A cidade brasileira que os ingleses chamaram de Londres
A Pequena Londres que já produziu metade do café do mundo
Fundada por ingleses e batizada em homenagem a Londres, Londrina cresceu sobre a terra roxa do norte do Paraná e se tornou uma das cidades mais arborizadas e dinâmicas do interior do Brasil.
Como uma empresa inglesa criou uma cidade no meio da mata
Em 1929, a Companhia de Terras Norte do Paraná, subsidiária da britânica Paraná Plantations Ltd., fincou o primeiro marco onde surgiria Londrina. O nome foi ideia de João Domingues Sampaio, um dos diretores da companhia, como homenagem à capital inglesa. A fundação oficial veio em 10 de dezembro de 1934, por decreto do interventor Manoel Ribas.
Os ingleses dividiram a terra em lotes pequenos e acessíveis, o que atraiu imigrantes italianos, japoneses, alemães e árabes. Nos anos 1950, a cidade já respondia por cerca de 51% do café produzido no mundo e ganhou o apelido de Capital Mundial do Café. Seus fazendeiros eram chamados de Barões do Café, e os grãos, de Ouro Verde. Essa história pode ser conhecida em detalhes no Portal da Prefeitura de Londrina.

Quase o dobro de verde que a ONU recomenda
Londrina acumula mais de 7,7 milhões de m² de área verde urbana, quase o dobro do índice recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Parques, bosques e fundos de vale cortam a cidade de ponta a ponta. O traçado urbanístico, desenhado por Jorge Macedo Vieira, seguiu o conceito de cidade-jardim do britânico Ebenezer Howard.
Esse planejamento explica por que a Pequena Londres mantém avenidas largas e arborizadas mesmo com seus mais de 580 mil habitantes. O IDHM de 0,778, classificado como alto pelo IBGE, reflete investimentos constantes em saúde, educação e saneamento.

O que fazer em Londrina além do circuito do café?
A cidade reserva atrações para quem gosta de natureza, história e cultura. Boa parte delas tem entrada gratuita e fica a poucos minutos do centro. Confira os destaques:
- Lago Igapó: cartão-postal da cidade, inaugurado em 1959. São 4,5 km de extensão entre quatro lagos interligados, com ciclovia, pista de caminhada e esportes náuticos como caiaque e stand-up paddle. O nome vem do tupi e significa “transvazamento de rios”.
- Parque Arthur Thomas: floresta de Mata Atlântica com 85 hectares encravada na zona urbana. Trilhas levam a uma cascata de 20 metros, e é comum avistar macacos-prego, quatis e aves migratórias. Funciona de terça a domingo, das 8h às 17h.
- Jardim Botânico de Londrina: uma das maiores unidades de conservação de espécies nativas e exóticas do Paraná, com lagos, estufas e pistas de caminhada. Entrada gratuita.
- Museu Histórico de Londrina: instalado na antiga estação ferroviária, reúne mais de 40 mil peças entre documentos, fotografias e objetos do período cafeeiro. O edifício em si já vale a visita. Vinculado à Universidade Estadual de Londrina (UEL).
- Cine Teatro Ouro Verde: inaugurado em 1952 com capacidade para 1.500 pessoas, é tombado como Patrimônio Histórico do Paraná. Após um incêndio em 2012, foi restaurado com todas as características originais mantidas.
Mais informações sobre os pontos turísticos estão no site do Viaje Paraná.
Quem planeja visitar Londrina, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Matheus Gazzola, que conta com mais de 6.500 visualizações, onde Matheus mostra um roteiro com 5 atrações imperdíveis no Paraná, incluindo o Museu Histórico e o Lago Igapó:
O FILO e a cena cultural que nasceu na resistência
O Festival Internacional de Londrina (FILO) é um dos mais antigos festivais de teatro da América Latina. Criado em 1968 dentro do ambiente universitário, no auge da ditadura militar, o evento começou como palco de resistência. Artistas usavam textos com mensagens implícitas e metafóricas para driblar a censura.
Hoje, com mais de 55 anos de existência, o FILO reúne espetáculos de teatro, dança e circo de companhias nacionais e internacionais. A edição de fevereiro de 2025 atraiu mais de 12 mil espectadores. Londrina mantém também a Rota do Café, roteiro turístico premiado pelo Ministério do Turismo em 2011, que percorre fazendas históricas e oferece degustação de cafés especiais.
Uma mesa que mistura Japão, Líbano e interior do Paraná
A colonização diversa de Londrina moldou uma cena gastronômica difícil de encontrar em cidades do mesmo porte. A influência japonesa, árabe e italiana convive com a tradição paranaense em restaurantes espalhados pelo centro e pela Gleba Palhano. Alguns endereços merecem atenção:
- Kiberama: restaurante libanês com mais de 57 anos de tradição no centro. As esfihas seguem receita familiar passada por gerações.
- Barolo Trattoria: considerado um dos melhores restaurantes italianos do Paraná, com massas artesanais e ambiente acolhedor.
- Strassberg: culinária alemã com destaque para a torta de maçã e o joelho de porco, na Rodovia Celso Garcia Cid.
- Renato Casa de Sucos: na rodoviária há mais de 35 anos, serve vitaminas e sucos frescos que viraram tradição entre viajantes e moradores.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio em Londrina?
O clima subtropical garante estações bem definidas, com verões quentes e invernos amenos. As chuvas se concentram entre outubro e março, enquanto o período seco favorece passeios ao ar livre entre abril e setembro:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Pequena Londres do Paraná?
Londrina fica a 381 km de Curitiba pela BR-376, cerca de 4 horas de carro. O Aeroporto Governador José Richa (LDB), a apenas 3 km do centro, recebe voos de São Paulo e Curitiba operados por Latam e Azul. A Rodoviária de Londrina conecta a cidade a destinos como Maringá (1h30), Curitiba e Campinas pela Viação Garcia.
A cidade que trocou o café pelo futuro sem perder a alma
Londrina cresceu rápido, mas soube guardar o verde, a história e a diversidade que herdou de seus fundadores. É raro encontrar uma cidade de interior com festival de teatro latino-americano, gastronomia de quatro continentes e uma floresta de Mata Atlântica a minutos do centro.
Você precisa pisar na terra roxa de Londrina e sentir o ritmo de uma cidade que honra o passado do café enquanto constrói algo maior.
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