8ª cidade mais desenvolvida do Brasil: o município no interior de paulista que só perde para grandes capitais
A força dos serviços ajuda a explicar a importância regional do município
Um município do noroeste paulista que começou com uma capela erguida em 1852 hoje aparece entre os oito mais desenvolvidos do país. São José do Rio Preto, a 442 km de São Paulo, ocupou a 8ª posição nacional no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) 2025 e é a única cidade entre as sete primeiras que não é capital, com exceção de Curitiba. Combinando um dos maiores hospitais-escola do país, três universidades e a melhor cobertura de saneamento entre as 100 maiores cidades brasileiras, Rio Preto virou objeto de análise sobre o que significa qualidade de vida no interior.
Como uma capela do século XIX deu origem à cidade?
A tradição local conta que uma imagem de São José de Botas foi encontrada por moradores em terras deixadas por indígenas Guarani. Em 1852, o pioneiro João Bernardino de Seixas Ribeiro liderou a construção de um cruzeiro e uma pequena capela em terreno doado por Luiz Antônio da Silveira. Nascia ali o povoado que viraria município em 19 de julho de 1894, desmembrado de Jaboticabal.
O nome Rio Preto vem do curso d’água que corta a região, cujas águas escurecidas por matéria orgânica em decomposição deram origem ao topônimo. Nas primeiras décadas do século XX, a chegada da Estrada de Ferro Araraquarense transformou a cidade em entreposto do algodão e do café. A partir da década de 1950, a economia migrou para agropecuária diversificada, comércio e serviços especializados.

O que colocou Rio Preto na 8ª posição do Firjan?
Segundo notícia oficial da Prefeitura de São José do Rio Preto, o IFDM 2025, elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), avaliou 5.550 municípios brasileiros e colocou a cidade na 8ª posição nacional e na 4ª estadual. O índice acompanha o desenvolvimento em três áreas: Emprego e Renda, Saúde e Educação. Entre as sete cidades à frente de Rio Preto, apenas Curitiba tem mais habitantes, o que reforça o desempenho acima da média para municípios de porte semelhante.
O indicador de Emprego e Renda atingiu 0,9750, classificado como desenvolvimento alto, enquanto Saúde chegou a 0,8503, também na faixa alta. O IDHM de 0,797, segundo o IBGE, confirma o padrão de qualidade de vida. Rio Preto figura entre os municípios paulistas do interior que gabaritam rankings nacionais e superam cidades como Florianópolis e Blumenau.

Como Rio Preto virou a primeira cidade do Brasil com saneamento nota máxima?
Em 2023, na 15ª edição do Ranking do Saneamento, elaborado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, São José do Rio Preto conquistou o primeiro lugar nacional entre as 100 maiores cidades do Brasil. Segundo notícia oficial da Agência Brasil, o feito é inédito na história da série: foi a primeira vez em 15 edições que um município obteve nota máxima em todas as dimensões analisadas.
Os números explicam o resultado: 100% de cobertura de água tratada, 93,9% de coleta de esgoto e 91,6% de tratamento do esgoto gerado. A cidade subiu oito posições em relação a 2022 e assumiu a liderança. O investimento médio de R$ 124,66 por habitante nos últimos cinco anos ficou acima da média nacional de R$ 82. A operação é feita pelo Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto (SeMAE), sistema público sem concessão privada. Em 2024, a cidade manteve a segunda posição no ranking, atrás apenas de Maringá (PR).

Por que a saúde é um dos principais atrativos da cidade?
O Hospital de Base é considerado o segundo maior hospital-escola do Brasil, referência em transplantes e medicina de alta complexidade para pacientes de todo o país. Ligado à Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), o complexo hospitalar atende à demanda regional de aproximadamente 2 milhões de pessoas distribuídas em mais de 100 municípios do noroeste paulista, do Triângulo Mineiro e do sul de Mato Grosso do Sul.
Além da Famerp, a cidade abriga a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Faceres e a Unirp. O ensino superior é um dos pilares que sustenta a economia local, ao lado da agroindústria e do polo joalheiro tradicional. A Prefeitura de São José do Rio Preto registra também presença crescente de empresas de tecnologia e inovação.

O que ver em Rio Preto além dos hospitais?
A cidade combina áreas verdes urbanas, patrimônio histórico e um comércio dinâmico distribuído em shoppings e ruas comerciais tradicionais. Veja abaixo os principais pontos:
- Represa Municipal: cartão-postal da cidade, com pista de caminhada de 3 km, píeres, áreas de lazer e restaurantes flutuantes.
- Parque da Represa: extensão da orla, com playgrounds, quadras esportivas e ciclovia.
- Recinto de Exposições: sede da Agrishow Rio Preto e de outras grandes feiras agropecuárias e culturais.
- Casa Filipina Bicudo: sobrado colonial preservado que abriga acervo sobre a colonização do noroeste paulista.
- Catedral de São José: templo em estilo neogótico no coração do centro histórico.
- Bosque Municipal: área verde no centro da cidade, com trilhas e animais em recuperação.
Quem quer descobrir uma das cidades mais desenvolvidas do interior, vai curtir esse vídeo do canal Rota 408 – Cidades do Brasil, com mais de 48 mil visualizações, que percorre São José do Rio Preto:
Como é o clima em Rio Preto ao longo do ano?
São José do Rio Preto tem clima tropical, com verões quentes e chuvosos e invernos secos com amplitude térmica considerável. Veja abaixo a distribuição:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a São José do Rio Preto?
A cidade fica a 442 km de São Paulo pela Rodovia Washington Luís (SP-310), com viagem de aproximadamente cinco horas de carro. O Aeroporto Estadual Prof. Eribelto Manoel Reino recebe voos diretos de várias capitais brasileiras. Ônibus intermunicipais e interestaduais operam a partir do Terminal Rodoviário Norte, que também conecta com cidades da região.
Descubra a cidade que virou referência nacional em qualidade de vida
Rio Preto é o retrato de uma cidade média que trabalhou décadas para construir infraestrutura sem depender exclusivamente de uma capital próxima. O resultado aparece em rankings, na saúde regional e na atração constante de profissionais de outras regiões.
Você precisa caminhar pela orla da Represa Municipal ao entardecer e entender por que essa cidade paulista virou modelo estudado por outros municípios brasileiros.
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