Você deixa o celular na cabeceira? O efeito no sono é mais comum do que parece e começa antes de dormir
Uma noite melhor começa antes de apagar a luz
Deixar o telefone na mesa de cabeceira virou hábito automático, quase como escovar os dentes. O problema é que, quando ele fica ao alcance da mão, o cérebro entende que ainda existe “coisa para resolver” antes de desligar. E aí o descanso perde qualidade por um motivo bem menos misterioso do que parece: não é tanto sobre medo de radiação, e sim sobre tela, estímulo e rotina noturna.
Dormir com o celular perto piora o sono mesmo?
Na média, piora, principalmente porque aumenta a chance de uso na hora mais sensível do dia: a transição para dormir. Quando você “só dá uma olhadinha”, o corpo recebe luz, informação e microestresse. Isso muda a qualidade do sono sem você perceber, deixando o descanso mais leve e fragmentado.
O ponto central é simples: quanto mais fácil é pegar o aparelho, maior a tentação de estender o dia. E o sono é extremamente sensível a esse tipo de esticada, especialmente quando vira repetição diária.

O que a luz azul faz com a cabeça antes de dormir?
A tela emite luz que “engana” o relógio biológico, atrasando a produção de melatonina, que é o hormônio que sinaliza que a noite chegou. Resultado: você demora mais para apagar, e o corpo entra no sono profundo mais tarde, como se tivesse perdido a porta de entrada do descanso.
Além da luz, tem o conteúdo. Mensagens, redes sociais e vídeos acionam curiosidade, comparação, resposta rápida. Isso aumenta o estado de alerta e bagunça o ciclo circadiano, aquele ritmo interno que organiza energia, fome e sono ao longo do dia.
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Radiação do celular na cama é o problema ou o hábito é pior?
O debate sobre ondas existe, mas o consenso prático para quem quer dormir melhor é focar no que mais pesa: o comportamento. Quando o celular está perto, você checa notificações, abre algo rápido, pensa no que leu e o cérebro “reacende”. Esse ciclo é terreno fértil para insônia em quem já está estressado ou dormindo mal.
Ainda assim, algumas pesquisas exploram respostas diferentes em pessoas mais sensíveis, incluindo mudanças em marcadores como a variabilidade da frequência cardíaca. Na vida real, porém, a melhora mais rápida costuma vir da redução de uso e da distância física, não de medidas complexas.
O Dr. Guilherme Brassanini, do canal Doutor Sono no YouTube, explica como a luz azul faz nosso cérebro se “ativar” e atrapalha o desempenho do sono:
O que muda no seu descanso quando você controla o tempo de tela à noite?
Quando você cria um limite claro, o cérebro aprende que a noite não é continuação do feed. Isso é base de higiene do sono. A tabela abaixo resume ajustes simples que costumam dar resultado sem exigir “sumir com o celular” da sua vida.
Quando o celular perto vira um sinal de que você precisa mudar algo maior?
Se você percebe que sempre termina a noite rolando tela para “desligar a mente”, isso pode ser um recado de sobrecarga, ansiedade ou falta de ritual de desaceleração. Nesses casos, o celular vira muleta: ele distrai, mas não relaxa. Trocar o hábito por um ritual curto, repetível e simples costuma ser mais eficaz do que tentar “força bruta”.
E se o sono ruim já está virando rotina, com cansaço diurno, irritação, lapsos de memória ou dificuldade para funcionar, vale buscar orientação profissional. Dormir melhor não é luxo. É base para energia, humor e saúde a longo prazo.
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