“Com a inteligência artificial, não sabemos qual é o limite – ou se há um limite”
Sergey Brin, cofundador do Google e cientista da computação russo-americano, afirma que a IA representa uma descoberta mais profunda e imprevisível do que a internet
O cofundador do Google Sergey Brin concedeu uma rara entrevista publicada neste quinta, 23, no canal do YouTube CatGPT sob o título “Why AI is more important than the Internet”.
Brin, uma das figuras mais influentes da história da tecnologia moderna, compara o atual momento da inteligência artificial com a ascensão da internet na década de 1990.
Segundo ele, embora existam paralelos históricos, o avanço da IA representa algo mais fundamental: uma descoberta cujos limites ainda são desconhecidos.
“A diferença é que, com a internet, sabíamos o que era possível. Com a inteligência artificial, não sabemos qual é o limite — ou se há um limite”, diz.
Brin argumenta que, ao contrário da web, cujo impacto poderia ser razoavelmente previsto nos anos 1990, a IA está lidando com conceitos cuja estrutura ainda é pouco compreendida, como inteligência e consciência.
Ele compara a situação atual com a física quântica: “Talvez seja como a computação quântica, onde as leis básicas sugerem uma capacidade gigantesca, mas você ainda não sabe se há limitações ocultas.”
Para Brin, esse aspecto coloca a IA numa categoria distinta, mais próxima de uma descoberta científica do que de uma invenção tecnológica.
A IA está testando os limites do universo, afirma, destacando que estamos apenas começando a compreender até onde a inteligência artificial pode ir. Ele lembra que, ao contrário da criação da internet, ninguém questionava se aquilo era fisicamente possível. “Com a IA, nós simplesmente não sabemos.”
Outro ponto de contraste destacado por Brin é a escala dos investimentos atuais. “Empresas estão gastando bilhões de dólares para construir os melhores modelos do mundo.” Na época da fundação do Google, Brin e Larry Page conseguiram um financiamento de menos de 1 milhão de dólares. Em comparação, o cenário de 2025 envolve infraestruturas e recursos de escala industrial.
Sobre a evolução dos modelos de linguagem, Brin diz estar impressionado com o ritmo e o nível que foi alcançado. “Dois anos atrás, os modelos cometiam erros constrangedores. Hoje, são ferramentas úteis no dia a dia.” Ele acredita que o futuro está na colaboração entre humanos e IA, com as máquinas auxiliando em tarefas complexas e, eventualmente, contribuindo para seu próprio desenvolvimento.
“O mais empolgante será o Gemini fazendo uma contribuição substancial ao seu próprio desenvolvimento — com uma ideia de machine learning que implemente e desenvolva a próxima versão de si mesmo.” Segundo ele, essa autonomia parcial já está em curso em tarefas pontuais, mas um salto significativo pode acontecer nos próximos três a quatro anos.
Apesar de reconhecer o valor das questões filosóficas levantadas pela IA, Brin admite que passa a maior parte do tempo lidando com questões técnicas e operacionais. “Provavelmente seria ótimo ter mais tempo para questões filosóficas, mas há muita coisa acontecendo.”
Questionado sobre o que gostaria que as pessoas perguntassem mais, Brin responde que o foco deveria estar no futuro próximo: “A questão interessante é o que você poderá fazer com essas ferramentas nas próximas gerações, em um ou dois anos.”
Sobre os modelos de vídeo, ele reconhece que são extremamente custosos em termos computacionais, mas acredita que logo deixarão de ser apenas “brinquedos” para se tornarem ferramentas profissionais. “A diferença entre um brinquedo legal e uma ferramenta útil é uma questão de tempo.”
Ele cita colaborações com cineastas como Darren Aronofsky, que estão usando os modelos da Google para explorar novas possibilidades criativas. Mesmo com limitações técnicas, o entusiasmo de artistas por estar na vanguarda é notável.
Por fim, Brin deixa um conselho aos jovens que querem participar dessa revolução, mas não trabalham nos grandes laboratórios: “Há cada vez mais pesquisas interessantes sendo feitas fora dos grandes centros, especialmente com a chegada de modelos de código aberto e novas APIs.”
Quem é Sergey Brin
Sergey Brin é um cientista da computação e empresário russo-americano, cofundador do Google ao lado de Larry Page.
Nascido em Moscou, emigrou com a família para os Estados Unidos ainda criança. Doutorando em Stanford, criou o Google em 1998 e transformou a empresa em uma das maiores do mundo.
É ex-presidente da Alphabet e figura influente no desenvolvimento de tecnologias emergentes. Brin é conhecido por seu estilo discreto, apesar de ser uma das figuras mais importantes da era digital.
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