Crusoé: A era dos exércitos de robôs já começou
Nova inteligência artificial militar permite que um soldado controle robôs de combate em campo; governo dos EUA investe pesado na iniciativa
A Scout AI, startup sediada na Califórnia, revelou nesta semana seu sistema de inteligência artificial voltado para aplicações militares, chamado Fury.
Desenvolvido para comandar robôs em campo de batalha, o sistema já conta com dois contratos com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos e um financiamento inicial de US$ 15 milhões.
Projetado para operar com autonomia, mesmo em ambientes sem GPS ou comunicação, o Fury foi testado em um drone aéreo e um veículo terrestre.
Os dois protótipos reagiram a comandos de voz e imagem de forma instantânea, sem necessidade de operadores humanos. Segundo os fundadores, o objetivo é transformar qualquer máquina militar americana em um agente inteligente e autônomo.
O ex-oficial da CIA e fundador da empresa militar privada Blackwater, Erik Prince, vê nessa tecnologia um sinal claro de uma mudança dramática nos campos de batalha.
Para ele, a capacidade de realizar ataques de precisão não está mais restrita a Estados com orçamentos bilionários. “Com um drone de US$ 800, uma impressora 3D e alguma adaptação de software, qualquer grupo pode construir uma arma que destrói um tanque”, afirma.
Prince cita o uso de pequenos drones na guerra da Ucrânia, onde unidades de baixo custo foram responsáveis por eliminar blindados de milhões de dólares. “Isso é a democratização do poder de fogo”, resume.
O avanço da inteligência artificial agrava o cenário. Drones com sistemas de reconhecimento facial e algoritmos autônomos já são capazes de identificar e eliminar alvos específicos em meio a multidões.
Prince alerta que essa tecnologia, combinada com bancos de dados de imagens e geolocalização, transforma um drone de bolso em uma arma de execução silenciosa. “Ele voa sozinho, encontra o rosto programado e ataca”, explica.
A desigualdade entre o custo de ataque e o custo da defesa é outro ponto crítico.
Prince cita o caso de ataques com drones de US$ 20 mil contra navios americanos no Mar Vermelho, interceptados por mísseis de mais de US$ 1 milhão.
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