A 1.020 metros de altitude essa cidade gaúcha tem o maior conjunto de cânions da América Latina e a tirolesa mais alta das Américas
Maior conjunto de cânions da América Latina e a tirolesa mais alta das Américas
A 185 km de Porto Alegre, Cambará do Sul abre o planalto sobre paredões de até 720 metros. É um vilarejo de pouco mais de 6 mil habitantes que respira altitude, frio e geologia rara.
Reconhecida pela UNESCO como geoparque mundial
Em 13 de abril de 2022, Cambará do Sul recebeu uma chancela internacional inédita. A cidade integra o Geoparque Mundial da UNESCO Caminhos dos Cânions do Sul, território formado por sete municípios entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com área total de 2.830 km².
O reconhecimento se deve à geologia singular da região. O escarpamento sinuoso da Serra Geral tem mais de 200 km de extensão e desníveis que variam entre 900 e 1.300 metros, considerada a maior cadeia de cânions da América Latina, segundo a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS).
A formação geológica começou com a fragmentação do supercontinente Gondwana, há mais de 130 milhões de anos. Lavas vulcânicas se acumularam em camadas sucessivas que mais tarde foram esculpidas pelos rios e pela erosão até criar os paredões verticais. O nome Itaimbezinho vem do tupi-guarani e significa pedra afiada.

Vale a pena viver no vilarejo dos cânions?
Para quem busca silêncio, ar puro e contato direto com a natureza, sim. A cidade tem cerca de 6.500 moradores, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e foi emancipada em 1963 a partir do desmembramento de São Francisco de Paula.
A 1.020 metros de altitude, é uma das cidades mais frias do Brasil. A mínima histórica registrada foi de -8,8°C em junho de 1979. A neve aparece quase todos os anos. Em maio de 2025, os primeiros flocos da temporada caíram em Cambará do Sul e São José dos Ausentes, com temperaturas próximas de zero, conforme registrou a Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul.
O turismo ecológico é o motor da economia local. A cidade vive das pousadas charmosas, dos cafés coloniais e dos guias que conduzem visitantes pelos parques nacionais. A vida urbana se concentra em uma avenida principal com igreja, praça e centro cultural, sem trânsito ou aglomerações.

O que fazer e onde comer entre paredões e araucárias?
Os cânions são o motivo da viagem, mas a região oferece cachoeiras, trilhas e gastronomia colonial. Algumas atrações imperdíveis:
- Cânion Itaimbezinho: cartão postal da região, com 5,8 km de extensão e 720 metros de profundidade, no Parque Nacional de Aparados da Serra, criado em 1959.
- Cânion Fortaleza: paredões de até 900 metros e cerca de 7,5 km, no Parque Nacional da Serra Geral, com a vista mais selvagem da região.
- Tirolesa do Cânion Fortaleza: a mais alta das Américas, inaugurada em 2023, com 720 metros de percurso a velocidade média de 30 km/h sobre o abismo.
- Cascata do Tigre Preto: queda d’água com cerca de 350 metros que forma um dos pontos cênicos da Serra Geral, acessível por trilha curta.
- Trilha do Rio do Boi: caminhada de 14 km dentro do Itaimbezinho, com travessias do leito rochoso, exige guia credenciado e parte de Praia Grande.
A gastronomia segue a tradição serrana, marcada pelo frio e pelos produtos da floresta de araucárias. Entre os destaques:
- Pinhão: semente da araucária, base de receitas locais como entrevero, paçoca e o tradicional pinhão cozido vendido em lojas e cafés do centro.
- Café colonial serrano: mesa farta com queijos, embutidos, geleias artesanais, schmier e bolos caseiros, servido em pousadas e cafés rurais da região.
- Costela de chão: assada lentamente em fogo de chão por seis horas ou mais, é a tradição gaúcha que ganha sabor especial nas noites frias da serra.
- Truta da serra: criada em pesque-pague locais como a Trutalpina, é servida grelhada ou ao molho, em restaurantes do Caminho dos Canyons.
Quem ama natureza e paisagens surreais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Num Pulo, que conta com mais de 333 mil visualizações, onde Daniel e Paula mostram os cânions e as aventuras em Cambará do Sul, no Rio Grande do Sul:
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima da região é instável e a neblina pode fechar os cânions em minutos. Veja como cada estação influencia a experiência:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Cambará do Sul
O acesso mais comum é por Porto Alegre, com 185 km pela RS-020, em rota asfaltada e sinuosa que passa por Taquara e São Francisco de Paula. Gramado fica no meio do caminho, a pouco mais de uma hora da cidade. Outra opção é a Rota do Sol (RS-453), que conecta com a RS-427 e ainda tem trechos de chão batido. Quem vem de Santa Catarina sobe pela Serra do Faxinal a partir de Praia Grande.
Quem deseja desbravar os segredos de Cambará do Sul, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Diogo Elzinga, que conta com mais de 1 milhão de visualizações, onde Diogo Elzinga mostra um documentário completo sobre a história, lendas e belezas naturais do Rio Grande do Sul além dos cânions famosos:
Vá conhecer a Terra dos Cânions
O vilarejo combina geologia rara, frio extremo e a maior cadeia de cânions da América Latina em pouco mais de 6 mil habitantes. É o tipo de lugar onde a natureza dita o ritmo e a neblina pode mudar a paisagem em minutos.
Você precisa subir a serra e conhecer Cambará do Sul, o pedaço do Brasil onde a terra parece terminar em abismos verticais.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)