A cidade brasileira onde uma avenida divide dois países, quatro idiomas e o canteiro central separa o real do peso uruguaio
Cidade brasileira tem avenida que separa Brasil, Uruguai e duas moedas
No extremo sul do Rio Grande do Sul, quem atravessa a rua principal de Chuí muda de país sem tirar os pés do asfalto. A pequena cidade gaúcha e sua irmã uruguaia, Chuy, dividem a mesma avenida, sem muro, cancela ou guarita no meio do caminho.
Uma avenida, dois países e nomes trocados
A fronteira entre o Brasil e o Uruguai se estende por 1.069 km, do extremo oeste gaúcho até a foz do Arroio Chuí, no Oceano Atlântico. O trecho urbano da cidade é o único pedaço dessa linha onde não há ponte, rio nem posto de controle separando os dois países: basta cruzar o canteiro central da Avenida Internacional.
O detalhe mais curioso está nos nomes. Do lado brasileiro, a via se chama Avenida Uruguai; do lado uruguaio, Avenida Brasil. Cada país batizou sua faixa com o nome do vizinho, o que virou um achado para quem tira a foto clássica com um pé em cada território.

Onde o real, o peso e o dólar dividem o mesmo caixa
A vida econômica reflete essa mistura. As lojas francas, os famosos free shops, ficam concentradas no lado uruguaio, num corredor que atravessa o centro de Chuy, vendendo perfumes, bebidas, eletrônicos e importados com regime aduaneiro especial. Nas mesmas lojas, os pagamentos podem ser feitos em real, peso uruguaio ou dólar.
Do lado brasileiro, Chuí é uma das cidades-gêmeas autorizadas a abrir lojas francas de fronteira, segundo o Governo do Rio Grande do Sul. O regime, criado por lei federal, só vale para municípios colados a cidades estrangeiras, e o estado concentra 11 das 33 cidades-gêmeas do país.

Quatro idiomas na mesma calçada
A fronteira aberta criou uma cultura única. No cotidiano de Chuí, português, espanhol e o popular portunhol convivem com o árabe, herança de uma comunidade de descendentes de palestinos que se instalou na faixa de fronteira gaúcha ao longo do século XX.
O resultado é uma cidade de identidades sobrepostas, com sotaque uruguaio, comércio de rua movimentado e moradores que literalmente vivem com um pé em cada país. A divisa, aqui, não interrompe nada: organiza o dia a dia de quem escolheu morar entre duas bandeiras.
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O ponto onde o Brasil termina
Chuí é a cidade mais ao sul do Brasil e o município brasileiro mais distante da Linha do Equador. O Arroio Chuí marca o ponto mais meridional do território, conforme a convenção dos extremos do litoral usada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que consagrou a expressão “do Oiapoque ao Chuí”, segundo a Agência IBGE de Notícias.
Vale a curiosidade
Chuí prova que uma fronteira pode ser ponto de encontro em vez de linha de separação, com duas línguas oficiais, três moedas e quatro idiomas dividindo a mesma calçada. É um pedaço do Brasil onde dois países coexistem na mesma rua.
Você precisa ir até o extremo sul e caminhar pela Avenida Internacional para entender por que, no Chuí, atravessar a rua é a viagem mais curta para outro país.
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