Vermes gigantes vivem sem depender diretamente da luz do Sol porque carregam bactérias que transformam sulfeto tóxico em energia no fundo do oceano
O verme não tem sistema digestivo funcional na fase adulta — toda a energia vem da atividade das bactérias internas

O que você vai ver
- O que é o Riftia e onde ele vive.
- Por que ele não se alimenta como um animal comum.
- Como as bactérias transformam sulfeto tóxico em energia.
- Como funciona a relação de simbiose entre o verme e as bactérias.
- Por que essa adaptação foi tão importante para a biologia.
No fundo do oceano, longe de qualquer luz solar, vermes gigantes conseguem sobreviver sem depender da fotossíntese graças a uma relação direta com bactérias capazes de transformar um composto tóxico em energia utilizável.
O que é o Riftia e onde ele vive?
Riftia é um verme gigante que vive junto a fontes hidrotermais no fundo do oceano, pontos onde água extremamente quente, rica em compostos químicos específicos, escapa do interior da crosta terrestre diretamente para o ambiente marinho profundo.
Esse ambiente, marcado por escuridão total e ausência completa de luz solar direta, tornaria inviável qualquer estratégia de sobrevivência baseada em fotossíntese, condição que obrigou o Riftia a desenvolver, ao longo da evolução, uma forma completamente diferente de obter energia para sustentar seu próprio organismo.
Deep-sea life truly is #WeirdandWonderful!
— MBARI (@MBARI_News) September 23, 2020
Towering colonies of giant tubeworms, Riftia pachyptila, reign over deep-sea hydrothermal vents.
Learn more about these and other incredible deep-sea creatures: https://t.co/m15z5vRWFM #WormWednesday pic.twitter.com/Bq7m7Jfzeh
Por que ele não se alimenta como um animal comum?
Diferente da maioria dos animais, que obtêm energia consumindo diretamente outros organismos ou material orgânico disponível no ambiente, o Riftia não possui sequer um sistema digestivo funcional na fase adulta, característica que o impede fisicamente de se alimentar da forma convencional observada na maioria dos animais.
Essa ausência de um sistema digestivo tradicional não representa uma limitação, mas sim parte de uma estratégia evolutiva completamente diferente, na qual o próprio corpo do verme se tornou um ambiente hospedeiro para outro organismo responsável por produzir a energia necessária à sua sobrevivência.
Como as bactérias transformam sulfeto tóxico em energia?
Segundo o Smithsonian, bactérias simbióticas vivem dentro do corpo do Riftia e usam compostos químicos liberados pelas fontes hidrotermais, incluindo o sulfeto, substância tóxica para a maioria dos organismos, como matéria-prima para produzir energia através de um processo conhecido como quimiossíntese.
Esse processo funciona como uma alternativa direta à fotossíntese, na qual, em vez de luz solar, a energia química liberada durante a transformação do sulfeto é capturada e convertida pelas bactérias em compostos que sustentam tanto o próprio metabolismo microbiano quanto, indiretamente, todo o organismo do verme hospedeiro.
Como funciona a relação de simbiose entre o verme e as bactérias?
O Riftia fornece às bactérias simbióticas um ambiente interno protegido, além de facilitar o acesso direto aos compostos químicos liberados pelas fontes hidrotermais, enquanto as bactérias, em troca, produzem a energia que sustenta as necessidades metabólicas do próprio verme.
Essa relação de simbiose é tão essencial para a sobrevivência do Riftia que substitui completamente a necessidade de um sistema digestivo convencional, tornando o verme inteiramente dependente da atividade química interna dessas bactérias para obter qualquer forma de energia utilizável.
A few time-lapses of the East Pacific Rise using Dan Fornari’s MISO camera stills and a python script by Dr. Lauren Dykman!
— Shawn Arellano (@LarvalLab) December 20, 2022
Crab fights and Riftia bloops! So much activity down here, even on the inactive vents.
#Biofilms4Larvae #marinebiology #NSFfunded pic.twitter.com/ou0RpprrpZ
Por que essa adaptação foi tão importante para a biologia?
A descoberta de organismos como o Riftia, capazes de sustentar toda uma cadeia biológica sem qualquer dependência direta da luz solar, ajudou a expandir significativamente o entendimento científico sobre os limites e as possibilidades da vida em ambientes extremos, tanto na Terra quanto, potencialmente, em outros corpos celestes.
Esse tipo de adaptação baseada em quimiossíntese, em vez de fotossíntese, reformulou parte da compreensão científica sobre quais condições são realmente necessárias para sustentar ecossistemas complexos, mostrando que a energia química liberada por processos geológicos pode, sozinha, sustentar formas de vida inteiras em completa escuridão.
- Riftia vive junto a fontes hidrotermais no fundo do oceano, em completa escuridão.
- Não possui sistema digestivo funcional, diferente da maioria dos animais.
- Bactérias simbióticas internas transformam sulfeto tóxico em energia por quimiossíntese.
- Essa relação sustenta o verme sem qualquer dependência direta da luz solar.
Organismos que sustentam ecossistemas inteiros sem depender da luz solar também aparecem em outros relatos do fundo do mar, como o caso do caranguejo-yeti, que cultiva bactérias nos próprios braços perto de fontes hidrotermais.
Mais detalhes sobre o Riftia estão disponíveis no site oficial do Smithsonian.
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