“A aposta de US$ 100 bilhões da Nvidia na OpenAI levanta mais perguntas do que respostas”
Semanário britânico The Economist analisa a parceria Nvidia–OpenAI e questiona os riscos financeiros, energéticos e de governança envolvidos
Publicado pelo semanário britânico The Economist, o texto “A aposta de US$ 100 bilhões da Nvidia na OpenAI levanta mais perguntas do que respostas” descreve um acordo que pode redesenhar o mapa da computação de IA.
O anúncio foi feito nesta segunda, 22, com uma carta de intenções para a Nvidia investir até US$ 100 bilhões na OpenAI e apoiar a compra de milhões de chips de IA. A meta conjunta é implantar ao menos 10 gigawatts em centros de dados a partir do segundo semestre de 2026.
O Economist nota que o movimento aprofunda os laços de um Vale do Silício “mais incestuoso do que nunca”, dada a interdependência entre Nvidia, OpenAI e Microsoft, além de negócios paralelos com Intel e Oracle. As ações da Nvidia subiram perto de 4% após o anúncio.
Jensen Huang, presidente da Nvidia, apresentou a parceria como “adicional às vendas de GPUs”, sugerindo que vender até 5 milhões de chips extras se equipara aos embarques de 2025. O efeito, segundo a revista, é tornar a OpenAI ainda mais dependente do hardware da Nvidia e reduzir o incentivo a um chip próprio.
O financiamento dos equipamentos viria do próprio investimento proposto de US$ 100 bilhões, liberado em passos de US$ 10 bilhões a cada gigawatt de capacidade apoiada pela Nvidia, até 10 GW. Para o analista Pierre Ferragu (New Street Research), “na prática a OpenAI pagaria 71% em dinheiro e 29% em ações”.
Há alertas sobre “dinâmicas circulares”, nas palavras de Stacy Rasgon (Bernstein), entrevistado pela CNBC e citado pela revista: a fornecedora investe no cliente que usa esse dinheiro para comprar seus chips. A escala do pacote pode atrair escrutínio concorrencial.
O texto aponta a pressão de caixa da OpenAI e o uso de ações privadas como moeda em compromissos crescentes. Cita o acerto de US$ 300 bilhões com a Oracle, para construir 4,5 GW de capacidade entre 2027 e 2031, principal motor das projeções recentes da Oracle.
Esse contrato é vinculado ao “Stargate”, projeto anunciado na Casa Branca em janeiro pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como uma iniciativa de infraestrutura de IA liderada por OpenAI, Oracle, SoftBank e outros parceiros.
Mesmo assim, a revista questiona como a OpenAI planeja bancar tamanha expansão. A companhia afirma ter mais de 700 milhões de usuários semanais do ChatGPT, enquanto estimativas recentes situam a receita anualizada na casa de US$ 12 a US$ 13 bilhões.
O gargalo não é apenas financeiro. Acrescentar 10 GW de energia para data centers é um salto gigantesco e lento, com licenças e conexão à rede que podem levar anos. A própria Nvidia estima que essa potência equivale ao consumo de mais de 8 milhões de lares nos Estados Unidos.
Na apresentação da parceria, Sam Altman, presidente da OpenAI, listou três frentes difíceis: “empurrar as fronteiras da pesquisa”, “criar produtos que encantem usuários” e enfrentar um “desafio de infraestrutura sem precedentes”, do acesso a chips ao suprimento de energia.
O Economist conclui que uma rede de fortunas interligadas depende de Altman resolver, ao mesmo tempo, ciência, produto e infraestrutura. Até aqui, nada parece tão simples quanto convencer amigos endinheirados no Vale do Silício a acreditar nas promessas.
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