Uma porta que não leva a lugar algum aparece em tumba de 4 mil anos no Egito junto de mais de 100 pequenas figuras funerárias
Escavações revelaram a capela de um alto funcionário, poços funerários reutilizados e dezenas de objetos preservados em Saqqara
Uma abertura de pedra preservada dentro de uma capela funerária em Saqqara parece uma passagem, mas foi construída para nunca ser atravessada fisicamente. A tumba de Saqqara pertencia a Sekhentyu-Ptah, um alto funcionário do Reino Antigo, e sua falsa porta permaneceu no lugar original. Nas proximidades, arqueólogos encontraram poços reutilizados em épocas posteriores, restos humanos, sarcófagos e mais de 100 pequenas figuras de faiança.
Quem era o homem enterrado nessa tumba de Saqqara?
Inscrições hieroglíficas identificaram o proprietário como Sekhentyu-Ptah. Seus títulos incluíam camareiro real, supervisor das obras do rei, responsável por documentos reais, guardião de segredos relacionados a decretos, supervisor dos escribas e sacerdote da deusa Maat.
O conjunto mostra que ele ocupava posição elevada na burocracia do Reino Antigo, período aproximadamente entre 2686 e 2181 a.C. A tumba foi descoberta a oeste da necrópole do Bubasteion durante a primeira temporada de escavações do setor investigado pela missão arqueológica egípcia.
Por que os egípcios construíam uma porta que não podia ser aberta?
A chamada falsa porta era um elemento religioso, e não uma entrada arquitetônica comum. Nas tumbas egípcias, funcionava simbolicamente como ponto de comunicação entre o mundo dos vivos e o domínio do morto, diante do qual podiam ser realizadas oferendas e rituais funerários.
No caso de Sekhentyu-Ptah, arqueólogos encontraram diante dela um conjunto de objetos de alabastro ainda relacionado ao contexto ritual original. Havia mesa e disco de oferendas, recipiente para purificação, jarro e bacia, vários deles inscritos com o nome e os títulos do funcionário.
- Falsa porta preservada em sua posição original;
- Objetos rituais de alabastro;
- Inscrições com nome e títulos;
- Mesa destinada às oferendas;
- Recipientes associados à purificação.
Este vídeo mostra outras tumbas de altos funcionários descobertas em Saqqara e ajuda a visualizar o contexto arqueológico da necrópole.
O que apareceu nos poços ao redor da tumba de Saqqara?
A investigação não terminou na capela de Sekhentyu-Ptah. Os arqueólogos localizaram uma rede interligada de poços funerários contendo numerosos sepultamentos humanos, grandes quantidades de cartonagem funerária pintada e diferentes objetos depositados junto aos mortos.
Entre os achados estavam três sarcófagos de pedra ainda fechados em suas posições originais, uma figura de madeira em forma de falcão e vasos cerâmicos. Algumas câmaras, entretanto, haviam sido violadas na Antiguidade, e ladrões chegaram a abrir passagens entre espaços funerários.
As mais de 100 pequenas figuras pertenciam ao mesmo período da tumba?
Não necessariamente. Esse é um detalhe importante porque Saqqara foi utilizada repetidamente durante milhares de anos. A tumba de Sekhentyu-Ptah pertence ao Reino Antigo, mas muitos materiais encontrados nos poços associados representam reutilizações funerárias realizadas em períodos posteriores.
O anúncio do Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito informa que os mais de 100 ushabtis de faiança ajudam especialmente a investigar práticas funerárias do Período Tardio e fases posteriores de reutilização da necrópole.

O que os achados mostram sobre a longa história da tumba de Saqqara?
Os ushabtis eram pequenas figuras funerárias destinadas, em diferentes períodos da história egípcia, a executar simbolicamente trabalhos em benefício do morto no além. A quantidade encontrada mostra como a mesma área funerária recebeu novos sepultamentos muito depois da construção original da capela.
Os materiais preservados também permitem separar diferentes fases arqueológicas. A posição dos objetos, as inscrições, a arquitetura dos poços e os vestígios de saques ajudam os pesquisadores a reconstruir quando determinados espaços foram construídos, reutilizados ou invadidos.
| Achado | Informação principal |
|---|---|
| Falsa porta | Permaneceu no local original |
| Ushabtis | Mais de 100 exemplares de faiança |
| Sarcófagos | Três encontrados ainda fechados |
| Poços | Rede com múltiplos sepultamentos |
Por que essa descoberta é importante para compreender Saqqara?
A relevância não está apenas na beleza dos objetos. Encontrar elementos rituais próximos de sua posição original permite reconstruir com maior segurança como uma capela funerária do Reino Antigo era utilizada e quais cerimônias estavam associadas à memória de um funcionário da elite.
Ao mesmo tempo, os poços posteriores mostram que Saqqara permaneceu um espaço funerário importante durante diferentes épocas. Mesmo saqueada parcialmente na Antiguidade, a área preservou uma sequência arqueológica capaz de revelar como crenças, objetos funerários e formas de sepultamento mudaram ao longo da história egípcia.
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