150 anos depois das três primeiras famílias italianas do RS, esta cidade da Serra virou a única Capital Nacional do Moscatel
A chegada dos imigrantes mudou a agricultura e a cultura da região
Poucos municípios brasileiros conseguem transformar uma variedade de uva em título oficial da União. Farroupilha, na Serra Gaúcha, a cerca de 110 km de Porto Alegre, tem esse reconhecimento em lei e ainda carrega outro marco: foi no seu território que desembarcaram as primeiras famílias italianas do Rio Grande do Sul, um século e meio atrás.
O que rendeu ao município um título nacional por lei?
A Lei nº 13.795, de 3 de janeiro de 2019 confere à cidade o título de Capital Nacional do Moscatel. O texto tramitou por quase seis anos no Congresso e chegou ao Planalto amparado em um argumento de produção: a região concentra a maior área de cultivo das uvas moscato do estado, matéria-prima dos espumantes e vinhos aromáticos que fizeram o nome do lugar.
O reconhecimento veio depois de outra conquista técnica. Segundo a Prefeitura Municipal de Farroupilha, o município obteve em 2015 o certificado de Indicação de Procedência (IP) do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para os vinhos moscatéis, selo que amarra o produto a um território delimitado, como acontece com o champanhe na França. A fruta, aliás, é o que move a economia local, movimento parecido com o de outra cidade brasileira que exporta frutas para mais de 50 países, do outro lado do país.

Onde começou a colonização italiana no Rio Grande do Sul?
Em maio de 1875, três famílias vindas da província de Milão se instalaram na localidade que passaria a se chamar Nova Milano, hoje distrito farroupilhense. Conforme o histórico municipal reunido pela Biblioteca do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), chegaram ali os grupos de Stefano Crippa, Tomazo Radaelli e Luigi Sperafico, que encontraram mata fechada e nenhuma estrutura.
O povoado cresceu rápido, ganhou cartório, igreja e escola, e virou o terceiro distrito de Caxias do Sul em 1902. Anos depois surgiu Nova Vicenza, formada por imigrantes de Trento e Treviso, que daria origem à área urbana atual. Segundo o portal oficial de turismo do município, a emancipação veio em 1934, com território desmembrado de Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Montenegro.

Por que dá para ver a cascata do Salto Ventoso por trás?
A resposta está na geologia. A queda d’água despenca sobre uma gruta em forma de ferradura, e o vão aberto na rocha permitiu instalar uma passarela atrás da cortina de água. Conforme o Parque Salto Ventoso, a cascata tem 56 metros de altura e a gruta mede 200 metros de comprimento por 25 de altura, em uma área de mata nativa a 12 km do centro.
Confira abaixo o que mais organiza o passeio pelo interior farroupilhense:
- Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio: no primeiro distrito, reúne o templo antigo de alvenaria e o santuário moderno, destino das romarias de maio.
- Museu Casa de Pedra: construção erguida em pedra talhada no fim do século XIX, quando funcionava como casa de comércio dos colonos.
- Parque da Imigração Italiana: em Nova Milano, marca o ponto de chegada das primeiras famílias ao estado.
- Vinícolas da rota do moscatel: cantinas familiares abertas à visitação, que engarrafam espumantes, frisantes e licorosos da uva que dá nome à cidade.
Quem se interessa pela herança italiana da Serra Gaúcha vai curtir este vídeo do canal De fora em Juiz de Fora, com mais de 140 mil visualizações, que explora Farroupilha e sua tradição do Moscatel.
Como é o clima de Farroupilha ao longo do ano?
A cidade fica em altitude na Serra Gaúcha e tem as quatro estações bem marcadas, com chuva distribuída o ano inteiro e nenhum mês verdadeiramente seco. O inverno é a estação que separa a região do resto do país: as mínimas de julho ficam em torno de 8 °C, patamar raro no Brasil. Veja abaixo o comportamento médio das estações:
Médias aproximadas de Farroupilha com base no Climatempo. As condições variam a cada ano por influência de fenômenos naturais como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada no próprio Climatempo antes de subir a serra.
A cidade que guarda o primeiro capítulo da colônia italiana
Farroupilha reúne em poucos quilômetros o lugar onde a imigração italiana gaúcha começou, um título nacional escrito em lei e uma cascata que se atravessa por dentro. É o tipo de destino que costuma ficar na sombra de vizinhos mais famosos da Serra, ainda que tenha chegado antes de todos eles.
Você precisa conhecer Farroupilha e provar um moscatel no mesmo vale onde as primeiras famílias desembarcaram em 1875.
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