Uma onda de 18,3 metros apareceu no oceano quando os ventos eram de apenas 15 nós, e casos assim ajudaram a transformar antigas histórias de marinheiros em um problema real da oceanografia
Medições modernas confirmaram que paredes inesperadas de água podem surgir muito acima das ondas ao redor e continuam difíceis de prever
Durante séculos, relatos de marinheiros sobre paredes de água surgindo inesperadamente no oceano pareciam exagerados. Hoje, as ondas gigantes são um fenômeno reconhecido pela ciência, e uma imagem divulgada pela NOAA mostra um caso estimado em 18,3 metros no Gulf Stream enquanto os ventos de superfície sopravam a apenas 15 nós.
Como as ondas gigantes passaram de histórias de marinheiros para um fenômeno científico?
Marinheiros relatavam havia séculos ondas muito maiores que o mar ao redor, capazes de atingir navios como paredes quase verticais de água. Durante muito tempo, porém, faltavam medições instrumentais confiáveis, e parte da comunidade científica considerava muitos desses episódios exageros ou interpretações equivocadas.
Essa visão mudou especialmente depois que instrumentos instalados no mar começaram a registrar eventos extremos. Um marco ocorreu em 1º de janeiro de 1995, quando a plataforma Draupner, no Mar do Norte, mediu uma onda de aproximadamente 25,6 metros, fornecendo uma das primeiras evidências instrumentais inequívocas do fenômeno.
O que faz uma onda ser classificada como realmente extrema?
O tamanho absoluto não é o único critério. A NOAA explica que ondas extremas, frequentemente chamadas de rogue waves em inglês, apresentam altura superior a duas vezes a das ondas ao redor. Por isso, uma onda excepcional dentro de um mar relativamente moderado pode ser mais anômala do que outra maior em uma tempestade muito intensa.
Algumas características associadas a esses eventos são.
- Altura superior a duas vezes a das ondas circundantes.
- Surgimento inesperado dentro de um determinado estado do mar.
- Paredes de água muito íngremes e vales profundos.
- Possibilidade de chegada por direção diferente das ondas predominantes.
O vídeo da Physics Girl, exibido também pela PBS, é dedicado especificamente à ciência das rogue waves. Ele aborda o antigo ceticismo, o registro da Draupner e mecanismos físicos estudados para explicar como ondas excepcionalmente grandes podem surgir no oceano.
Como ondas gigantes podem surgir quando o vento parece relativamente fraco?
A fotografia divulgada pela NOAA registra uma onda estimada em 60 pés, ou 18,3 metros, no Gulf Stream, próximo a Charleston, na Carolina do Sul. Segundo a instituição, os ventos de superfície estavam leves, em aproximadamente 15 nós, quando o fenômeno ocorreu.
Isso não significa que aquele vento produziu sozinho uma onda de 18 metros naquele instante. O estado do mar resulta de energia acumulada anteriormente e de ondas geradas em outras regiões. Correntes oceânicas, diferentes sistemas de ondas e interações entre elas também podem concentrar energia e produzir condições extremas.
| Fator | Como pode favorecer extremos |
|---|---|
| Superposição | Cristas podem se combinar temporariamente |
| Correntes | Podem comprimir e tornar ondas mais íngremes |
| Direções diferentes | Sistemas de ondas podem interagir |
| Não linearidade | Energia pode se concentrar entre ondas |
Existe uma única explicação para o aparecimento dessas ondas?
Não. A formação depende das condições oceânicas, e diferentes mecanismos podem atuar isoladamente ou em conjunto. A superposição de ondas pode produzir temporariamente uma crista excepcional, enquanto determinadas correntes marítimas conseguem reduzir o comprimento das ondas que se propagam contra elas e aumentar sua inclinação.
Interações não lineares também são estudadas porque podem transferir energia entre ondas de maneiras que modelos simplificados não descrevem completamente. A ciência avançou muito desde os primeiros registros instrumentais, mas prever exatamente onde e quando uma onda extrema aparecerá continua sendo difícil.

Por que as ondas gigantes representam um risco diferente de uma tempestade comum?
Um navio pode ser projetado para enfrentar mares severos, mas uma onda muito maior que aquelas predominantes impõe cargas excepcionais em uma área e em um intervalo de tempo pequenos. Além da altura, a inclinação da parede de água e o vale que pode antecedê-la aumentam o impacto estrutural.
A NOAA explica o fenômeno das ondas extremas destacando justamente sua imprevisibilidade e a possibilidade de surgirem de direções diferentes das condições predominantes. Por isso, compreender sua frequência interessa à engenharia naval, à navegação e às estruturas offshore.
O registro de 18,3 metros prova que todo mar aparentemente calmo pode produzir uma onda monstruosa?
Não. O dado dos 15 nós descreve apenas o vento de superfície no momento daquele registro e não significa que qualquer oceano com vento fraco possa gerar espontaneamente uma parede de 18 metros. As condições anteriores, o campo de ondas e as correntes também precisam ser considerados.
O caso é importante justamente porque mostra como olhar apenas para o vento local pode ser enganoso. As antigas histórias de marinheiros não provaram sozinhas a existência dessas ondas, mas medições, fotografias, plataformas instrumentadas e satélites acabaram mostrando que algumas dessas narrativas descreviam um perigo físico muito real.
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