Viúva de Hugh Hefner relata controle na mansão da Playboy: ‘Lavagem cerebral absoluta’
Ex-Playmate afirma que tinha horários para voltar para casa, restrições para ver familiares e cobranças relacionadas a peso, roupas, unhas e cabelos
Crystal Hefner afirmou que sofreu uma “lavagem cerebral absoluta” durante o casamento com Hugh Hefner (1926-2017), fundador da Playboy. A ex-modelo relatou no podcast No One Asked Her que demorou a reconhecer o controle emocional que diz ter enfrentado na mansão da revista. Segundo Crystal, regras relacionadas a horários, aparência e contato com familiares faziam parte de sua rotina na propriedade durante a relação.
A ex-Playmate contou que a imagem pública construída em torno de Hefner dificultava sua compreensão sobre o que acontecia dentro da mansão. Para Crystal Hefner, a admiração demonstrada pela mídia fazia com que ela questionasse a própria percepção. “Acho que sofri uma lavagem cerebral absoluta, mas não havia nada lá fora que me validasse. Então eu pensava que eu era a louca”, afirmou.
“Porque toda a mídia colocava o Hef em um pedestal tão alto que eu pensava: ‘Ok, se todos o veem como esse ser humano incrível e maior que a vida, deve haver algo de errado comigo’”, acrescentou. Crystal Hefner também declarou que chegou a defender o empresário mesmo quando se sentia isolada e impedida de manter normalmente o contato com integrantes de sua própria família.
Crystal Hefner expõe relação problemática com magnata
“Naquela época, eu meio que ficava do lado dele e… tipo, eu ia contra mim mesma enquanto ele me mantinha nesta casa dilapidada e nojenta, e eu não podia ver minha família”, relatou. “A noite de cinema era às seis horas, e esse é um horário cedo, e eu tinha que estar lá… então era meio que disfarçado o controle coercitivo, tipo: ‘Ah, essa é a hora da noite de cinema’. Ok, essa é a hora do meu toque de recolher e do meu controle”, declarou.
Ela afirmou que a rotina chegou a afetar atividades simples depois que deixou a propriedade. “Lembro-me de quando saí, quer dizer, foi preciso ele morrer para eu sair, mas, quando finalmente saí, nem sabia como ligar os faróis do meu carro porque estava sempre em casa antes do anoitecer”, disse. Crystal também afirmou que cerca de 70 funcionários acompanhavam a rotina da propriedade. Para ela, a presença constante de outras pessoas reforçava a sensação de vigilância vivenciada naquele ambiente.
Crystal começou a namorar Hugh Hefner aos 21 anos. Eles ficaram noivos em 2010, mas se separaram pouco antes da cerimônia prevista para 2011. Posteriormente, retomaram a relação e se casaram em 2012, quando o empresário tinha 86 anos. O casamento continuou até a morte do fundador da Playboy, em 2017. Depois disso, ela afirmou que encontrou dificuldades para deixar a propriedade e reorganizar sua vida.
“Eu estava tão confusa. Na mídia, ele foi velho por tanto tempo, então você apenas… você o vê como meio imortal”, afirmou. Crystal contou que permaneceu reclusa por semanas depois da morte. “Eu não conseguia ficar no quarto em que ficávamos, mas fiquei em um quarto da casa por cerca de seis semanas. Eu não saí”, declarou ao recordar aquele período.
Viúva escreveu livro sobre os bastidores da Playboy
No livro Only Say Good Things: Surviving Playboy and Finding Myself (2024), Crystal Hefner classificou a relação como emocionalmente abusiva e descreveu Hefner como alguém que podia ser “charmoso”, mas também “cruel”. A autora relatou cobranças relacionadas ao peso, às unhas, às roupas e aos cabelos. Segundo ela, existia ainda uma orientação para que carregasse o logotipo da Playboy em alguma peça usada no cotidiano.
“Com o passar de um pouco de tempo, ganhei um pouco de peso, e ele me disse que eu precisava tonificar. Depois, ele começou a me dizer quais cores de unhas eu poderia e não poderia usar. [Eu tinha que] usar camisas mais coloridas, usar ‘a bandeira’, que significa o logotipo da Playboy no meu corpo, em algum lugar da minha camisa”, escreveu.
“Eu tinha que tingir minhas raízes, descolorir minhas raízes. Se estivesse crescendo, ele dava um tapinha e mandava eu consertar”, acrescentou. “Quando me diziam o que vestir, o que fazer e para perder peso, eu pensava: ‘Vou ser melhor. Posso fazer melhor’”, declarou.
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