IA já elimina empregos de classe média nos EUA
Demissões atribuídas à tecnologia cresceram 287% em um ano; Microsoft, Meta e bancos reduzem postos antes vistos como seguros
O impacto da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho americano já é mensurável.
Somente em 2023, mais de 260 mil trabalhadores foram demitidos pelas grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos, segundo o site Layoffs.fyi.
Em maio daquele ano, pela primeira vez, a IA foi registrada oficialmente como causa direta de demissões: 3.900 cortes — ou 5% do total — foram atribuídos à automação, de acordo com a consultoria Challenger, Gray & Christmas.
O ritmo acelerou em 2025. Em maio, a Microsoft demitiu cerca de 6 mil funcionários — 3% da força de trabalho global.
Documentos do Departamento de Segurança do Emprego do estado de Washington revelam que engenheiros de software representaram 22% dos cortes; 39 gerentes de produto, 35 gerentes de programa técnico e 22 conselheiros jurídicos também foram dispensados.
A empresa já utiliza IA para gerar 30% do seu código-fonte. O CTO Kevin Scott projeta que esse percentual chegará a 95% até 2030.
A Meta anunciou, em fevereiro, o corte de 3.600 postos, cerca de 5% de seu quadro global. Google e Amazon também seguem a tendência: a Alphabet estuda cortar até 30 mil vagas, e a Amazon demitiu 100 pessoas de sua divisão de dispositivos e serviços.
No setor financeiro, Morgan Stanley e Goldman Sachs implementaram sistemas de IA para atendimento ao cliente, eliminando funções de analistas júniores — posições que historicamente abriam portas para a classe média.
A consultoria McKinsey estima que entre 15% e 30% das horas trabalhadas em ocupações de colarinho branco nos EUA poderão ser automatizadas até 2030. Antes da IA generativa, a estimativa era de 21,5%; com ela, saltou para 29,5%.
O Fórum Econômico Mundial projeta a eliminação de 83 milhões de postos globalmente entre 2023 e 2027, com criação de 69 milhões — saldo negativo de 14 milhões.
O impacto é desigual. Segundo o Federal Reserve, os 10% mais ricos da população americana concentram hoje 70% da riqueza.
Em 1980, a classe média detinha 62% dos ativos nacionais; em 2023, esse número caiu para 43%.
O Economic Policy Institute mostra que, entre 1979 e 2022, a produtividade cresceu 64,6%, enquanto a remuneração horária subiu apenas 17,3%.
Profissões como engenharia de software, contabilidade, jornalismo, direito e consultoria já são afetadas.
A Chegg, plataforma educacional, demitiu 248 funcionários — 22% do total — após queda na demanda, atribuída à popularidade do ChatGPT.
Escritórios jurídicos substituem paralegais por softwares que redigem contratos e analisam jurisprudência.
A McKinsey adotou o agente virtual Lilli para automatizar relatórios; a Bain usa a IA Sage, da OpenAI; e a PWC implementou o Microsoft Copilot.
Apesar disso, estudos indicam que o uso de IA generativa pode aumentar em até 33% a produtividade por hora.
Pesquisa realizada entre agosto e novembro de 2024 mostrou que 33,5% dos trabalhadores que usaram IA todos os dias economizaram quatro horas ou mais de trabalho por semana.
Economistas como David Autor, do MIT, acreditam que a IA pode fortalecer a classe média ao expandir o acesso a conhecimento técnico.
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Comentários (1)
Luis
10.06.2025 05:43Paralegais?