A Califórnia Brasileira nasceu como Passagem de Juazeiro e hoje tem vinhedos no Sertão, praias de rio e uma orla de frente para a Bahia
Uma antiga rota de boiadeiros se transformou em um polo agrícola e turístico, onde canais de irrigação permitem cultivar frutas em pleno semiárido.
Antes de virar cidade, o lugar era o ponto onde boiadeiros e negociantes paravam para atravessar o rio São Francisco rumo à Bahia. Esse vaivém de travessias deu nome ao povoado, e a mesma água que por décadas serviu apenas de caminho passou a irrigar as uvas e as mangas que, décadas depois, mudaram a paisagem de Petrolina no coração do Sertão.
Como a Passagem de Juazeiro virou a Califórnia Brasileira?
A transformação começou na margem do rio e terminou nos canais de irrigação. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a travessia obrigatória para a Bahia era conhecida como Passagem de Juazeiro e deu origem a duas cidades, uma em cada margem: Petrolina, em Pernambuco, e Juazeiro, do lado baiano. O povoado virou vila em 1862, cidade em 1895 e, pela posição estratégica entre o interior e o litoral, ganhou também o apelido de Encruzilhada do Progresso.
O segundo apelido nasceu da agricultura. Em sessão solene realizada em 2016, um deputado pernambucano afirmou no plenário que Petrolina era a Califórnia Brasileira, em referência à transformação provocada pela irrigação no semiárido, segundo a Agência Câmara. A comparação não é título oficial, mas resume bem o contraste entre a caatinga ao redor e os pomares que hoje cercam a cidade.

Alguns números ajudam a entender como a água do rio virou trabalho, renda e paisagem:
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Como a água do São Francisco chegou aos lotes das famílias?
Chegou por canais públicos que levaram junto casas, escolas e núcleos de moradia. A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) registra que o Projeto Bebedouro começou a ser construído em 1968, com a primeira área ocupada no mesmo ano e a segunda em 1973, somando 138 lotes de pequenos irrigantes. Hoje o projeto tem cerca de 3,1 mil moradores, sete núcleos habitacionais, duas escolas e 31 km de canais.
A escala cresceu em 1984, quando entrou em operação o Projeto Nilo Coelho, que se estende pela margem esquerda do rio desde a barragem de Sobradinho, em Casa Nova, na Bahia, até Petrolina. Dos 18,6 mil hectares irrigáveis, cerca de dois terços ficam com pequenos produtores, e a área reúne 11 núcleos habitacionais, 15 escolas e uma biblioteca.
O que fazer em Petrolina entre o rio e a cidade?
A vida de lazer gira em torno do São Francisco, com praias de água doce, orla e restaurantes a poucos quilômetros do centro. Quem procura a memória da cidade deve checar a situação do Museu do Sertão, aberto em 1973 com mais de 3 mil objetos e alas dedicadas à navegação e à Petrolina de outros tempos: o cadastro federal de museus registra o espaço como fechado, por isso vale confirmar antes da visita.
Lugares para conhecer Petrolina à beira do São Francisco
Entre ilhas de areia, vinhedos e mesas de comida sertaneja, alguns endereços mostram o melhor da cidade:
- Orla de Petrolina: calçadão com vista do rio, bares, restaurantes e pistas de caminhada, um dos pontos mais procurados para ver o pôr do sol.
- Ilha do Rodeadouro: praias de água doce no meio do rio, com passeios de barco, jet ski e quiosques de comida regional.
- Balneário de Pedrinhas: às margens do São Francisco, tem águas claras e tranquilas, áreas para camping e churrasco.
- Bodódromo: complexo gastronômico dedicado à carne de bode, com restaurantes lado a lado em ambiente rústico.
- Parque Municipal Josepha Coelho: área verde com trilhas, equipamentos de exercício e um teatro ao ar livre.
- Vinícola Vinho & Vinhas: oferece passeios guiados e degustações e usa a dupla poda para colher uvas duas vezes por ano.
Para ver a orla, os bairros e o Rio São Francisco que marcam a identidade de Petrolina, o canal Eu no Nordeste percorre a cidade neste vídeo:
Como o campo e o rio continuam moldando a rotina da cidade?
O trabalho no campo segue como motor da região, mas sempre dividido com a vizinha baiana. A Codevasf atribui 156 mil empregos ao região irrigada de Petrolina e Juazeiro, especializado em uva, manga e goiaba, o maior número entre as sete áreas prioritárias da companhia, e o resultado inclui as duas margens do rio, não apenas Petrolina.
O próprio rio também é laboratório. Dentro do Projeto Bebedouro funciona, desde os anos 1980, o Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Bebedouro, com 13,6 hectares de viveiros, reprodução de espécies nativas para repovoar rios e capacitação de pescadores ribeirinhos. Uma das pesquisas mais curiosas tenta adaptar o camarão marinho à água doce do Sertão.

Como é o clima em Petrolina ao longo do ano?
Petrolina tem calor o ano inteiro, com máximas médias entre 29 °C e 34 °C, e pouca chuva: os meses mais úmidos ficam perto dos 80 mm, enquanto setembro registra em média apenas 2 mm. Entre junho e novembro, o tempo seco domina a paisagem fora das áreas irrigadas.
Petrolina em cada estação
Cada período do ano traz temperaturas e volumes de chuva bem diferentes:
Faixas baseadas nas médias climatológicas de 30 anos do Climatempo. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña; para a previsão atual, consulte a previsão do Climatempo para Petrolina.
Uma cidade que nasceu da travessia
Da orla de Petrolina, o São Francisco ainda parece o mesmo caminho que os antigos boiadeiros cruzavam rumo à Bahia. A diferença está no que o rio alimenta hoje: lotes de famílias, vinhedos no semiárido, praias de água doce e uma cidade que aprendeu a viver da própria margem.
Você precisa conhecer Petrolina e assistir ao pôr do sol na orla, de frente para a outra margem que um dia era só destino de passagem.
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