5º destino mais vendido do Brasil e dono do maior parque urbano sobre dunas do país: a capital que nasceu de um forte em forma de estrela
As dunas ajudam a formar algumas das paisagens mais conhecidas do litoral
Toda cidade litorânea do Nordeste tem praia, mas poucas começaram como peça de guerra. Natal nasceu de uma fortaleza erguida na barra do rio Potengi para barrar corsários franceses, e hoje aparece entre os cinco destinos mais vendidos do país, guardando, dentro da malha urbana, uma reserva de 1.172 hectares de mata sobre dunas.
Por que uma fortaleza em forma de estrela deu origem à cidade?
Porque o forte veio antes das ruas. A construção do Forte dos Reis Magos começou em 6 de janeiro de 1598, dia de Reis no calendário católico, o que explica o nome, e a cidade só foi fundada em seguida, em 25 de dezembro de 1599. A planta em estrela de cinco pontas não era enfeite: permitia cobrir todos os ângulos de aproximação de um inimigo vindo do mar.
O monumento virou o marco inicial da capital potiguar e foi tombado em 1949, conforme o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que também restaurou a estrutura entre 1953 e 1958, depois de um longo processo de degradação. Quem entra hoje pisa em um piso que atravessou mais de quatro séculos.

O que colocou a capital potiguar entre os cinco destinos mais vendidos do país?
Volume de vendas, não impressão. Segundo a Prefeitura de Natal, o boletim da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa) colocou a cidade como o 5º destino nacional mais comercializado, ao lado de nomes consolidados como Maceió, Gramado, Porto de Galinhas e Rio de Janeiro.
A posição faz sentido quando se olha a geografia. A cidade concentra num raio curto o que outros destinos espalham por centenas de km: dunas móveis, falésias, mar morno o ano inteiro e uma rede hoteleira grande para o padrão nordestino, instalada em boa parte ao longo da Via Costeira, avenida encaixada entre o mar e a mata.

O parque que ninguém espera encontrar dentro de uma capital
São 1.172 hectares de Mata Atlântica sobre dunas fixas, no meio dos bairros. O Parque Estadual Dunas de Natal foi criado em 1977 como a primeira unidade de conservação do Rio Grande do Norte e é apontado como o maior parque urbano sobre dunas do Brasil, com papel direto na recarga do aquífero que abastece a cidade.
A área aberta ao público é o Bosque dos Namorados, com cerca de sete hectares e mais de 1.300 árvores nativas. Dali partem trilhas interpretativas de diferentes níveis, algumas terminando em pontos altos de duna com vista do mar. O parque abriga mais de 270 espécies de árvores e cerca de 180 espécies de animais.
Onde ir na cidade além da orla de Ponta Negra?
A capital funciona como base para o litoral norte e o litoral sul do estado, mas os cartões-postais dentro dela já rendem vários dias. Confira abaixo o que costuma entrar no roteiro:
- Morro do Careca: duna de mais de 100 metros na ponta sul da Praia de Ponta Negra, segundo o Ministério do Turismo. A descida de esquibunda está proibida para conter a erosão.
- Dunas de Genipabu: a cerca de 25 km do centro, o cenário clássico dos passeios de buggy entre lagoas e areia solta.
- Ponte Newton Navarro: travessia sobre o Potengi que liga a Zona Leste à Zona Norte e rende a melhor vista do estuário.
- Praia da Redinha: reduto da ginga com tapioca, peixe pequeno frito servido dentro da massa de goma, prato que só existe ali.
- Parrachos de Maracajaú: recifes a cerca de 60 km ao norte, com piscinas naturais que se formam na maré baixa.
- Centro histórico da Cidade Alta: casario, igrejas antigas e o traçado original de quando a cidade ainda cabia ao redor do forte.
Na mesa, o roteiro segue o mesmo litoral. Camarão, carne de sol com macaxeira e a própria ginga com tapioca aparecem tanto nas barracas de praia quanto nos restaurantes da orla.
Quem sonha em conhecer Natal vai curtir este vídeo do canal Vamos Fugir Blog, que monta um roteiro de 7 dias pelas praias, dunas e principais atrações da capital potiguar.
Como é o clima de Natal durante o ano?
A cidade tem uma inversão que confunde quem chega do Sudeste: o período chuvoso cai no outono e no inverno, e não no verão. Veja abaixo como o ano costuma se comportar na capital potiguar:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. As condições variam de um ano para outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale checar a previsão atualizada antes da viagem.
Como chegar à capital do Rio Grande do Norte?
O Aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, fica a cerca de 30 km do centro e concentra voos nacionais e internacionais. Por terra, a BR-101 liga a cidade a João Pessoa e a Recife, e a BR-304 faz a conexão com o interior potiguar e com Fortaleza.
Quem viaja pelo litoral nordestino costuma emendar a capital com outros trechos de água clara da região, como o Caribe Brasileiro de areias que não esquentam os pés.

Conheça a capital que guarda mata dentro da cidade
Poucas capitais brasileiras conseguem oferecer forte do século XVI, reserva de Mata Atlântica em plena área urbana e dunas móveis a menos de meia hora do centro. A combinação explica por que a cidade subiu tanto nos rankings das operadoras nos últimos anos.
Você precisa caminhar pela orla natalense ao entardecer e entrar nas trilhas do Parque das Dunas para entender que a capital potiguar é bem mais do que praia.
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