Vênus e a Terra formaram-se a partir de matéria-prima semelhante, praticamente na mesma época, e são quase idênticos em tamanho — no entanto, um tornou-se um mundo vivo de oceanos e florestas, enquanto o outro virou um ermo a 465 graus, quente o suficiente para derreter chumbo
Vênus e a Terra começaram iguais mas seguiram caminhos bem diferentes
Os planetas Vênus e a Terra nasceram na mesma época, compartilham praticamente o mesmo tamanho e foram moldados com matérias-primas parecidas no início do Sistema Solar. No entanto, enquanto a nossa casa se transformou em um paraíso cheio de oceanos e florestas, o nosso vizinho de órbita virou um verdadeiro deserto infernal com temperaturas que passam dos 460 graus Celsius.
Quão parecidos são os tamanhos desses dois mundos vizinhos?
Se você olhar a estrutura interna de ambos, o susto é real porque eles são quase gêmeos idênticos por dentro. Os dados oficiais divulgados pela agência espacial NASA revelam que o diâmetro equatorial do nosso planeta é de 12.756 quilômetros, enquanto o do nosso vizinho mede cerca de 12.104 quilômetros.
Até mesmo a composição interna bate de frente em vários pontos fundamentais da geologia espacial. Ambos possuem um núcleo feito de ferro envolvido por um manto rochoso e uma crosta externa fina, mostrando que o destino cruel do vizinho não teve nada a ver com o seu tamanho bruto inicial.

Como o vizinho virou um verdadeiro inferno derretedor de chumbo?
A grande culpa desse cenário caótico é do chamado efeito estufa desenfreado que tomou conta da atmosfera de lá com o passar dos milênios. Como o planeta fica mais perto do Sol, a 0,72 unidades astronômicas de distância, as temperaturas mais altas fizeram com que toda a água evaporasse e subisse para o ar.
Esse vapor acumulado acabou retendo ainda mais calor em um ciclo destrutivo que nunca mais parou de crescer. Hoje, a atmosfera daquele mundo é uma cortina pesada de dióxido de carbono com nuvens de ácido corrosivo, gerando uma pressão na superfície 93 vezes maior do que a pressão do nível do mar aqui na Terra.
Por que o nosso planeta conseguiu escapar desse destino trágico?
A grande jogada da nossa sobrevivência ao longo de 4,6 bilhões de anos foi a forma como os nossos elementos naturais interagem. Por aqui, nós temos um ciclo ativo que ajuda a movimentar o carbono, impedindo que o gás fique preso para sempre no ar sufocando a superfície.
O dióxido de carbono do nosso céu consegue se dissolver na água da chuva e dos oceanos, reagindo com as rochas e ficando preso em minerais no fundo do mar. A movimentação constante da tectônica de placas ajuda a reciclar esse material com o interior do planeta, funcionando como um termostato natural de longo prazo.
O que as antigas missões espaciais encontraram ao pousar lá?
Conseguir tocar o chão daquele ambiente é uma das tarefas mais difíceis da exploração cósmica atual. As antigas sondas soviéticas da série Venera, que tentaram o pouso entre as décadas de 1960 e 1980, aguentaram trabalhar por apenas alguns minutos ou poucas horas antes de serem esmagadas e derretidas.
Apesar do pouco tempo de vida útil dos robôs no solo, os cientistas conseguiram coletar dados visuais importantes sobre a geografia daquele mundo:
- Fotografias revelaram uma paisagem rochosa, deserta e coberta por um céu amarelado bem denso.
- O mapeamento posterior feito pelo radar da sonda norte-americana Magellan encontrou planícies vulcânicas imensas.
- Foram identificadas montanhas deformadas e várias crateras de impactos espalhadas por quase todo o terreno.

Quais são os novos planos da ciência para estudar esse planeta?
Os astrônomos estão preparando uma grande volta ao planeta vizinho com novos projetos tecnológicos bem modernos para tentar desvendar o passado da região. Duas novas missões estão sendo desenhadas nos laboratórios internacionais com objetivos bem claros para os próximos anos de estudo.
A missão chamada DAVINCI vai descer de paraquedas cortando o céu para medir a química exata daqueles gases venenosos de perto. Ao mesmo tempo, o projeto VERITAS vai usar radares potentes para criar um mapa em alta definição do relevo, ajudando a entender se o planeta já teve oceanos parecidos com os nossos.
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