500 famílias holandesas fundaram uma cidade no interior de São Paulo que ainda fala neerlandês
A cidade fundada por 500 famílias holandesas no interior de São Paul
Moinhos, ruas com nome em holandês e o perfume de milhões de flores recebem quem chega a Holambra, a 130 km de São Paulo. A cidade de 16 mil habitantes nasceu em 1948 como colônia agrícola de imigrantes da província de Brabante do Norte e preserva até hoje tradições dos Países Baixos que raramente se encontram fora da Europa.
Como 500 colonos transformaram uma fazenda em pedaço da Holanda?
No pós-guerra, a Associação Neerlandesa dos Lavradores e Horticultores Católicos negociou com o governo brasileiro a vinda de famílias católicas para o interior paulista. Cerca de 500 imigrantes desembarcaram na antiga Fazenda Ribeirão e fundaram a Cooperativa Agropecuária Holambra em 14 de julho de 1948. O nome da cidade junta três palavras: Holanda, América e Brasil.
O gado holandês puro não resistiu às doenças tropicais e o plano leiteiro fracassou. A virada veio em 1951, quando um segundo grupo trouxe sementes de gladíolo na bagagem. Das flores nasceu a vocação econômica que definiria o município. Hoje, a Cooperativa Veiling Holambra é o 5º maior centro de leilão de flores do mundo e responde por cerca de 45% da comercialização nacional do setor, segundo dados da própria cooperativa. O título de Capital Nacional das Flores foi oficializado pela Lei Federal 12.428/2011.

Vale a pena viver na cidade com padrão europeu?
Os indicadores sugerem que sim. O IDH de Holambra é 0,793, classificado como alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), um dos melhores da Região Metropolitana de Campinas. A Câmara Municipal registra que Holambra já figurou como a 7ª cidade com melhor qualidade de vida do Brasil e alcançou o melhor índice de segurança do país em levantamentos anteriores.
No Índice CFA de Governança Municipal 2018, a cidade ocupou a 2ª posição entre 1.905 municípios brasileiros com até 20 mil habitantes, ficando atrás apenas de Costa Rica (MS), conforme divulgou a Prefeitura de Holambra. A escolarização de crianças de 6 a 14 anos é de 100%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O espírito cooperativista herdado dos fundadores se reflete em ruas limpas, segurança acima da média do interior paulista e forte senso de comunidade entre moradores.

Uma Estância Turística reconhecida pela lei estadual
Em 1998, a Assembleia Legislativa de São Paulo concedeu a Holambra o título de Estância Turística. A cidade recebe cerca de 400 mil visitantes por ano, com pico durante a Expoflora, realizada entre agosto e setembro desde 1981. Considerada a maior exposição de flores e plantas ornamentais da América Latina, o evento atrai mais de 300 mil pessoas a cada edição, segundo o site Visite Holambra.
A cultura holandesa é o verdadeiro cartão de visita. Danças folclóricas com trajes típicos, o Sinterklaasfeest (festa de São Nicolau), o Dia do Rei em maio e o Natal Mágico em dezembro mantêm vivas as tradições dos Países Baixos em pleno Agreste paulista. A integração entre descendentes de holandeses e brasileiros, construída ao longo de quase oito décadas, deu à cidade uma identidade cultural que não se encontra em nenhum outro município do país.
O que fazer na Holanda brasileira além de fotografar flores?
A cidade oferece atrações que vão muito além dos campos floridos. Estes são os destaques para o roteiro:
- Moinho Povos Unidos: réplica fiel de moinho holandês moedor de grãos, com 38,5 m de altura e pás de 25 m, inaugurado em 2008. É o maior da América Latina e funciona como mirante com vista panorâmica dos campos.
- Museu Histórico e Cultural: acervo com 2 mil fotos, réplicas de casas de pau a pique e objetos trazidos pelos primeiros imigrantes, na Alameda Maurício de Nassau.
- Parque Van Gogh: lazer gratuito com lago, pedalinhos, tirolesa e réplicas de quadros do pintor holandês em área arborizada.
- Bloemen Park: parque temático com estufas, campos coloridos e visitas guiadas sobre o cultivo de flores.
- Expoflora: a Parada das Flores com carros alegóricos e chuva de pétalas é o ponto alto. Apresentações de dança folclórica holandesa e mostras de paisagismo completam o evento.
- Deck do Amor e Corredor de Guarda-Chuvas: passarela sobre lago artificial e instalação colorida na Rua Maurício de Nassau, dois dos pontos mais fotografados.
Quando visitar e o que aproveitar em cada estação?
A altitude de 600 m garante clima ameno o ano inteiro, com temperatura média anual próxima de 21 °C. Cada período oferece atrativos diferentes:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à colônia holandesa do interior paulista
De São Paulo, são cerca de 130 km pela Rodovia dos Bandeirantes (SP-348) ou pela Rodovia Anhanguera (SP-330), com trajeto de aproximadamente 1h30. De Campinas, a distância é de apenas 37 km, cerca de 30 minutos. O Aeroporto de Viracopos, em Campinas, fica a 45 km e recebe voos de diversas capitais. Não há transporte público direto até Holambra, por isso o carro é o meio mais prático.
A cidade que juntou dois mundos em três sílabas
Holambra carrega no próprio nome a fusão entre a Holanda e o Brasil que define cada rua, cada festa e cada estufa do município. O cooperativismo que salvou uma colônia falida virou modelo de gestão e transformou o fracasso do gado leiteiro na maior cadeia de flores do país.
Você precisa caminhar pela Alameda Maurício de Nassau numa manhã de setembro, sentir o perfume dos campos e provar um stroopwafel ainda quente para entender como 500 famílias construíram um pedaço da Europa no interior de São Paulo.
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