5ª melhor qualidade de vida da Bahia e berço de Jorge Amado: a Capital do Cacau que ainda produz o chocolate fino que virou romance mundial
O cacau ajudou a formar a economia e a identidade local
Poucos municípios do interior brasileiro conseguem combinar prêmio literário mundial, exportação histórica de commodities e um dos melhores índices de desenvolvimento humano do próprio estado. No sul da Bahia, Itabuna, uma cidade de 196 mil habitantes, reúne o quinto maior IDH baiano, o título oficial de Capital do Cacau e o berço do escritor que apresentou o mundo grapiúna à literatura mundial. O sobrenome do romance mais famoso é Gabriela, o do autor, Jorge Amado.
Como essa cidade do sul baiano alcançou o 5º maior IDH do estado?
Segundo o IBGE, Itabuna registra IDH-M de 0,712, classificado como alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O número coloca o município na 5ª posição entre os 417 municípios baianos, atrás apenas de Salvador, Lauro de Freitas, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães. É o maior IDH do interior sul da Bahia.
O município também é o único do sul baiano classificado pelo IBGE como Capital Regional B, categoria da Rede Urbana Brasileira reservada a centros com influência sobre mais de 40 municípios. Essa força se concentra em saúde (o Hospital de Base atende toda a região cacaueira), educação superior (com campus da Universidade Estadual de Santa Cruz) e comércio, com resultado parecido ao de outras cidades que superam capitais em qualidade de vida.

Por que essa cidade virou Capital do Cacau e berço de Jorge Amado?
Itabuna nasceu em 1910 no auge do ciclo cacaueiro que fez do sul da Bahia o maior produtor mundial da amêndoa. Dois anos depois, no distrito rural de Ferradas, nascia Jorge Amado, filho do coronel João Amado de Faria, plantador de cacau. A paisagem rural do município natal atravessou toda a obra do escritor, de Cacau (1933) a Terras do Sem Fim (1943), até chegar a Gabriela, Cravo e Canela, elogiado por Jean-Paul Sartre como exemplo de romance popular, segundo a revista literária Rascunho.
Mesmo após a praga da vassoura-de-bruxa, que devastou os cacauais nos anos 1990, a região se manteve como referência do chocolate fino brasileiro. A Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), criada em 20 de fevereiro de 1957 pelo governo Juscelino Kubitschek, tem sede na região e recebe visitantes para conhecer o processo do cacau à barra de chocolate. O órgão é vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

O que fazer em Itabuna além de conhecer a rota do chocolate?
A cidade combina cultura grapiúna, culinária baiana e verde de Mata Atlântica remanescente às margens do rio Cachoeira. Confira abaixo:
- Centro de Cultura Adonias Filho: homenagem ao escritor grapiúna, com programação cultural e exposições permanentes.
- Parque da Água Branca: área de lazer às margens do rio Cachoeira, com academia ao ar livre e pista de caminhada.
- CEPLAC / CEPEC: visita guiada à fazenda experimental, museu de vida selvagem e fábrica de chocolate com degustação, ligada ao Ministério da Agricultura.
- Fazenda Yrerê: às margens do rio Cachoeira, no km 11 da rodovia Jorge Amado, oferece imersão no processo bean to bar do chocolate fino.
- Distrito de Ferradas: berço de Jorge Amado, com paisagem rural que ainda evoca a região cacaueira dos romances.
- Catedral de São José: sé episcopal da diocese, com arquitetura religiosa marcante no centro histórico.
Quem quer conhecer a Capital do Cacau, vai curtir esse vídeo do canal ROTAS DO NORDESTE, com mais de 149 mil visualizações, que percorre o centro de Itabuna:
Como é o clima em Itabuna durante o ano?
A cidade fica em zona de clima tropical úmido, com temperaturas amenas durante todo o ano e influência da Mata Atlântica. Confira abaixo:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar até o coração da região cacaueira baiana?
Itabuna fica a cerca de 426 km de Salvador, com acesso pela BR-101 e pela BR-415, a rodovia Jorge Amado, que liga a cidade a Ilhéus em pouco mais de meia hora. O trecho da BR-415 concentra as fazendas de cacau abertas à visitação.
O aeroporto mais próximo é o Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus, com voos diários vindos de Salvador, São Paulo e Belo Horizonte. De ônibus, a cidade recebe linhas interestaduais vindas do Rio, de Vitória e do interior baiano.
A cidade que virou literatura viva do sul baiano
Itabuna não é destino de praia, mas é onde a Bahia guarda a memória do ciclo que transformou o sul do estado e um dos IDHs mais altos fora da capital. É a Capital do Cacau, o distrito rural que viu nascer o maior romancista popular do Brasil, o centro urbano que ainda irradia serviços para mais de 40 cidades.
Você precisa entrar na região cacaueira, andar por Ferradas, provar um chocolate feito ali mesmo, entender por que Jorge Amado passou a vida transformando essa paisagem em literatura.
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