Uma lula transparente carrega amônia dentro do corpo para flutuar e espalha pontos de pigmento como camuflagem no oceano profundo
Essa estratégia de flutuação difere de mecanismos mais comuns, como bexigas natatórias cheias de gás

O que você vai ver
- Como a amônia ajuda a lula-de-vidro a flutuar.
- Por que carregar amônia é uma solução incomum entre animais marinhos.
- Como cromatóforos em pontos funcionam como camuflagem.
- Para que servem os grandes olhos da lula-de-vidro.
- Por que essas adaptações formam um conjunto coerente de sobrevivência.
Uma lula praticamente transparente carrega soluções de amônia dentro do próprio corpo para se manter flutuando no oceano profundo, enquanto espalha pontos de pigmento pela superfície do corpo como estratégia de camuflagem.
Como a amônia ajuda a lula-de-vidro a flutuar?
Segundo o Smithsonian, a lula-de-vidro conhecida como cockatoo squid mantém soluções de amônia dentro do corpo, líquido que ajuda a sustentar tanto sua forma quanto sua capacidade de flutuação em meio à coluna d’água do ambiente onde vive.
Essa estratégia de flutuação baseada em amônia elimina a necessidade de estruturas mais pesadas ou de movimento constante para se manter na profundidade desejada, já que a densidade da solução interna ajuda a equilibrar o peso do corpo em relação à água ao redor, permitindo que o animal permaneça suspenso com menor esforço.
This is a cockatoo squid! It’s a type of cranchiid squid.
— Sarah McAnulty, Ph.D (@SarahMackAttack) September 23, 2022
You might think “Oh nice! It’s see-through! Must be a reasonable size!”
Lol, nope!
This one may have been a reasonable size, but they can get uhh. Ginormous?
Up to 4 meters 🫣
Happy #Squidtember!
📷: @MBARI_News pic.twitter.com/6F12k55E5j
Por que carregar amônia é uma solução incomum entre animais marinhos?
Diferentemente de outros mecanismos de flutuação mais comuns entre animais marinhos, como bexigas natatórias cheias de gás, a solução baseada em amônia da lula-de-vidro representa uma abordagem quimicamente distinta para resolver o mesmo problema de sustentação na coluna d’água.
Essa diferença de mecanismo reflete adaptações específicas ao estilo de vida da espécie, já que manter soluções de amônia dentro do corpo exige tolerância fisiológica a uma substância que, em outras circunstâncias, poderia ser tóxica em concentrações elevadas para diversos organismos.
Como cromatóforos em pontos funcionam como camuflagem?
A lula-de-vidro apresenta cromatóforos organizados em pontos distribuídos pela superfície do corpo, células responsáveis por controlar a distribuição de pigmento e que, ao serem ativadas seletivamente, ajudam o animal a alterar sua aparência visual conforme necessário.
Essa distribuição de pigmento em pontos, em vez de uma coloração uniforme, permite à lula-de-vidro ajustar sua aparência de forma mais sutil e localizada, estratégia de camuflagem que complementa diretamente a transparência natural do corpo do animal no ambiente escuro do oceano profundo.
Para que servem os grandes olhos da lula-de-vidro?
Os grandes olhos da lula-de-vidro completam o conjunto de adaptações do animal à vida em profundidade, estrutura ocular ampliada que maximiza a captação de qualquer luz disponível num ambiente onde a luminosidade natural é extremamente escassa ou completamente ausente.
Essa ampliação ocular é particularmente relevante considerando a combinação com a transparência corporal e os cromatóforos em pontos, já que olhos maiores permitem à lula-de-vidro detectar tanto potenciais ameaças quanto presas em condições de luminosidade mínima, complementando as demais estratégias de sobrevivência do animal.
It's a cockatoo #squid (Cranchiidae)! Filmed by Global Explorer ROV at 527 m (1,729 ft) depth along Gulf of Alaska continental slope during Gulf of Alaska Seamounts 2019 expedition. Pretty, huh?
— NOAA Ocean Exploration (@oceanexplorer) August 1, 2019
For more from expedition, visit: https://t.co/cNfi7xmh4B pic.twitter.com/j88TzjZt4d
Por que essas adaptações formam um conjunto coerente de sobrevivência?
A combinação entre flutuação por amônia, camuflagem por cromatóforos em pontos e grandes olhos adaptados à baixa luminosidade forma um conjunto coerente de adaptações que, juntas, permitem à lula-de-vidro sobreviver especificamente nas condições extremas do oceano profundo.
Essa integração entre diferentes mecanismos, cada um resolvendo um desafio específico do ambiente, como sustentação, camuflagem e percepção visual, demonstra como a lula-de-vidro desenvolveu uma solução evolutiva multifacetada em vez de depender de uma única adaptação isolada para lidar com as exigências da vida em grandes profundidades.
- A lula-de-vidro mantém soluções de amônia no corpo para sustentar sua flutuação.
- Essa estratégia difere de mecanismos mais comuns, como bexigas natatórias cheias de gás.
- Cromatóforos organizados em pontos ajudam na camuflagem do animal transparente.
- Grandes olhos completam o conjunto de adaptações à vida em condições de baixa luminosidade.
Adaptações que combinam múltiplos mecanismos de sobrevivência também aparecem em outros relatos, como o caso dos polvos-dumbo, que combinam nadadeiras, braços membranados e jatos de água para se deslocar a quase 4 mil metros de profundidade.
Mais detalhes sobre a lula-de-vidro estão disponíveis no site oficial do Smithsonian.
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