Você já viu uma sucuri bocejando?
O registro de uma sucuri-verde (Eunectes murinus) bocejando em ambiente aquático revela um comportamento antigo e amplamente distribuído
O registro de uma sucuri-verde (Eunectes murinus) bocejando em ambiente aquático revela um comportamento antigo e amplamente distribuído entre os vertebrados.
Presente em peixes, répteis, aves e mamíferos, o bocejo é hoje investigado como traço ligado à fisiologia e à organização social.
O que o bocejo revela sobre a evolução dos vertebrados
A cena da sucuri bocejando mostra que o bocejo não é exclusivo de humanos nem restrito a sono ou tédio. Pesquisas sugerem que esse comportamento existe há mais de 400 milhões de anos, desde os primeiros peixes com mandíbula.
Essa longa conservação evolutiva indica forte vantagem adaptativa. O debate atual busca integrar dados de fisiologia, neurociência e ecologia para entender por que um gesto tão simples foi mantido em linhagens tão diferentes.
Sucuri bocejando. 🥱
— Saber Atualizado (@AtualizadoSaber) January 8, 2026
No caso, espécie Eunectes murinus.
📹: M. V. Tatiana Lima, Instagram pic.twitter.com/7sHCZu2CdF
Como o bocejo atua na termorregulação cerebral
A hipótese mais discutida hoje é a da termorregulação cerebral. A abertura ampla da boca, o alongamento de músculos da cabeça e do pescoço e a alteração respiratória favoreceriam a circulação de sangue mais frio no crânio.
Estudos mostram que a frequência de bocejos aumenta em faixas de temperatura intermediárias e cai em extremos muito frios ou quentes.
Em espécies com cérebros maiores, os bocejos tendem a ser mais longos, possivelmente para otimizar o resfriamento e preservar o desempenho cognitivo em transições de estado, como sono e vigília.
Por que o bocejo é contagioso em espécies sociais
O bocejo contagioso ocorre quando observar alguém bocejar desencadeia o mesmo ato. Ele é mais frequente em espécies sociais, como primatas e cães, e está associado à empatia e à cognição social.
Em humanos, esse contágio envolve áreas cerebrais ligadas à imitação motora e à leitura de estados internos, como córtex pré-motor, ínsula e giro cingulado anterior. Surge tardiamente na infância, em paralelo ao amadurecimento de habilidades socioemocionais.

Quais hipóteses sobre o bocejo já foram descartadas
Algumas explicações populares foram testadas e enfraquecidas. A ideia de que bocejar serve para aumentar oxigênio ou eliminar excesso de CO₂ não se sustenta em experimentos com atmosferas controladas.
Outra proposta via o bocejo como exibição de dentes para intimidação. Embora isso ocorra em contextos específicos, não explica sua ampla distribuição entre vertebrados, inclusive em situações neutras, como em muitas serpentes e peixes.
- Oxigenação: não explica o padrão de ocorrência em diferentes ambientes.
- Intimidação: sinal pontual, mas não função central.
- Termorregulação e alerta: hipótese fisiológica mais robusta.
- Função social: relevante em espécies gregárias.
Como a sucuri bocejando contribui para a divulgação científica
O vídeo de uma sucuri bocejando em ambiente natural ilustra o bocejo em grandes serpentes, aproximando o público de temas como termorregulação, digestão e comportamento. Nesses animais, o gesto envolve musculatura também usada para alimentação.
Projetos de divulgação que utilizam essas imagens buscam registrar comportamentos naturais, conectá-los a pesquisas de fisiologia e comportamento, explicar hipóteses em linguagem acessível e estimular o interesse por evolução e neurociência.
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