Arábia Saudita desafia as leis naturais ao construir estação de esqui no deserto para disputa dos Jogos de Inverno
O projeto Trojena, parte do megacomplexo NEOM na Arábia Saudita, tornou-se um exemplo emblemático de megaempreendimento em área desértica.
O projeto Trojena, parte do megacomplexo NEOM na Arábia Saudita, tornou-se um exemplo emblemático de megaempreendimento em área desértica.
A proposta é criar uma estação de esqui ativa o ano todo em uma região montanhosa próxima ao Golfo de Ácaba, aproveitando o microclima mais frio para atrair turismo esportivo, luxo e investimentos ligados à Vision 2030, que busca diversificar a economia para além do petróleo.
O que é Trojena NEOM e por que fica em uma região montanhosa?
A expressão “Trojena NEOM” designa o conjunto de infraestruturas de uma estação de esqui futurista instalada em montanhas onde as temperaturas são, em média, 10 graus mais baixas que no deserto ao redor.
Mesmo assim, o frio natural não basta para manter neve constante, exigindo intensa produção de neve artificial e controle climático avançado.
O projeto inclui um lago artificial de vários quilômetros, alimentado por água dessalinizada com apoio de energia renovável.
Esse reservatório deve funcionar como pulmão hídrico do complexo, abastecendo canhões de neve, consumo humano e paisagismo, em um sistema de armazenamento de milhões de metros cúbicos de água.
The 2029 Asian Winter Games, due to be hosted at NEOM's Trojena mountain resort, have been postponed indefinitely. In a short statement, the Saudi Olympic and Paralympic Committee and the Olympic Council of Asia said they had "agreed on an updated framework for future hosting of… pic.twitter.com/WigUp4Vvmm
— The B1M (@TheB1M) January 27, 2026
Como funciona a infraestrutura hídrica e energética de Trojena?
A infraestrutura de Trojena apoia-se em gestão de água e produção de energia em larga escala, combinando dessalinização de água do mar com promessas de uso intenso de fontes solar e eólica.
O objetivo é suprir neve artificial, serviços turísticos e operação contínua em um ambiente árido e montanhoso.
Para viabilizar o complexo, são planejadas grandes obras de engenharia em terreno difícil, que exigem soluções específicas e alto investimento financeiro.
Quais usos turísticos e esportivos estão previstos em Trojena?
Além das pistas de esqui, Trojena foi concebida como destino multifuncional, combinando turismo esportivo, luxo e experiências imersivas em ambiente desértico high-tech.
A perspectiva é receber tanto visitantes de alto poder aquisitivo quanto grandes eventos esportivos de inverno.
O plano inclui hotéis de luxo com arquitetura chamativa, uma vila vertical como porta de entrada ao vale e áreas para retiros, ecoturismo e esportes de aventura.
A estação pretende sediar os Jogos Asiáticos de Inverno de 2029 e se consolidar como polo permanente de turismo internacional.
Quais são os principais desafios ambientais e econômicos do projeto Trojena NEOM?
A dessalinização em larga escala gera salmoura concentrada, cujo descarte inadequado pode alterar a salinidade do Mar Vermelho e afetar ecossistemas marinhos.
Também preocupa a transformação de um ambiente desértico em cenário artificial, com lagos, espécies exóticas e mudanças em cursos d’água superficiais ou subterrâneos.
Críticos apontam ainda o volume bilionário de investimentos concentrados em uma área restrita, enquanto outras regiões sauditas carecem de infraestrutura básica.
Os altos custos de neve artificial, energia e manutenção de estruturas de luxo levantam dúvidas sobre a sustentabilidade financeira de Trojena nas próximas décadas.
Quais impactos o Trojena NEOM pode gerar no turismo e nas megacidades do futuro?
Trojena funciona como laboratório de tendências em turismo de experiência e planejamento urbano em ambientes extremos, podendo inspirar projetos semelhantes em outros países com capital e terras pouco povoadas.
Ao mesmo tempo, reforça o debate sobre se megacidades futuristas em regiões áridas são uma resposta eficiente ao crescimento populacional.
O desempenho real de NEOM e de Trojena, especialmente após 2029, tende a influenciar políticas públicas, investimentos e critérios de sustentabilidade adotados globalmente.
Governos, empresas e pesquisadores acompanham o caso para entender limites e possibilidades de construir destinos turísticos de alta tecnologia em pleno deserto.
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