Maristela Basso na Crusoé: O que a Argentina tem?
Não é apenas talento. É uma cultura de formação emocional que transforma grandes jogadores em grandes competidores
A diferença entre Brasil e Argentina no futebol contemporâneo não está no talento, na infraestrutura ou na tradição. Está na formação emocional e competitiva dos atletas.
O Brasil continua sendo um dos maiores celeiros de jogadores do planeta. Também dispõe de recursos, visibilidade e campeonatos relevantes. Ainda assim, quando a pressão aumenta, essa vantagem técnica nem sempre se traduz em desempenho.
As Copas do Mundo não são vencidas apenas por quem joga melhor.
São vencidas por quem suporta melhor a pressão.
Durante muito tempo, nós nos acostumamos a explicar derrotas brasileiras por questões táticas, escolhas de treinadores ou erros de arbitragem. Tudo isso influencia uma partida. Mas talvez explique menos do que imaginamos.
Foi isso que me levou, na Copa do Catar, a escrever que o Brasil havia levado excelentes jogadores, mas ainda não havia formado uma equipe madura.
Muitos se comportavam como jovens extraordinariamente talentosos, porém ainda frágeis diante da adversidade.
Choravam antes do tempo, perdiam o equilíbrio emocional com facilidade, pareciam excessivamente preocupados com o espetáculo que acontecia fora das quatro linhas.
A Copa do Mundo, entretanto, é um ambiente implacável.
Ela exige algo que não aparece nas estatísticas.
Exige autocontrole.
Exige disciplina emocional.
Exige capacidade de continuar jogando quando tudo parece dar errado.
A Argentina…
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