota 71,10 em uma escala de 0 a 100 e ficou na 9ª posição nacional, primeira colocada de Santa Catarina. O resultado a coloca à frente de Joinville, Jaraguá do Sul, Blumenau, Florianópolis e Balneário Camboriú, todas com notas entre 68 e 70. Conforme o Imazon, responsável pelo estudo em parceria com a Fundação Avina e o Social Progress Imperative, a liderança nacional segue com Gavião Peixoto, no interior paulista, e Curitiba é a capital mais bem avaliada do país. É o mesmo tipo de desempenho que aparece em capitais que lideram a qualidade de vida em suas regiões, só que em escala de vilarejo.

De onde veio o município mais jovem do Vale do Contestado?
De uma viagem de trem que terminou em compra de terra. Segundo o Portal Municipal de Turismo de Luzerna, o engenheiro eletrotécnico alemão Henrique Hacker atravessava o Vale do Rio do Peixe quando se impressionou com a paisagem e, em 1915, decidiu iniciar uma colonização particular, adquirindo 40 mil hectares.
Nascia a Colônia Bom Retiro, pensada para ser de cultura germânica, mas que logo recebeu descendentes de italianos vindos de São Leopoldo, Montenegro, Lajeado e Passo Fundo. A conclusão da estrada de ferro em 1910 tinha aberto o caminho. O povoado virou distrito de Joaçaba e só se tornou município pela Lei estadual 10.050, de 29 de dezembro de 1995, com o primeiro prefeito assumindo em 1997. São três décadas de vida própria.
O que ver em uma cidade colada à vizinha Joaçaba?
Menos cartões-postais e mais paisagem de vale, com um museu improvável no meio. Confira abaixo os pontos que a prefeitura destaca no roteiro local:
- Museu Frei Miguel: acervo de mais de 300 peças reunidas pelo religioso em Santa Catarina, Paraná e São Paulo, com insetos, animais empalhados, madeiras e minerais.
- Centro de Eventos São João Batista: antiga sede do seminário franciscano, abriga o museu e concentra a agenda cultural do município.
- Trapiche: área verde na Rua da Represa, com vista aberta para o rio do Peixe e uso livre para caminhadas e piquenique.
- Paróquia São João Batista: templo que guarda a herança dos padres franciscanos chegados na década de 1920, vindos de Porto União em lombo de burro.
- Vale do Contestado: a região turística à qual o município pertence reúne museus e monumentos ligados a um dos conflitos mais duros da história catarinense.
Quem busca qualidade de vida em cidades pequenas vai curtir esse vídeo do canal Cesar Moacir Alves, com mais de 167 mil inscritos, sobre a acolhedora Luzerna:
Por que uma cidade dessas tem dois cursos de engenharia?
Porque a região exigiu. O Instituto Federal Catarinense (IFC) mantém no município um câmpus que nasceu da federalização de uma escola local em 2010 e ganhou autonomia em 2012, com sete cursos entre nível médio integrado, subsequente e superior.
Os dois bacharelados, Engenharia de Controle e Automação e Engenharia Mecânica, atendem uma vizinhança industrial pouco visível de fora. O Oeste catarinense concentra um conjunto de pequenas e médias empresas do setor eletroeletrônico e metal-mecânico que abastecem a agroindústria da região, e a carência de mão de obra especializada justificou a instalação da unidade. São nove laboratórios entre metrologia, soldagem, usinagem e controladores lógicos programáveis, em uma cidade que cabe em um bairro de capital.
Como é o clima no Meio-Oeste catarinense?
O clima é subtropical, com as quatro estações bem definidas e chuva distribuída ao longo do ano inteiro, sem período seco. O inverno traz geadas e manhãs de nevoeiro no fundo do vale. Veja abaixo o que esperar de cada estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Conheça a cidade pequena que dá aula de qualidade de vida
Luzerna não tem praia, aeroporto nem cartão-postal conhecido fora do estado, e mesmo assim entrega saúde, educação e segurança em níveis que capitais inteiras perseguem. O município mais jovem da região transformou uma colônia particular de 1915 em um caso raro de gestão pública de porte pequeno com resultado grande.
Você precisa parar em Luzerna a caminho do Oeste catarinense e ver de perto como uma cidade de menos de 6 mil habitantes faz o que muita capital promete.
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