Inteligência Artificial consegue ler pergaminho carbonizado por vulcão há 2 mil anos e revela segredos inéditos
O Desafio Vesúvio é uma competição científica internacional que incentiva o desenvolvimento de tecnologias para decifrar cerca de 800 pergaminhos preservados
Em 2023, o Desafio Vesúvio (Vesuvius Challenge) ganhou destaque ao propor o uso de inteligência artificial e técnicas avançadas de imagem para ler, sem abri-los fisicamente, os pergaminhos de Herculano, rolos de papiro carbonizados pela erupção do Vesúvio na região de Pompeia, na Itália.
O que é o Desafio Vesúvio e por que ele é tão relevante
O Desafio Vesúvio é uma competição científica internacional que incentiva o desenvolvimento de tecnologias para decifrar cerca de 800 pergaminhos preservados, porém queimados e compactados.
Esses rolos, guardados em Nápoles, compõem uma das poucas bibliotecas da Antiguidade preservadas de forma contínua.
A relevância do projeto vai além da curiosidade histórica, pois permite acessar textos originais sobre filosofia, cultura e vida cotidiana greco-romana. Em vez de depender apenas de cópias posteriores, os pesquisadores buscam ler diretamente o que circulava na época em que os textos foram produzidos.

Como surgiu o acervo de Herculano e quais foram os desafios iniciais
Os pergaminhos foram descobertos no século XIX por moradores da região, em uma antiga vila romana coberta por cinzas. Tentativas de desenrolar mecanicamente os papiros causaram danos irreversíveis, mostrando os limites dos métodos tradicionais.
Diante da extrema fragilidade do material, tornou-se claro que o problema exigia uma abordagem não invasiva. Cada rolo passou a ser tratado como peça arqueológica sensível e, ao mesmo tempo, como um complexo repositório tridimensional de dados textuais.
Como a inteligência artificial consegue ler pergaminhos queimados
O processo começa com tomografia computadorizada de alta resolução, que gera modelos 3D internos dos rolos. Softwares de “desenrolamento virtual” tentam achatar digitalmente as camadas, como se abrissem o papiro dentro do computador, sem qualquer contato físico.
Nessa etapa, algoritmos de aprendizado de máquina identificam variações mínimas de densidade que indicam traços de tinta escura sobre fundo igualmente escurecido. Somando sinais em milhares de pontos, a IA reconstrói caracteres em grego antigo, formando palavras e linhas inteiras de texto.
Pipeline Digital: Da Cinza ao Texto
Escaneamento de alta resolução para mapear a estrutura interna do rolo carbonizado.
Isolamento digital de cada camada de papiro, separando as folhas sobrepostas.
Algoritmos treinados para identificar texturas de tinta imperceptíveis ao olho humano.
Reconstituição de caracteres e palavras em Grego Antigo por especialistas.
O que os pergaminhos de Herculano já revelaram até agora
As primeiras leituras, que cobrem parte de um dos rolos, apontam para textos sobre música, alimentação e diferentes formas de prazer. Indícios sugerem vínculos com correntes filosóficas que discutiam ética, comportamento e modos de viver no mundo greco-romano.
A 21-year-old student successfully deciphered the first word from the Herculaneum scrolls, charred during Mount Vesuvius’ eruption
— ArchaeoHistories (@histories_arch) September 20, 2024
A 21-year-old computer science student, Luke Farritor from the University of Nebraska-Lincoln, has emerged victorious in the Vesuvius Challenge,… pic.twitter.com/jaeu93e27j
Esses conteúdos interessam a filólogos e historiadores por vários motivos centrais, que ajudam a dimensionar o potencial acadêmico do acervo:
- Comparar versões originais com cópias preservadas em outras tradições;
- Mapear quais obras circulavam em bibliotecas privadas da região;
- Entender debates filosóficos, estéticos e morais do período;
- Ampliar o conhecimento sobre banquetes, música, lazer e práticas culturais.
Quais são os próximos passos e impactos futuros do Desafio Vesúvio
O Desafio Vesúvio funciona como plataforma de colaboração que reúne programadores, físicos, especialistas em visão computacional e estudiosos da Antiguidade.
As equipes trabalham no aperfeiçoamento das imagens, na segmentação das camadas, na detecção de tinta e na interpretação filológica.
Entre as metas estão melhorar a resolução das tomografias, treinar modelos de IA específicos para papiros carbonizados, padronizar o “desenrolamento virtual” e abrir repositórios de dados e códigos.
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