A 2 graus da Linha do Equador, a cidade rica que parou no tempo e lança foguetes no Brasil
Ruínas e casarões preservam diferentes fases da história colonial
Quem desce do barco em Alcântara, no Maranhão, sobe ladeiras de pedra entre casarões antigos e igrejas sem telhado. No mesmo município, porém, funciona a principal base de lançamento de foguetes do Brasil, instalada ali por causa de uma vantagem geográfica rara. É uma cidade onde o passado colonial e a corrida espacial dividem a mesma paisagem.
Por que a Linha do Equador ajuda a lançar foguetes em Alcântara?
Porque, perto do Equador, a Terra gira mais rápido e dá um empurrão extra no foguete. Segundo a Agência Espacial Brasileira (AEB), isso permite que o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) use até 30% menos combustível do que bases instaladas em latitudes mais altas.
Na prática, o foguete aproveita a velocidade do próprio planeta, como um corredor que pega impulso numa esteira em movimento. Com menos gasto de combustível, é possível levar mais carga ou usar um veículo menor. A mesma AEB informa que esse diferencial despertou o interesse de outros países pela base maranhense.

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A cidade rica que parou no tempo
Alcântara viveu seu auge entre os séculos XVIII e XIX, quando ergueu sobrados, palacetes e igrejas com o dinheiro das exportações. Com o declínio da elite local no fim do século XIX, muitas famílias ricas foram embora, e várias obras ficaram pela metade.
O abandono acabou preservando o cenário. Em vez de ser substituído por prédios novos, o casario ficou praticamente como estava, e hoje muitas construções aparecem como ruínas de pedra, com portas e janelas abertas para o céu. É isso que faz a cidade parecer um museu a céu aberto.

Dois palácios para um imperador que nunca apareceu
A ruína mais curiosa de Alcântara nasceu de uma disputa. No século XIX, o Barão de Pindaré começou a erguer um palácio para hospedar Dom Pedro II, o que deu origem a uma rivalidade com o Barão de Mearim, que também queria receber o imperador.
A visita imperial nunca aconteceu, e o palácio do Barão de Pindaré não teve as obras concluídas. O que restou foram paredes e arcos de pedra no centro histórico, que hoje estão entre as imagens mais fotografadas da cidade.
O que ver no centro histórico
O centro antigo pode ser percorrido a pé, subindo a partir do porto onde chegam os barcos. Os principais pontos são:
- Praça da Matriz: coração da cidade antiga, cercada por casarões e ruínas.
- Ruínas da Igreja Matriz de São Matias: o cartão-postal de Alcântara, com fachada de pedra e sem telhado.
- Pelourinho: coluna de pedra no centro da praça, um dos símbolos do período colonial.
- Ruínas do Palácio do Barão de Pindaré: o palácio inacabado da disputa pelo imperador.
- Ruínas da Igreja de São Francisco: obra iniciada no começo do século XIX, com portal de pedra de lioz.
- Museu Histórico de Alcântara: casarão que reúne objetos e documentos da história da cidade.
Quem sonha em viajar pela história e pelas ruínas do Maranhão, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal DEVA NO AR, que conta com mais de 69 mil visualizações, onde Deva e João mostram os encantos e casarões coloniais de Alcântara:
Ruínas e estrelas no mesmo município
Os dois lados de Alcântara passaram a conversar oficialmente. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) criaram o projeto Entre Ruínas e Estrelas, com investimento de R$ 259,3 mil, para unir a preservação do patrimônio às atividades do setor espacial.
Para chegar, o caminho mais usado é o barco que cruza a Baía de São Marcos a partir de São Luís. De acordo com o Viaje na Viagem, as embarcações saem do cais da Praia Grande, no centro histórico da capital, e a travessia leva cerca de 1h20, com saídas pela manhã e retorno à tarde.
Como é o clima de Alcântara ao longo do ano?
O calor quase não muda, com máximas perto dos 30°C o ano inteiro. A grande diferença está na chuva. Nas médias de 30 anos do Climatempo, março soma cerca de 392 mm, enquanto setembro fica perto de 17 mm.
O primeiro semestre concentra as chuvas, e o segundo é bem mais seco e ensolarado. Veja como cada estação costuma se comportar:
Alcântara em cada estação
Valores aproximados, com base na climatologia de 30 anos do Climatempo. El Niño e La Niña podem mudar esse padrão entre os anos, por isso confira a previsão do Climatempo antes de viajar.
Onde o século XIX olha para o espaço
Poucos lugares no Brasil reúnem tanto contraste num só município. Em Alcântara, as ruínas de uma cidade que enriqueceu com as exportações dividem o mapa com uma base que manda foguetes ao espaço.
Você precisa atravessar a baía, caminhar entre as ruínas e olhar para o céu pelo menos uma vez para entender por que essa cidade maranhense parece viver em dois tempos ao mesmo tempo.
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