COI prepara veto a atletas trans nas Olimpíadas de 2028
Medida buscaria proteger a categoria feminina e unificar regras em todas as modalidades
O Comitê Olímpico Internacional discute proibir atletas transgêneros de competir nas categorias femininas a partir dos Jogos de Los Angeles, em 2028.
A proposta foi apresentada em reunião recente em Lausanne, na Suíça, e é defendida pela presidente Kirsty Coventry. A dirigente promete “proteger a categoria feminina” e unificar regras que hoje variam entre as federações esportivas.
A diretora médica do COI, Jane Thornton, apresentou um relatório científico que aponta vantagens físicas permanentes em indivíduos nascidos do sexo masculino, mesmo após a transição de gênero. Entre elas, maior densidade óssea e capacidade cardiovascular superior.
Segundo fontes presentes, a apresentação foi “factual e sem viés ideológico”. Membros do COI teriam reagido de forma positiva.
Apesar do avanço das discussões, o COI informou em nota que “nenhuma decisão foi tomada” ainda e que o grupo de trabalho debate o tema. A previsão é que uma posição oficial seja anunciada em fevereiro de 2026, antes dos Jogos de Inverno na Itália.
Coventry, ex-nadadora e primeira mulher a presidir o COI, criou em junho o grupo “Proteção da Categoria Feminina”. Ela afirma que qualquer decisão será baseada em evidências científicas e construída em conjunto com as federações internacionais.
A medida ganha força após polêmicas recentes.
Em Tóquio 2021, a neozelandesa Laurel Hubbard foi a primeira atleta trans a competir em uma Olimpíada.
Já em Paris 2024, as boxeadoras Imane Khelif, da Argélia, e Lin Yu-ting, de Taiwan, ambas com diferenças de desenvolvimento sexual (DSD), conquistaram ouro mesmo após terem sido desclassificadas do Mundial anterior por critérios de gênero.
Dentro do COI, há consenso sobre o banimento de mulheres trans, mas resistência em aplicar restrições a atletas com DSD. Esses casos envolvem mulheres com cromossomos masculinos e níveis altos de testosterona.
A pressão também vem dos Estados Unidos. Em fevereiro, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva proibindo mulheres trans de competir em esportes femininos e ameaçando cortar fundos federais de entidades que descumprirem a norma.
O Comitê Olímpico e Paralímpico dos EUA acatou a determinação em julho, alterando suas políticas internas e informando que cumprirá as “expectativas federais”.
Se confirmada, a decisão do COI representará uma virada histórica na política olímpica.
A entidade deve anunciar os novos critérios até 2026, com validade para os Jogos de Los Angeles, em 2028.
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Comentários (2)
Annie
11.11.2025 10:18Antes tarde do que nunca.
Marcia Elizabeth Brunetti
11.11.2025 07:34É só tirar a palavra “banimento” que tudo começa a ficar mais palatável. Não é difícil entender que a testosterona interfere sobremaneira no desempenho das trans, então , acho que já está na hora de abrir as Olimpíadas LGBTQIAPN+. Não existe a olimpíada só para paratetlas ?