3ª melhor qualidade de vida do Brasil e a cidade interior que impressionou até a maior faculdade do Canadá
A qualidade de vida ajuda a explicar o interesse pela cidade
Cidade grande perto de metrópole costuma virar dormitório. Jundiaí, a 57 km de São Paulo, seguiu o caminho oposto: ficou em terceiro lugar entre os 5.570 municípios brasileiros no principal ranking de qualidade de vida do país, recebeu de uma universidade canadense o título de cidade saudável e mantém metade do território fora da malha urbana, protegido por uma serra reconhecida pela UNESCO.
Por que a Terra da Uva aparece no topo dos rankings nacionais?
Porque dois estudos independentes chegaram ao mesmo pódio. No Índice de Progresso Social (IPS) 2025, que avalia 57 indicadores sociais e ambientais em todos os municípios do país, Jundiaí somou 70,70 pontos e ficou em terceiro lugar nacional, atrás apenas de Gavião Peixoto e Gabriel Monteiro, duas cidades pequenas do interior paulista. Entre os municípios com mais de 300 mil habitantes, lidera.
Antes disso, o estudo Desafios da Gestão Municipal (IDGM), da consultoria Macroplan Analytics, já havia colocado a cidade em terceiro entre as 100 maiores do Brasil, com base em 15 indicadores de educação, saúde, saneamento e segurança, atrás de Maringá e Franca e à frente de Curitiba, Campinas e da própria capital paulista, conforme divulgou a Prefeitura de Jundiaí.

O que significa o título de cidade saudável dado por Toronto?
É um reconhecimento acadêmico ao equilíbrio entre infraestrutura urbana e indicadores ambientais, concedido pela Universidade de Toronto, no Canadá, e registrado pela Prefeitura de Jundiaí entre as vantagens competitivas do município.
O dado que sustenta o título é pouco glamouroso e decisivo: a cobertura de água tratada e esgoto passa de 99% da população, patamar que boa parte das capitais brasileiras não alcança. Saneamento é justamente o eixo em que a cidade mais pontua nos dois rankings citados, e é o que puxa saúde e meio ambiente para cima.

Como a cidade virou referência em políticas para a infância?
Colocando crianças na mesa de decisão urbana. Em 2018, Jundiaí entrou para a Rede Latino-Americana Cidade das Crianças, projeto do pedagogo italiano Francesco Tonucci, e se tornou sede da rede brasileira. O Plano Diretor de 2019 foi o primeiro do estado a dedicar um capítulo exclusivo à infância.
O reconhecimento internacional veio depois, com a seleção para a Rede Urban95, iniciativa da fundação holandesa Bernard van Leer que desenha espaços urbanos a partir da perspectiva de quem tem 95 cm de altura. Apenas 14 municípios brasileiros integram o grupo, e o efeito prático aparece em praças, pontos de ônibus e unidades de saúde reformados para o brincar livre.
O que fazer entre a Serra do Japi e os vinhedos?
A cidade combina mata preservada, adegas centenárias e parques urbanos de porte incomum para o interior. Confira abaixo os principais atrativos:
- Serra do Japi: cerca de 350 km² de Mata Atlântica entre quatro municípios, integrada à Reserva da Biosfera da Mata Atlântica pela UNESCO em 1992, segundo a Fundação Serra do Japi.
- Reserva Biológica Municipal: núcleo de 2.071 hectares criado por lei municipal em 1991 dentro da área tombada pelo Condephaat desde 1983, com visitas monitoradas nos fins de semana.
- Rota da Uva: adegas familiares abertas à degustação nos vinhedos onde surgiu, em 1933, a Niágara Rosada, uva de mesa nascida de uma mutação espontânea.
- Parque da Cidade: 500 mil m² com centro náutico, jardim japonês, ciclovia e playground, um dos maiores parques urbanos do interior paulista.
- Mundo das Crianças: parque de 330 mil m² com cachoeira, lago e pedalinho, símbolo da política de infância do município.
- Solar do Barão: casarão do século XIX que abriga o museu histórico da cidade, com jardim arborizado no centro.
Vale a comparação com a cidade mais verde do Brasil, que chegou a resultado parecido por outro caminho.
Quem quer conhecer a qualidade de vida e a infraestrutura de Jundiaí – São Paulo, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 150 mil visualizações, onde Tati Marmon mostra parques, rotas turísticas e atrativos de Jundiaí – São Paulo:
Como é o clima de Jundiaí ao longo do ano?
O clima é tropical de altitude, com verões quentes e úmidos e invernos secos e amenos, e a proximidade da serra suaviza o calor típico do interior paulista. Veja abaixo o comportamento típico de cada período em Jundiaí:
Temperaturas aproximadas com base em dados do Climatempo. As condições mudam de um ano para outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada antes de viajar.
Como chegar a Jundiaí saindo de São Paulo?
De carro, as rodovias Anhanguera (SP-330) e Bandeirantes (SP-348) cobrem os 57 km em cerca de 50 minutos sem trânsito. Quem prefere não dirigir usa a Linha 7-Rubi da CPTM, que sai da Estação da Luz e chega à Estação Jundiaí em torno de uma hora e meia, todos os dias da semana.
Nos fins de semana, o Expresso Turístico refaz o trajeto histórico da ferrovia inaugurada em 1867 em vagões da década de 1960, com monitores contando a história da linha durante o percurso. É o tipo de detalhe que transforma o deslocamento em passeio.
Vale a pena conhecer a Terra da Uva
Poucas cidades brasileiras reúnem, a menos de uma hora de uma metrópole, uma serra reconhecida pela UNESCO, saneamento quase universal e uma política urbana desenhada na altura de uma criança. Jundiaí surpreende quem chega esperando apenas mais um município do interior paulista.
Vale reservar um fim de semana e entender por que a Terra da Uva conquistou Toronto antes de conquistar você.
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