As sutis diferenças que elevam o metro quadrado para R$ 50 mil
Os materiais e acabamentos que fazem os empreendimentos de luxo atingirem valores de até R$ 50.000 por metro quadrado
O que pode fazer um prédio alcançar valores de venda na faixa dos 50 mil reais por metro quadrado, como alguns dos recentes lançamentos de luxo? A localização, em si, ajuda a elevar o preço. Mas nos edifícios de altíssimo padrão lançados no mercado nos últimos anos, os diferenciais são bem mais complexos.
Arquitetos famosos, parcerias com grifes de moda ou fabricantes de automóveis de luxo são fatores conhecidos que ajudam a valorizar. O que poucos notam é que, no acabamento dessas construções, outro diferencial às vezes são “detalhes” que impactam no valor do imóvel em alguns milhares de dólares.
Um exemplo é o novo empreendimento da Lavvi, do grupo Cyrela, em construção no Brooklyn. O Petra by Boca do Lobo terá toda sua área comum ocupada por peças criadas pelo escritório de design português Boca do Lobo, uma marca de luxo que emprega artesãos de diferentes especialidades para produzir peças exclusivas, com materiais de altíssima qualidade.

“Os joalheiros do mobiliário”
Algumas delas são formadas por sete ou oito tipos de componentes feitos à mão – pedras cortadas, madeiras esculpidas, metais feitos sob medida e cristais lapidados, entre outros. Essa característica fez com que o Boca de Lobo se tornasse conhecido como “os joalheiros do mobiliário”.
Ricardo Magalhães, um dos fundadores do estúdio, conta que um dos motivos que levaram à sua criação foi o desejo de preservar técnicas artesanais que estão quase extintas, já que a maioria dos acabamentos e decorações hoje é produzida de maneira industrial, em série.
O grupo de artesãos ganhou fama internacional ao ser retratado na capa da edição de luxo do Financial Times, em 2012, com a foto do aparador Diamond, com peças folheadas a ouro e prata, vendido na época por 18 mil euros.
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Artesãos
A participação de artesãos para os acabamentos também será parte essencial do conceito do Allard Oscar Freire, construído pela Gafisa em parceria com a empresa francesa, e que promete ser o prédio mais caro de São Paulo.
Essa premissa já foi parte essencial do projeto anterior do grupo Allard, o Cidade Matarazzo, que incorporou em seu empreendimento uma unidade do Rosewood, hotel mais luxuoso da América do Sul.
Para o empreendimento, que incluiu uma torre desenhada pelo arquiteto Jean Nouvel com decoração do designer Philippe Starck, foi contratado o grupo Ateliers de France, que une diversos artesãos que fazem pesquisa com materiais ao redor do mundo.

78 tipos de madeiras
Eles utilizaram 78 tipos de madeiras nativas brasileiras, como jatobá, nogueira, itaúba e sucupira, e diversos tipos de pedras decorativas brasileiras, como ônix, quartzito palomino e amazonita. Todos esses materiais foram trabalhados de maneira especial – por exemplo, com banheiras esculpidas a partir de blocos de pedra inteiros e cerâmicas feitas à mão.
Como todo esse investimento nos acabamentos só faz sentido se for realmente valorizado pelo comprador, as marcas de luxo têm investido cada vez mais em deixar claro o que estão oferecendo.
Assim, no edifício 888 Brickell Avenue, assinado em Miami pela grife Dolce & Gabbanna, o comprador pode escolher o tipo do mármore do acabamento dos banheiros, dentro de um exclusivíssimo cardápio que inclui opções como Travertino Giallo, Covelano Macchia Vecchia, Sahara Noir e Camelia Green.
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