Fração ideal não é socialismo, é matemática
Guerra silenciosa começa quando alguém decide que todos devem pagar igual, independentemente do tamanho do apartamento
No condomínio brasileiro, existe uma guerra silenciosa contra a matemática.
Ela começa quando alguém decide que todos devem pagar igual, independentemente do tamanho do apartamento. É a revolução do “somos todos iguais”, aplicada ao boleto.
Mas condomínio não é assembleia ideológica. É comunhão patrimonial.
Quem compra 50 m² compra uma fração.
Quem compra 300 m² compra outra.
Quem adquire cobertura com piscina não comprou apenas vista, comprou impacto estrutural, consumo maior e valorização proporcional.
A fração ideal não é um capricho contábil. É a tradução jurídica do investimento.
Na empresa funciona assim:
Quem investe mais capital recebe mais participação.
Quem tem mais ações assume mais risco e recebe mais retorno.
Ninguém chama isso de injustiça. Chamam de mercado.
“Fração ideal não é privilégio, é lógica. Quem compra um imóvel maior investe mais, assume mais risco e também tem potencial de ganho maior na venda, então é natural que contribua proporcionalmente nas despesas. Cobrar igual de quem tem tamanhos e impactos diferentes parece justo no discurso, mas ignora a realidade do patrimônio. Condomínio é divisão de propriedade, não divisão de sentimentos. Proporcionalidade não é desigualdade, é coerência”, comenta Rafael Bernardes do Síndicolab.
No condomínio, porém, surge o discurso moral travestido de igualdade: “Mas usamos as mesmas áreas comuns”.
Não. Não usam.
A cobertura com piscina não consome a mesma água.
A unidade maior não gera o mesmo impacto patrimonial.
O imóvel que vale mais não representa o mesmo risco financeiro coletivo.
Quando não há individualização de consumo, centenas de litros de água de uma piscina privativa podem ser diluídos na coletividade. O custo vira socializado. O benefício, não.
É curioso: o lucro é privatizado na venda do imóvel maior, mas a despesa querem dividir como se todos fossem iguais.
Se a valorização proporcional é aceita na hora da escritura, por que a proporcionalidade incomoda na hora da taxa condominial?
A fração ideal é capitalismo puro.
É proporcionalidade.
É responsabilidade patrimonial.
Cobrança igualitária ignora o investimento, ignora o risco e ignora o valor do ativo.
Condomínio não é cooperativa agrícola. É copropriedade estruturada.
Quando a matemática é substituída por discurso, alguém paga a conta que não é sua.
E geralmente paga em silêncio.
Por Rafael Bernardes, especialista em gestão condominial e fundador do Sindicolab
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