Piloto brasileiro pontua na Fórmula 1 após 8 anos
Gabriel Bortoleto finalmente marcou seus primeiros pontos na Fórmula 1. Fez uma corrida madura, sem erros (lembre-se que ele é um novato)
Desde o GP de Abu Dhabi, ocorrido em novembro de 2017, e onde Felipe Massa encerrou sua carreira na Fórmula 1 marcando 1 ponto com seu décimo lugar, um brasileiro não pontuava na categoria. Isso mudou no domingo, 29 de junho, com Gabriel Bortoleto chegando em oitavo lugar numa corrida bastante movimentada, com batidas na largada, falhas mecânicas e diferentes estratégias.
Vamos agora à nossa tradicional análise de quem ganhou e quem perdeu no GP da Áustria de 2025:
Quem ganhou
Lando Norris foi impecável, largando na frente e lá ficando até o final, exceto nas paradas de box, naturalmente. Resistiu aos avanços de Piastri no começo da corrida e depois, favorecido pela primazia nos pit-stops, algo normal, abriu vantagem suficiente para não ser mais perturbado pelo australiano. Com a autoconfiança reestabelecida após a batida no Canadá, está motivado a retomar a luta pelo título.
A Ferrari viu seus dois pilotos chegarem nas melhores posições para quem não tem uma McLaren. Sinal que o novo assoalho funcionou? Pode até ser que sim, mas a verdade é que o ritmo dos carros italianos esteve longe de ameaçar as McLaren, então apesar de tantos pontos, não foi tão bom assim. Algo também não tão positivo é a forma um pouco seca que Hamilton foi tratado por seu engenheiro de pista, mandando-o trocar de pneus sem responder seus questionamentos, indicando que segue a tensão entre os dois.
Liam Lawson fez uma belíssima corrida, sem erros, segurando Alonso que estava em seu encalço (e depois disse que não pretendia ultrapassá-lo, por não ter ritmo, estava somente aproveitando o DRS). Corrida importante para o piloto que saiu devastado da experiência de 2 corridas no desastroso segundo carro da Red Bull.
Gabriel Bortoleto finalmente marcou seus primeiros pontos, e foram bons 4 deles. Fez uma corrida madura, sem erros (lembre-se que ele é um novato) e, não fosse por pegar trânsito na saída do seu primeiro pit-stop, poderia até ter chegado em sexto lugar, pois tinha mais ritmo que Alonso e Lawson no final da prova. A batalha com Alonso, que o abraçou após a bandeirada, foi bonita de se ver e certamente uma aula de defesa de posição do espanhol que o brasileiro vai se lembrar.
Nico Hülkenberg, o outro piloto da Sauber, largou em último e chegou logo atrás de Bortoleto, mostrando que, apesar do seu erro na classificação, sua experiência o permite aproveitar melhor o carro em ritmo de corrida, sabendo quando exigir mais e quando poupar pneus. Fez uma bela corrida e marcou pontos pela terceira corrida seguida.
Outro que marcou pontos de novo foi Fernando Alonso, arriscado a tática de uma parada só e se aproveitando do DRS de Lawson para manter um bom ritmo e no final de Norris para se defender de Bortoleto na última volta. Com isso se igualou a Stroll na tabela de pontos.
Quem perdeu
O jovem Kimi Antonelli errou o ponto de freada da primeira curva após a largada, passou reto e acertou Max Verstappen, saindo da corrida e tirando o holandês também. Erro bobo, mas acontece, especialmente com novatos, como é o caso dele, que pediu desculpas pela trapalhada. Infelizmente deixou bons pontos na mesa.
Lance Stroll foi bem nos 3 treinos livres, ficando à frente de Alonso, inclusive, mas treino não conta. Na classificação foi eliminado no Q1 e na corrida, largando lá de trás, se viu preso no famoso trenzinho de carros com DRS, onde dificilmente alguém passa quem está na frente sem algum ato arrojado e com isso assegurou uma corrida esquecível e bem longe dos pontos.
A batata de Franco Colapinto está esquentando. Não fez uma boa corrida, fechou Piastri quando tomava uma volta por não o ver, foi punido, mas, mesmo assim, vinha fazendo uma corrida discreta com o carro da Alpine que não vem ajudando o argentino. Flávio Briatore, seu chefe, já coloca pressão em sua vaga e abriu negociações com Valtteri Bottas.
Max Verstappen já não tinha grandes chances de disputar o título, agora se despede praticamente de vez, sem pontuar por ser tirado da corrida na primeira volta por Antonelli. E ele até que mostrou estar em paz com seu ocaso, sem ficar furioso ou algo do tipo. Sinal de maturidade e, quem sabe, de já estar de olho em algo mais interessante em 2026, seja na Red Bull ou em outra equipe.
A Williams, sensação do pelotão intermediário no começo do ano, chega ao meio da temporada focada no carro do próximo ano e com isso vem decepcionando, sobretudo em confiabilidade, como o duplo abandono por problemas mecânicos nessa corrida comprovam. Com isso as equipes rivais começam a descontar pontos na tabela de construtores.
Já nesse fim de semana teremos o Grande Prêmio da Inglaterra, que além de ser numa pista muito desafiadora, (Silverstone), ainda será palco da celebração de 75 anos da categoria, o que promete eventos paralelos bem interessantes. Também será interessante ver como os carros se comportarão nessa pista de mais alta velocidade.
Eis o resultado completo do GP da Áustria:
1) Lando Norris (McLaren/Mercedes), 70 voltas
2) Oscar Piastri (McLaren/Mercedes), +2.695
3) Charles Leclerc (Ferrari), +19.820
4) Lewis Hamilton (Ferrari), +29.020
5) George Russell (Mercedes), +1’02.396
6) Liam Lawson (Racing Bulls/Honda), +1’07.754
7) Fernando Alonso (Aston Martin/Mercedes), +1 volta
8) Gabriel Bortoleto (Sauber/Ferrari), +1 volta
9) Nico Hülkenberg (Sauber/Ferrari), +1 volta
10) Esteban Ocon (Haas/Ferrari), +1 volta
11) Oliver Bearman (Haas/Ferrari), +1 volta
12) Isack Hadjar (Racing Bulls/Honda), +1 volta
13) Pierre Gasly (Alpine/Renault), +1 volta
14) Lance Stroll (Aston Martin/Mercedes), +1 volta
15) Franco Colapinto (Alpine/Renault), +1 volta
16) Yuki Tsunoda (Red Bull/Honda), +2 voltas
Abandonos:
Alexander Albon (Williams/Mercedes),
Max Verstappen (Red Bull/Honda),
Kimi Antonelli (Mercedes),
Carlos Sainz (Williams/Mercedes),
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