OnlyFans quer ser rede social sem anúncios nem recomendações de conteúdo, diz CEO
Plataforma tenta se distanciar de críticas à indústria pornográfica
A CEO do OnlyFans, Keily Blair (foto), afirmou que a empresa não tem planos de abrir capital nem buscar investimento externo.
Em entrevista ao The Wall Street Journal, ela explicou que a plataforma, sustentada por um modelo de assinaturas, é financeiramente saudável e busca oferecer um ambiente digital sem publicidade nem algoritmos de recomendação de conteúdo.
O site OnlyFans, fundado no Reino Unido em 2016, é conhecido por hospedar conteúdo pornográfico. Com mais de 4 milhões de “criadores” e 300 milhões de usuários, a plataforma retém 20% da receita gerada por seus perfis e afirma não usar mecanismos de curadoria de conteúdo.
Para Blair, isso diferencia a empresa das redes sociais tradicionais e de sites de pornografia gratuitos, criticados por operarem com monetização baseada em cliques e dados.
Segundo Blair, o site é restrito a maiores de 18 anos, adota sistemas de verificação de identidade e conta com moderadores humanos para análise do conteúdo.
Ela reconheceu, no entanto, que ainda não existem ferramentas eficazes para detectar material gerado por inteligência artificial sem consentimento, o que representa um desafio comum a plataformas com conteúdo gerado por usuários.
A tentativa de diferenciar a OnlyFans ocorre num contexto de crescente crítica à indústria do sexo online.
A ativista Laila Mickelwait, fundadora da campanha TraffickingHub, acusa grandes conglomerados do setor de lucrar com conteúdo não consensual e de manter estruturas opacas, com pouca responsabilização legal.
O psicólogo Jordan Peterson também tem se manifestado contra o que descreve como “a mercantilização desenfreada do desejo sexual”.
Em entrevistas recentes, Peterson classificou plataformas como OnlyFans como expressões modernas de “hedonismo disfarçado de empoderamento” e criticou a relação entre visibilidade feminina e colapso de valores tradicionais.
“Essas mulheres que aparecem simultaneamente em milhões de telas não são humanas no sentido pleno do termo. São híbridos tecno-eróticos que exploram o desejo enquanto os homens renunciam ao seu potencial”, disse.
Para Peterson, o fenômeno representa uma forma de autodestruição moral coletiva, em que tanto homens quanto mulheres perdem sua capacidade de amadurecimento ético.
“Se a sexualidade se torna a identidade central, o impulso toma o lugar do caráter”, afirmou. Ele associou o crescimento dessas plataformas à desestruturação de hierarquias morais e sociais, com consequências profundas sobre jovens e sobre a ideia de responsabilidade individual.
A entrevista de Blair busca reposicionar a empresa como uma alternativa mais regulada e menos dependente de sistemas publicitários.
No Brasil, a plataforma adotou o Pix como forma de pagamento em 2024, o que facilitou o acesso de “criadores” e usuários.
Apesar das declarações da CEO, a empresa não divulga métricas públicas sobre eficácia de suas políticas de segurança e segue operando em um setor onde o consentimento nem sempre resolve as questões éticas mais profundas.
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