Telescópio Hubble da NASA ajuda a detectar o ‘rastro’ da elusiva estrela companheira de Betelgeuse
Betelgeuse, na constelação de Órion a cerca de 650 anos-luz da Terra, é uma supergigante vermelha com diâmetro centenas de vezes maior que o do Sol.
A recente identificação da estrela companheira Siwarha está ajudando a explicar por que Betelgeuse, uma das estrelas mais observadas do céu, apresenta variações tão marcantes de brilho e comportamento, revelando como interações em sistemas binários podem influenciar a evolução de supergigantes vermelhas rumo à fase de supernova.
O que torna Betelgeuse uma supergigante vermelha peculiar
Betelgeuse, na constelação de Órion a cerca de 650 anos-luz da Terra, é uma supergigante vermelha com diâmetro centenas de vezes maior que o do Sol.
Sua proximidade permite observar detalhes de sua superfície e de sua atmosfera estendida, algo raro na astronomia estelar. Essa atmosfera forma um envelope gasoso difuso, atravessado por ventos estelares intensos que ejetam material para o espaço.
Pequenas perturbações nesse ambiente produzem mudanças amplificadas no brilho e no espectro da estrela, tornando Betelgeuse um laboratório para estudar estrelas massivas em fim de vida.
Como a estrela companheira Siwarha interage com a atmosfera de Betelgeuse
Dados do Telescópio Espacial Hubble e de observatórios terrestres indicam que Siwarha, uma companheira de baixa massa, orbita imersa na atmosfera externa de Betelgeuse em um ciclo de cerca de 2.100 dias.
Ao atravessar esse envelope gasoso, ela cria uma trilha de gás mais denso, semelhante à esteira de um barco na água. Essa interação é detectada como mudanças sutis, porém consistentes, na luz emitida ao redor da supergigante.
Observações espectroscópicas revelam regiões onde o gás está sendo comprimido ou acelerado, conectando a longa variação secundária de Betelgeuse ao movimento orbital de Siwarha.
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No, Betelgeuse Won’t Go Supernova in 'Tens of Years'—or Even Centuries https://t.co/JRL9bObTmn pic.twitter.com/V4obXP4wiB
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Quais evidências observacionais revelam o efeito de Siwarha
As medições ao longo de anos mostraram alterações sistemáticas no comportamento do gás em torno de Betelgeuse.
Esses sinais apontam para uma força adicional mexendo com a atmosfera estendida, compatível com a presença e o percurso orbital de uma estrela companheira.
Entre as principais evidências identificadas pelos astrônomos, destacam-se:
- Espectro da luz: mudanças nas linhas espectrais revelam áreas de compressão e aceleração do material gasoso.
- Velocidade e direção do gás: um fluxo mais denso surge após a passagem de Siwarha pela frente de Betelgeuse no ponto de vista terrestre.
Betelgeuse, one of the brightest stars in the night sky ✨ pic.twitter.com/AM9Bceg32r
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Por que a descoberta da estrela Siwarha é relevante
A confirmação de uma companheira orbitando dentro da atmosfera estendida de Betelgeuse esclarece parte de suas variações de brilho e estrutura.
Ela complementa hipóteses baseadas em convecção, poeira e campos magnéticos com uma explicação apoiada em observações diretas.
Como muitas estrelas massivas em fim de vida podem estar em sistemas binários, interações semelhantes podem alterar o ritmo de perda de massa, gerar assimetrias nas camadas externas e produzir padrões de variabilidade que, sem esse contexto, pareceriam enigmáticos.

O que as próximas observações de Betelgeuse podem revelar
Com Betelgeuse atualmente encobrindo a companheira, novas campanhas de observação estão planejadas para quando Siwarha reaparecer de forma mais favorável, previsto para 2027.
Telescópios espaciais e grandes observatórios em solo deverão monitorar novamente o rastro de gás e testar modelos numéricos. Essas medições devem refinar estimativas de massa de Siwarha, forma da órbita e impacto na perda de massa de Betelgeuse ao longo do tempo.
Embora não se espere uma supernova iminente em escala humana, o sistema Betelgeuse–Siwarha segue essencial para entender como as maiores estrelas da galáxia encerram seus ciclos de vida.
Fonte: NASA
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