Você pode estar jogando ouro de 22 quilates no lixo sem perceber onde ele está escondido
ouro de 22 quilates
Um roteador parado na gaveta ou um computador antigo pode ter mais valor como material reciclável do que sua aparência sugere. Pequenas quantidades de ouro estão presentes em placas e conectores de certos aparelhos eletrônicos. A recuperação desse metal já produziu, em laboratório, uma pepita de ouro de 22 quilates.
Por que os fabricantes utilizam ouro nos circuitos eletrônicos?
O ouro conduz eletricidade e resiste muito bem à corrosão, qualidades importantes para contatos confiáveis. Como é caro, costuma ser empregado em películas finas e pontos específicos, não na estrutura inteira de computadores, celulares ou equipamentos de comunicação.
Essas pequenas aplicações integram os resíduos eletrônicos no descarte. Além do ouro, as placas podem reunir cobre e outros metais aproveitáveis, misturados a materiais que precisam de tratamento cuidadoso durante a reciclagem.

Em quais aparelhos e peças o ouro pode estar escondido?
Computadores antigos e celulares são exemplos conhecidos de equipamentos com contatos metálicos que podem receber revestimentos de ouro. Alguns roteadores, modems e decodificadores também possuem conectores e circuitos avaliados na reciclagem.
O brilho dourado, sozinho, não prova que uma peça contém ouro: há acabamentos de outras ligas com aparência semelhante. A composição varia entre fabricantes, gerações e componentes, por isso nenhum aparelho deve ser tratado como fonte garantida de metal precioso.
Os pontos de interesse costumam estar concentrados em partes pequenas:
O ouro encontrado já tem pureza de 22 quilates?
Não necessariamente. Os 22 quilates descrevem a pureza do material obtido após a separação e a fusão, não uma pepita pronta dentro do equipamento. Em 2024, pesquisadores suíços recuperaram uma pequena peça metálica com cerca de 91% de ouro e o restante de cobre.
O experimento da ETH Zurich utilizou componentes retirados de 20 placas-mãe antigas e produziu uma pepita de aproximadamente 450 miligramas. O resultado demonstra a possibilidade técnica de recuperação, mas não estabelece uma quantidade fixa para qualquer aparelho doméstico.
Como os pesquisadores conseguiram separar o metal?
A equipe desenvolveu uma esponja de fibras proteicas fabricada a partir do soro do leite, subproduto da produção de queijo. No laboratório, metais extraídos das placas foram dissolvidos em solução ácida, permitindo que o ouro fosse capturado pelas fibras da esponja.
Depois, o material foi aquecido e o ouro recuperado acabou fundido em uma pequena pepita. A pesquisa propõe aproveitar dois tipos de resíduo, mas envolve procedimentos químicos controlados e não representa uma técnica segura de extração caseira.
Três etapas explicam o funcionamento da recuperação experimental:
É possível ganhar dinheiro retirando ouro de um único aparelho?
Um equipamento isolado normalmente possui ouro em quantidades muito pequenas, distribuídas por superfícies e componentes difíceis de separar. O resultado das 20 placas-mãe vem de uma amostra laboratorial, não uma promessa de rendimento para roteadores, celulares ou computadores de qualquer modelo.
Na reciclagem profissional, a viabilidade depende de volume, concentração de metais, custos de coleta e processamento. Separar o ouro em casa pode envolver ácidos corrosivos, vapores perigosos e resíduos contaminantes, com riscos adicionais.
Qual é o destino adequado para aparelhos eletrônicos antigos?
O melhor caminho é reutilizar ou consertar equipamentos que ainda tenham utilidade e encaminhar os demais para pontos de coleta de eletroeletrônicos. Lojas, fabricantes, cooperativas habilitadas e ecopontos podem oferecer opções, conforme a disponibilidade local.
Antes de entregar celulares, computadores ou roteadores com armazenamento, apague dados pessoais e retire cartões de memória quando aplicável. A destinação especializada permite recuperar materiais úteis e tratar componentes perigosos, sem depender de encontrar ouro visível ou tentar extraí-lo manualmente.
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