Uma rede de supermercados do Nordeste fechou 28 lojas e cortou 6.673 empregos em um único trimestre, todas as unidades encerradas eram da bandeira de eletrodomésticos, e o movimento atingiu seis estados ao mesmo tempo
Grupo Mateus fecha 28 lojas de eletro em 6 estados e corta 6.673 empregos em um trimestre: quadro de pessoal cai mais de 13%
🏬 28 lojas fechadas e 6.673 empregos cortados em 3 meses
O Grupo Mateus, uma das maiores redes varejistas do Norte e Nordeste, encerrou todas as unidades da bandeira de eletrodomésticos em seis estados simultaneamente. O corte no quadro de funcionários ultrapassou 13% em um único trimestre. ⬇️
Os números do balanço do primeiro trimestre de 2026 da rede varejista maranhense impressionaram o mercado pela dimensão do enxugamento. O Grupo Mateus (GMAT3), que opera supermercados, atacarejos e lojas de eletrodomésticos em boa parte do Norte e do Nordeste, reduziu o quadro de funcionários de 47,9 mil para 41,2 mil em apenas três meses. Foram 6.673 postos eliminados. Ao mesmo tempo, 28 unidades da bandeira de eletro foram fechadas em seis estados: Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia.
O que levou a rede a fechar todas as lojas de eletrodomésticos?
A decisão faz parte de uma reestruturação operacional que começou ainda em 2025. O grupo enfrentava uma combinação de fatores desfavoráveis: deflação de alimentos que comprimia a receita, crédito ao consumidor mais restrito, endividamento crescente das famílias e juros elevados que reduziram o apetite por bens duráveis como geladeiras, fogões e televisores.
A bandeira de eletro vinha apresentando margens mais apertadas do que as operações de atacarejo e supermercado. O presidente do conselho de administração da companhia, Ilson Mateus Rodrigues, confirmou na teleconferência de resultados que novas reduções de despesas estão previstas, mas não envolvem mais cortes de pessoal. A prioridade agora é concentrar esforço e capital nas operações de varejo alimentar, onde a rede mantém presença dominante na região.

Qual o tamanho do impacto nos seis estados atingidos?
O fechamento simultâneo de 28 unidades em seis estados nordestinos e no Pará gerou um efeito em cascata nos mercados locais. Funcionários de loja, estoquistas, vendedores e equipes de entrega foram desligados ao mesmo tempo, em cidades onde a rede varejista costumava ser um dos maiores empregadores privados.
O balanço divulgado em 14 de maio de 2026 revelou que a retração nas vendas em mesmas lojas chegou a 7,3% no trimestre, um recuo expressivo que reflete tanto a conjuntura econômica quanto a decisão estratégica de reduzir o chamado canal “Balcão”, que operava dentro das próprias unidades.
- Maranhão e Pará concentravam o maior número de unidades fechadas, por serem os estados de origem da rede.
- Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia tiveram lojas encerradas conforme a empresa priorizou mercados onde o atacarejo tem maior rentabilidade.
- Quatro novas unidades foram inauguradas no mesmo período, todas no formato de atacarejo ou supermercado.
Os problemas do grupo começaram antes desse trimestre?
Sim. A rede supermercadista já vinha enfrentando dificuldades desde o segundo semestre de 2025. No balanço do terceiro trimestre daquele ano, a companhia revelou um erro contábil de R$ 1,1 bilhão em estoques superavaliados no balanço patrimonial de 2024. O ajuste reduziu o patrimônio líquido em quase R$ 695 milhões e abalou a confiança do mercado.
O problema de estoques não era novo. Em 2021, a auditoria Grant Thornton já havia identificado 42 deficiências moderadas nos controles internos da empresa. A combinação de erros contábeis acumulados com um cenário macroeconômico adverso acelerou a necessidade de reestruturação e trouxe o grupo ao momento atual de encolhimento operacional.
A estratégia de corte resolve ou apenas adia o problema?
Analistas do mercado financeiro estão divididos. A XP Investimentos avaliou que, embora a empresa esteja ajustando sua estrutura a um cenário de receita mais fraca, a combinação de resultados insatisfatórios com ambiente macro pressionado reforça a cautela dos investidores. A decisão de não divulgar mais as vendas por canal também dificulta a projeção de desempenho futuro.
Por outro lado, o Itaú BBA destacou como ponto positivo a geração de caixa de cerca de R$ 250 milhões no trimestre, acima das expectativas. Os estoques estão mais enxutos e o capital de giro ficou mais saudável após os ajustes. Ainda assim, o banco projeta que o curto prazo continuará desafiador e que a melhora operacional só deve aparecer no segundo semestre de 2026.
- A rede reduziu 9% do quadro de pessoal apenas entre setembro e dezembro de 2025, antes do corte adicional no primeiro trimestre.
- A receita líquida cresceu 13% na comparação anual, mas ficou 8% abaixo das projeções da XP.
- A margem de EBITDA ajustado caiu 30 pontos-base na comparação trimestral, indicando que os cortes ainda não compensaram a perda de receita.
- Quatro casas de análise cobrem o papel: três recomendam compra e uma mantém posição neutra.
O que a reestruturação significa para os consumidores e para o emprego na região?
Para o consumidor do Norte e do Nordeste, a principal consequência imediata é a redução da oferta de eletrodomésticos em cidades onde a rede era a principal opção. Quem comprava geladeira ou fogão na loja da bandeira precisará buscar alternativas. Para os funcionários demitidos, a busca por recolocação acontece num momento em que o mercado de trabalho regional absorve choques com mais dificuldade.
Se você trabalhou em alguma das unidades fechadas, verifique se todos os direitos rescisórios foram pagos corretamente e procure o sindicato da sua região para acompanhar as negociações coletivas. Em reestruturações dessa escala, cada documento conta.
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