Vida fora da Terra? Astrônomos recebem sinal de rádio de um exoplaneta a 63,4 anos-luz da pela primeira vez
A astronomia acaba de registrar um feito que pode mudar a maneira como cientistas estudam mundos fora do Sistema Solar.
A astronomia acaba de registrar um feito que pode mudar a maneira como cientistas estudam mundos fora do Sistema Solar: pesquisadores identificaram um sinal de rádio proveniente diretamente do exoplaneta Beta Pictoris b, localizado a cerca de 63,4 anos-luz da Terra.
As emissões foram observadas com o radiotelescópio MeerKAT, na África do Sul, e indicam a existência de uma intensa atividade magnética associada a possíveis auroras.
O que os astrônomos encontraram no exoplaneta?
O Beta Pictoris b é um gigante gasoso descoberto em 2008 e possui aproximadamente 10 vezes a massa de Júpiter. Durante quatro sessões de observação realizadas entre 2025 e 2026, o MeerKAT registrou rajadas de rádio breves e recorrentes, além de uma emissão mais persistente.
As ondas apareceram entre 0,85 e 3,5 GHz e apresentaram forte polarização circular, uma característica compatível com emissões aurorais produzidas por campos magnéticos.
17 years of real footage of an exoplanet (Beta Pic b)
— Erika (@ExploreCosmos_) August 11, 2023
The longest time-lapse footage of an exoplanet to date, all made with real data. Beta Pictoris b is a 12 Jupiter mass planet orbiting its star at a distance of 10 AU on a near-edge in orbit. 1/ pic.twitter.com/QCOrBwSRoE
Como foi possível saber que o sinal de rádio de um exoplaneta?
O grande desafio era separar a emissão do planeta daquela produzida pela estrela Beta Pictoris. Para isso, os pesquisadores utilizaram quasares distantes como referências precisas de posicionamento, permitindo localizar a fonte das ondas junto ao exoplaneta.
Essa distinção é importante porque emissões de rádio já haviam sido observadas em sistemas com exoplanetas, mas anteriormente não era possível determinar de maneira inequívoca se elas vinham do planeta ou de sua estrela.
Astrônomos detectam pela primeira vez sinais de rádio vindos diretamente de um exoplaneta
— JAMES WEBB (@jameswebb_nasa) September 22, 2026
Astrônomos fizeram uma descoberta inédita na busca por compreender os mundos além do Sistema Solar. Pela primeira vez, uma emissão de rádio foi localizada diretamente em um exoplaneta, e… pic.twitter.com/HT15a2iTtB
O que as ondas de rádio revelam sobre o campo magnético?
Os dados apontam para um processo conhecido como instabilidade máser de ciclotron de elétrons, ou ECMI. O mecanismo ocorre quando partículas carregadas interagem com um campo magnético e liberam energia na forma de ondas de rádio, em um fenômeno relacionado às auroras terrestres e de Júpiter.
Os principais dados obtidos pelos pesquisadores ajudam a explicar por que a descoberta chamou tanta atenção:
Por que a descoberta desse sinal de rádio pode mudar o estudo dos exoplanetas?
A emissão de rádio oferece uma nova maneira de investigar propriedades que são extremamente difíceis de observar diretamente em mundos tão distantes. O campo magnético pode fornecer pistas sobre a estrutura interna, a dinâmica e o ambiente espacial desses planetas.
O estudo também identificou outros sete exoplanetas gigantes em cinco sistemas próximos que poderiam ser investigados pela mesma técnica. Para isso, porém, os radiotelescópios precisariam alcançar uma sensibilidade entre cinco e sete vezes maior.
Importante: o trabalho foi disponibilizado como preprint no arXiv e ainda está pendente de revisão por pares. Portanto, embora os resultados sejam expressivos, a confirmação independente será importante para consolidar a interpretação.

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