Um bunker construído a 30 metros abaixo do gelo foi abandonado pelos militares após revelar um problema que ninguém conseguiu controlar
A revelação de uma antiga instalação militar sob o gelo da Groenlândia reacendeu debates sobre segurança ambiental
A revelação de uma antiga instalação militar sob o gelo da Groenlândia reacendeu debates sobre segurança ambiental, legado da Guerra Fria e impactos das mudanças climáticas.
A base norte-americana, conhecida como Camp Century, foi construída nos anos 1950 e voltou ao centro das atenções, quando novas medições indicaram risco de exposição de resíduos enterrados.
O que foi o Camp Century e qual era seu objetivo?
O Camp Century foi um complexo subterrâneo construído sob o gelo da Groenlândia e inaugurado em 1959. Contava com túneis interligados, alojamentos, laboratórios e sistemas de suporte à vida, operando como uma pequena “cidade” em ambiente polar extremo.
Oficialmente, era apresentado como estação científica para estudar o gelo e testar técnicas de construção ártica. Contudo, documentos posteriores revelam ligação com planos militares secretos, incluindo projeto para posicionar e, em tese, lançar armamento nuclear a partir de túneis sob o manto de gelo.
In 1959, the United States Army began building a city where no human was ever meant to live: inside the moving, crushing ice of the Greenland ice cap.
— VisionaryVoid (@VisionaryVoid) February 18, 2026
Officially, it was Camp Century, a bold "research center" powered by the world’s first portable nuclear reactor, complete with a… pic.twitter.com/BeFqoZS7xj
Como o Camp Century se relaciona à Guerra Fria?
A base surgiu em plena disputa entre Estados Unidos e União Soviética por superioridade estratégica. A Groenlândia, pela proximidade com o Ártico e rotas transpolare s, era vista como posição privilegiada para radares, mísseis e vigilância.
Sob o discurso científico, o Camp Century integrou estratégias de dissuasão nuclear e testes de logística militar em regiões geladas. O reator nuclear compacto, usado para gerar energia, reforça o caráter altamente estratégico e sensível do empreendimento.
Quais resíduos nucleares e químicos preocupam hoje?
Quando o acampamento foi desativado, em 1967, o reator foi removido. Permaneceram, porém, resíduos de baixa e média atividade, materiais de construção, combustíveis e produtos químicos, supostamente “congelados para sempre” sob o acúmulo contínuo de neve.
Com o aquecimento acelerado do Ártico, essa premissa ruiu. Pesquisadores apontam riscos ambientais associados a diferentes tipos de rejeitos que podem ser gradualmente liberados:
Materiais de construção e destroços metálicos soterrados sob o gelo, que podem emergir com a movimentação glacial.
Subprodutos ligados à operação de antigos reatores de pesquisa, exigindo isolamento e monitoramento de longo prazo.
Vazamentos de lubrificantes e combustíveis de manutenção que persistem devido à baixa taxa de evaporação no frio.
Contaminantes transportados pela água de degelo sazonal, atingindo ecossistemas marinhos e cadeias alimentares.
Como o Camp Century foi redescoberto sob o gelo?
A redescoberta recente decorre do uso de radares de penetração no gelo instalados em aeronaves de pesquisa da NASA e de outros institutos. As ondas atravessam o manto de gelo, retornando sinais que revelam formas e densidades diferentes no subsolo.
Em sobrevoos de 2024, cientistas detectaram padrões geométricos incompatíveis com formações naturais, como túneis e cavidades alinhadas. A comparação com mapas, fotografias históricas e relatórios militares confirmou que se tratava do antigo Camp Century, até então esquecido sob cerca de 30 metros de gelo.
Le sujet est à la mode mais l’intérêt des USA pour le Groenland ne date pas d’hier.
— Michaël Mangeon (@Mangeon4) January 8, 2025
Pendant la guerre froide, la base militaire US de Camp Century a accueilli un petit réacteur #nucléaire (PM-2A, 2 MW) pour son alimentation en électricité et eau chaude pendant 3 ans (1960-1963). pic.twitter.com/yjp2usjyk5
Quais impactos futuros e responsabilidades estão em jogo?
O caso tornou-se símbolo de passivo ambiental militar em regiões frágeis. O derretimento do gelo da Groenlândia pode liberar poluentes, afetar água de degelo, cadeias alimentares marinhas e, indiretamente, comunidades que dependem desses ecossistemas.
Há também implicações políticas e jurídicas envolvendo Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia. Discutem-se monitoramento contínuo, quem deve financiar eventual remediação e como regras internacionais sobre resíduos nucleares e bases antigas devem ser adaptadas à realidade do aquecimento global.
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