Novo estudo mostra que previsão científica dada como certa há 180 anos estava errada
O efeito Faraday descreve a rotação do plano de polarização da luz ao atravessar um meio transparente sob a ação de um campo magnético.
O estudo recente da Universidade Hebraica de Jerusalém trouxe uma nova perspectiva sobre como a luz interage com a matéria, ao mostrar que o campo magnético oscilante da luz tem papel direto no efeito Faraday e contribui de forma significativa para a rotação do plano de polarização em materiais transparentes, especialmente em certos comprimentos de onda.
O que é o efeito Faraday na interação entre luz e o campo magnético
O efeito Faraday, conhecido desde 1845, descreve a rotação do plano de polarização da luz ao atravessar um meio transparente sob a ação de um campo magnético externo.
Ele se tornou uma ferramenta central para estudar materiais magnéticos, permitindo “ler” suas propriedades internas de forma óptica.
Tradicionalmente, considerava-se que apenas o campo elétrico da luz era relevante nessa interação com materiais transparentes.
A nova pesquisa, porém, indica que o campo magnético da própria luz também participa ativamente, exigindo uma revisão conceitual desse fenômeno clássico.
Como o campo magnético da luz contribui para o efeito Faraday
A equipe de Amir Capua e Benjamin Assouline utilizou um cristal de terbio-gálio-granada para separar as contribuições dos campos elétrico e magnético da luz.
Combinando medições experimentais e cálculos baseados na equação de Landau-Lifshitz-Gilbert, estimaram que, em luz visível, cerca de 17% do efeito Faraday vem do campo magnético da luz.
No infravermelho, essa participação pode chegar a aproximadamente 70%, o que abre espaço para um controle mais refinado da luz e das propriedades magnéticas dos materiais.
Esses resultados reforçam que a luz interage magneticamente com os spins eletrônicos, e não apenas atravessa passivamente a matéria.

Como o spin eletrônico é manipulado pela luz no efeito Faraday
Uma consequência importante dessa visão ampliada é a possibilidade de usar a luz para manipular diretamente estados magnéticos.
Em particular, feixes com polarização circular podem exercer um torque sobre o spin do elétron, alterando a direção de seu eixo de rotação como se fosse um pião microscópico.
Nesse quadro, o campo elétrico da luz aplica uma força linear sobre a carga, enquanto o campo magnético circularmente polarizado atua diretamente sobre o spin.
Assim, o efeito Faraday deixa de ser apenas uma técnica de leitura magnética e passa a ser também um mecanismo potencial de escrita e controle de informação magnética.
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Quais são os principais destaques experimentais e conceituais do estudo
Os resultados obtidos mostram que o efeito Faraday envolve uma contribuição magnética intrínseca da luz, especialmente relevante em certos materiais e faixas de comprimento de onda.
Isso recoloca um fenômeno clássico em um contexto contemporâneo de magnetismo ultrarrápido e fotônica avançada.
Entre os aspectos mais relevantes observados e discutidos pelos pesquisadores, destacam-se:
- Rotação da polarização da luz ligada ao campo magnético do material;
- Participação ativa do campo magnético da própria luz no efeito Faraday;
- Possibilidade de leitura e escrita de informações magnéticas por meio de luz modulada;
- Maior contribuição magnética em comprimentos de onda na região do infravermelho.
Quais aplicações tecnológicas o efeito Faraday pode viabilizar no futuro
A compreensão ampliada do efeito Faraday pode impactar telecomunicações, componentes fotônicos e magneto-ópticos, bem como dispositivos de spintrônica.
Isoladores, moduladores ópticos e circuitos fotônicos integrados podem ser reprojetados para explorar a forte contribuição magnética em faixas como o infravermelho.
No armazenamento de dados e em tecnologias emergentes, abre-se caminho para memórias magnéticas com comutação óptica, sensores magneto-ópticos mais precisos, bem como estudos avançados de computação quântica baseados no controle óptico de spins em materiais exóticos.
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