Uma varredura do espaço profundo revela dezenas de galáxias anãs que haviam passado despercebidas em levantamentos anteriores
Olhar humano acha 47 galáxias anãs fantasmas perdidas no espaço
As galáxias anãs fantasmas acabam de provar que a inteligência das máquinas ainda não supera totalmente o talento humano na hora de mapear o universo. Três especialistas vasculharam imagens do espaço profundo e acharam dezenas de grupos estelares que os softwares automáticos deixaram passar batido.
Por que os sistemas automáticos pularam essas galáxias anãs fantasmas?
O grande vilão para os softwares de varredura espacial é o nível muito baixo de brilho superficial que esses objetos emitem para nós. A luz dessas galáxias é tão espalhada e difusa que os pixels não conseguem se destacar muito do fundo escuro do espaço cósmico.
Como as máquinas são programadas para focar em corpos celestes com alto contraste e formato bem definido, elas acabam misturando essa luz suave com o resto do cenário. É exatamente aí que o olho humano treinado entra em cena, já que nós conseguimos notar formatos difusos e apagados com mais facilidade.

Como a equipe de astrônomos fez essa caçada manual no céu?
Tudo começou com o projeto espacial VST-SMASH, que usou as imagens captadas pelo VLT Survey Telescope no Observatório Paranal, situado no Chile. Os pesquisadores assumiram a missão raiz de escanear visualmente uma área de 2,6 graus quadrados para caçar qualquer borrão luminoso suspeito na tela.
Abaixo você compara o placar exato dos achados dessa nova pesquisa com o que tínhamos antes.
Qual é a principal diferença entre os dois métodos de varredura?
A busca visual feita por humanos troca um tipo de erro por outro, já que os cientistas evitam propositalmente fontes minúsculas para não se confundirem com itens no fundo distante. Mesmo assim, os humanos dão um banho nas máquinas quando o assunto é identificar estruturas soltas que não seguem regras rígidas de limite de imagem.
A pesquisa original mostra que o trabalho final uniu o melhor dos dois mundos em prol da astronomia. Após as pessoas acharem os alvos com sucesso, o software de análise assumiu a bronca para medir o brilho exato e bloquear a luz de estrelas intrusas no fundo.
Onde esses corpos celestes misteriosos estão agrupados pelo universo?
A maior parte dessas candidatas recém-encontradas está passeando pelos arredores de três galáxias maiores, conhecidas como NGC 5068, NGC 5084 e NGC 5087. Essa imensa vizinhança intergaláctica fica posicionada bem nas bordas do famoso Superaglomerado de Virgem, uma área lotada de astros.
Separamos os traços visuais mais marcantes que os profissionais notaram durante essa análise aprofundada.
- Cerca de três quartos do grupo possuem um visual bem liso e arredondado nas pontas.
- Aproximadamente 10 delas apresentam braços sutis, pequenos caroços centrais ou formato irregular.
- A limitação de resolução da imagem na Terra afeta a percepção do tamanho real de cada estrutura.
Quais são os próximos passos para decifrar essa região cósmica?
A distância exata de quase todas essas candidatas espaciais ainda é um enorme mistério que precisa ser resolvido pela comunidade acadêmica nos próximos anos. Sem bater o martelo sobre a profundidade verdadeira delas, fica completamente impossível definir o volume ou a massa dessas estruturas vizinhas.
A próxima etapa envolve cruzar todas essas informações visuais com as imagens super nítidas feitas pelo telescópio espacial Euclid. Essa união de forças vai ajudar a cravar quais desses borrões escuros realmente formam famílias com as galáxias gigantes, organizando o nosso mapa cósmico definitivo de uma vez por todas.
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