Quando voltará o crédito imobiliário mais barato?
Mercado aguarda novas regras para crédito imobiliário com expectativa. O temor é que o remédio demore demais para chegar
O custo do dinheiro para empreendimentos imobiliários é o maior obstáculo hoje para as incorporadoras, diz uma pesquisa da Brain Inteligência Estratégica, realizada para a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias).
O levantamento, que ouviu executivos do mercado de imóveis em todo país, constatou que, para 55% dos entrevistados, o maior problema é a taxa de juros. E a solução – segundo 82% das respostas – é a criação de linhas com taxas de juros menores, chegando no máximo aos 12%.
A questão é como e quando isso pode acontecer. A projeção do mercado é de que a Selic retorne aos 12% por volta de dezembro, mas isso é somente um cenário – que pode também não acontecer.
Movimentação em Brasília
Uma movimentação em Brasília, nos últimos meses, busca aumentar o volume de recursos disponíveis com menor custo, mas o temor do mercado é que ela demore para ser implementada.
A iniciativa, capitaneada pelo Banco Central, envolve conversas com o Ministério da Fazenda, o Ministério das Cidades e a Caixa. A ideia central é diminuir o volume do depósito compulsório sobre a poupança que os bancos precisam manter, liberando recursos para a habitação.
Atualmente, 20% do volume de recursos depositados nas contas de poupança ficam “presos” no BC, o chamado depósito compulsório. Outros 65% são direcionados obrigatoriamente para o crédito imobiliário, e 15% podem ser usados livremente pelo banco.
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Proposta
A proposta inicialmente debatida era de que, dos 20% compulsórios, 5% fossem liberados imediatamente para financiamentos habitacionais, preferencialmente em um valor ligeiramente acima do máximo permitido pelo Minha Casa Minha Vida (MCMV), que atualmente é de 500 mil reais.
O raciocínio era de que existe uma faixa de consumidores que está excluída do mercado atualmente, porque, mesmo querendo adquirir uma casa própria, não encontra financiamentos para o tipo de imóvel que está procurando.
São famílias com renda que fica acima do limite definido pelo MCMV, mas ao mesmo tempo abaixo do necessário para encontrar financiamentos convencionais junto aos bancos. São consumidores potenciais de imóveis com valor até 750 mil reais.
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Só no ano que vem?
Com as discussões, a proposta evoluiu para um modelo no qual 100% do volume depositado na poupança poderia ser usado para o financiamento habitacional, mas dentro de um aumento gradual. À medida que a carteira atual for sendo amortizada, o volume disponível para o crédito irá ficando cada vez maior.
Uma série de questões técnicas está sendo debatida para a formulação da nova regra. Os incorporadores veem a medida com muita simpatia, já que liberaria um grande volume de dinheiro com custo acessível.
A preocupação do mercado, na verdade, não é tanto o “como”, mas o “quando”. O temor é de que a medida possa até ser publicada em breve, mas só comece a entrar em vigor no ano que vem – o que forçaria as construtoras a aguentar ainda um período desafiador até que o dinheiro comece a regar o mercado.
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