Telescópio Euclid descobriu 26 milhões de galáxias em apenas uma semana
A Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou os primeiros dados do seu novo telescópio espacial. Elas mostram a variedade de formas que existem no universo
A Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou recentemente os primeiros dados do seu novo telescópio espacial, Euclid, que começou suas operações em julho de 2023.
Os dados revelam uma impressionante diversidade de formas no universo, resultando na catalogação de 26 milhões de galáxias em apenas uma semana.
Na última quarta-feira, 19 de março, a ESA apresentou os resultados iniciais, juntamente com a submissão de 34 artigos científicos que exploram as descobertas feitas até agora.
As expectativas são altas para os próximos seis anos de operação do telescópio, que representa um investimento de 1,4 bilhões de euros.
Qual o principal objetivo do telescópio Euclid?
O principal objetivo do telescópio Euclid é investigar a composição da matéria escura e da energia escura, os elementos fundamentais que impulsionam a evolução do universo.
Durante sua missão, o telescópio irá mapear um terço do céu, capturando imagens de mais de galáxias localizadas até dez bilhões de anos-luz da Terra.
Resultados mais abrangentes não devem ser esperados antes de 18 meses. Isso porque o conjunto de dados recém-divulgado abrange apenas três pequenas regiões do céu e não é suficiente para traçar conclusões sobre o universo como um todo.
No entanto, mesmo com esse conjunto limitado de dados, os cientistas já podem extrair informações valiosas sobre galáxias, buracos negros e outros objetos astrofísicos.
A alta qualidade das imagens é um fator crucial para isso e a resolução espacial do Euclid se aproxima da oferecida pelo famoso Telescópio Hubble.
Galáxias classificadas por suas formas
Um dos destaques das novas descobertas é um catálogo contendo 380 mil galáxias classificadas por suas formas.
Algumas apresentam braços espirais semelhantes aos da Via Láctea, enquanto outras possuem uma estrutura em barra ou longos ramos resultantes de colisões entre galáxias.
Antigamente, essa classificação era feita visualmente, mas diante da quantidade massiva de dados fornecidos pelo Euclid, essa abordagem se tornou impraticável.
Para contornar essa dificuldade, os pesquisadores adotaram a inteligência artificial (IA) e o apoio de voluntários. O consórcio Euclid uniu forças ao projeto Citizen Science Galaxy Zoo, onde cerca de 10 mil voluntários avaliaram as formas das galáxias durante um mês.
Com esses dados, uma IA foi treinada para distinguir as galáxias por suas características morfológicas.
Este catálogo inicial representa apenas o começo; a meta final é catalogar as formas de aproximadamente 100 milhões de galáxias.
Esse esforço visa contribuir para uma compreensão mais aprofundada sobre como as galáxias evoluem, como se formam os braços espirais e como crescem os buracos negros supermassivos encontrados nos centros das galáxias.
500 galáxias distorcidas por lente gravitacional
Outro aspecto interessante dos dados apresentados pela ESA inclui um catálogo com 500 galáxias cujos raios luminosos são distorcidos pelo fenômeno conhecido como lente gravitacional.
Esse efeito ocorre quando a luz proveniente de uma galáxia distante passa pelo campo gravitacional de uma galáxia mais próxima e é desviada, fazendo com que a galáxia distante pareça estar em vários locais ao mesmo tempo ou apareça como um arco ou anel luminoso.
As lentes gravitacionais têm grande utilidade na astrofísica, pois podem amplificar a luz de galáxias muito distantes para serem observadas diretamente.
Além disso, possibilitam inferências sobre a matéria escura presente na galáxia que atua como lente. O Euclid é o primeiro telescópio espacial capaz de descobrir múltiplas lentes gravitacionais.
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