Uma pena apareceu dentro de fezes fossilizadas de dinossauro e pode ajudar a explicar por que algumas aves atravessaram a extinção em massa
Um coprólito de 66 milhões de anos guardava penas, ossos e escamas de peixe que ajudam a explicar por que certas aves sobreviveram à extinção

O que você vai ver
- Onde e quando o coprólito com a pena foi encontrado.
- O que os escaneamentos revelaram dentro do fóssil.
- Qual animal provavelmente produziu as fezes fossilizadas.
- Por que a estrutura da pena pode explicar a sobrevivência de aves.
- O que ainda falta para confirmar essa hipótese.
Um fóssil de fezes de dinossauro guardou, por 66 milhões de anos, uma pena que pode ajudar a explicar por que algumas linhagens de aves sobreviveram ao impacto do asteroide que extinguiu os dinossauros não avianos.
Onde o coprólito foi encontrado?
O coprólito foi coletado em 2016 na Formação Hell Creek, em Montana, nos Estados Unidos, pelo paleontólogo David DeMar Jr., do Burke Museum; uma rachadura na superfície do fóssil expôs uma única pena, achado que levou a equipe a investigar o restante da amostra com mais profundidade.
Hell creek formation painting! (for @/CrocodyliaOffic) https://t.co/wnfobRrxaz
— Literally Miguel 🇻🇪💥🔫 (@LiterallyMiguel) September 17, 2026
O que os escaneamentos revelaram?
Exames de microtomografia computadorizada (micro-CT) mostraram, dentro do próprio coprólito, outras penas, ossos de perna e escamas de peixe, estas últimas interpretadas como restos da última refeição da ave antes de ser devorada.
Qual dinossauro produziu as fezes?
O coprólito é atribuído a um grande predador carnívoro, possivelmente um T. rex jovem ou um Nanotyrannus, embora o animal exato que o produziu não tenha sido identificado com certeza; já a ave engolida pertencia a um grupo extinto de aves aquáticas primitivas, os hesperornitiformes.
Por que isso pode explicar a sobrevivência das aves?
Algumas das penas preservadas se pareciam com as de aves modernas, enquanto outras eram mais primitivas e filamentosas, estrutura que, segundo os pesquisadores, pode ter dificultado a retenção de calor corporal e tornado essas aves mais vulneráveis ao frio extremo que se seguiu ao impacto do asteroide, ao contrário da linhagem que deu origem às aves atuais.

O que falta para confirmar a hipótese?
Os próprios autores do estudo, publicado na revista Current Biology, reconhecem que a ideia ainda é uma hipótese, já que penas fossilizadas desse período são extremamente raras; mais achados semelhantes, de diferentes espécies de aves da época, seriam necessários para testar se a estrutura das penas realmente influenciou quem sobreviveu à extinção em massa.
Fósseis raros que preservam detalhes do comportamento de animais pré-históricos também aparecem na reportagem sobre a missão que investiga se um buraco na Lua esconde uma caverna gigante.
Mais detalhes sobre a pesquisa estão disponíveis na reportagem original da Universidade de Washington.
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