Meta fecha acordo com jovem em ação por vício em redes sociais
Autora, de 18 anos, acusava Instagram e Facebook de causar dependência; seleção do júri havia começado na quarta
A Meta, dona do Instagram e do Facebook, chegou a um acordo com uma jovem do Mississippi que responsabilizava a empresa por transtornos alimentares e outros problemas de saúde mental. Com o acerto, o julgamento em Los Angeles deve prosseguir só contra a Snap, controladora do Snapchat.
O entendimento foi firmado depois do início da escolha dos jurados, na quarta-feira, 28. O processo reunia os pedidos de duas adolescentes, identificadas como S.J. e K.D.B., contra as duas empresas. Dias antes da abertura do julgamento, a Meta já havia fechado acordo com S.J.
Emily Jeffcott, advogada de K.D.B., divulgou comunicado sobre o resultado: “Continuamos comprometidos em melhorar a segurança das crianças em aplicativos de redes sociais e em responsabilizar as empresas de tecnologia. Estamos satisfeitos por ter chegado a uma resolução justa neste caso em nome de nossa cliente”, afirmou.
Um porta-voz da Meta disse que acordos, arquivamentos e julgamentos fazem parte da avaliação de casos desse tipo. “Continuaremos a nos defender nos tribunais e mantemos nossa posição sobre nosso histórico”, declarou. Ele acrescentou que a empresa desenvolve ferramentas de segurança há mais de dez anos. A Snap não respondeu de imediato ao pedido de comentário.
Caso escolhido entre milhares
Este é o segundo julgamento em tribunal estadual de Los Angeles com jovens que dizem ter desenvolvido dependência de redes sociais. Elas acusam Meta, Snap, TikTok e YouTube, da Alphabet, de ter projetado as plataformas para estimular o uso compulsivo. S.J. e K.D.B. já haviam fechado acordos com TikTok e YouTube.
A ação foi selecionada entre milhares pendentes para servir de referência. O veredicto do júri poderia orientar a forma como empresas e autores de outros processos resolverão casos semelhantes.
S.J., de 16 anos, mora em Illinois. Ela e K.D.B. contam que passaram a usar o YouTube aos três anos e as demais plataformas por volta dos nove. Atribuem os hábitos compulsivos a recursos como a reprodução automática de vídeos e a rolagem infinita. As empresas negam ter criado seus aplicativos para provocar dependência em jovens e dizem ter adotado medidas de segurança para adolescentes.
Série de processos e acordos
As companhias respondem a milhares de ações em tribunais federais e estaduais, movidas por indivíduos, distritos escolares, municípios e outros órgãos públicos. Os autores sustentam que as empresas buscaram de propósito prender crianças às plataformas, o que teria contribuído para quadros de ansiedade, depressão e suicídio entre jovens.
No primeiro julgamento da série, concluído em março, um júri de Los Angeles considerou Meta e YouTube negligentes e fixou indenização de US$ 6 milhões a uma jovem. As duas adolescentes escolhidas na sequência encerraram ou retiraram suas ações. O primeiro distrito escolar levado a julgamento fechou acordo com todas as empresas envolvidas.
Em agosto, a Meta assinou acordos de até US$ 18 bilhões com quase todos os estados e territórios dos Estados Unidos, para pôr fim a processos movidos por procuradores-gerais. Também se comprometeu a mudar o funcionamento do Instagram e do Facebook para o público adolescente.
Neste mês de outubro, um juiz do Novo México determinou que a empresa pague multa de US$ 25 bilhões. Um júri havia concluído que ela enganou usuários do Facebook sobre a privacidade de seus dados e sobre o tratamento dado a discursos de ódio. A Meta afirmou que vai recorrer.
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