Uma floresta de cerca de 47.000 troncos em Utah é geneticamente uma única árvore: Pando ocupa 43 hectares e pesa 5,8 milhões de kg porque todos os caules brotam do mesmo sistema de raízes
Milhares de caules geneticamente idênticos surgem de um antigo clone de álamo-tremedor que ocupa cerca de 43 hectares em Utah
À primeira vista, parece uma floresta comum de álamos espalhada pelas montanhas de Utah, nos Estados Unidos. A realidade está principalmente escondida sob o solo: a árvore Pando ocupa cerca de 43 hectares e seus milhares de caules pertencem a um enorme organismo clonal que se expande por meio de suas raízes.
Por que a árvore Pando é considerada um único organismo?
Pando é um clone de álamo-tremedor-americano (Populus tremuloides) localizado na Fishlake National Forest, no centro-sul de Utah. Em vez de representar milhares de árvores independentes, seus caules visíveis, chamados de rametes, apresentam essencialmente a mesma identidade genética e derivam de um clone original.
Análises genéticas confirmaram aquilo que pesquisadores já suspeitavam pela aparência e pelo padrão de crescimento do bosque. Por isso, a imagem de uma “floresta de uma árvore só” é biologicamente defensável, embora cada tronco tenha sua própria copa e possa morrer independentemente dos demais.
Como uma única planta conseguiu produzir dezenas de milhares de troncos?
O segredo está na reprodução vegetativa. O álamo-tremedor consegue emitir brotações a partir de suas raízes, produzindo novos caules sem depender de uma nova semente para cada tronco. Esse mecanismo é conhecido como formação de rebentos radiculares e permite que o clone ocupe progressivamente uma área extensa.
Os números normalmente associados a Pando ajudam a visualizar sua escala.
- Área aproximada de 43 hectares.
- Mais de 40 mil caules atualmente reconhecidos.
- Estimativas históricas próximas de 47 mil rametes.
- Massa calculada em quase 5,9 milhões de quilos.
O vídeo oficial indicado pelo próprio Serviço Florestal dos Estados Unidos apresenta o clone na Fishlake National Forest e explica sua estrutura, dimensão e os trabalhos realizados para conservar o organismo.
Quanto realmente mede e pesa a árvore Pando?
A estimativa clássica situa o clone em cerca de 106 acres, equivalentes a aproximadamente 43 hectares. Um levantamento divulgado pela Utah State University cita mais de 47 mil caules geneticamente idênticos e massa estimada em 13 milhões de libras, ou aproximadamente 5,9 milhões de quilos.
O Serviço Florestal dos Estados Unidos atualmente adota linguagem um pouco mais cautelosa, falando em mais de 40 mil caules e quase 13 milhões de libras. Essa diferença não representa uma contradição importante, mas mostra que números sobre um organismo vivo e em transformação devem ser tratados como estimativas.
| Característica | Estimativa |
|---|---|
| Área | Cerca de 43 hectares |
| Caules | Mais de 40 mil |
| Massa | Quase 5,9 milhões de kg |
| Espécie | Populus tremuloides |
Todos os 47 mil troncos continuam ligados pelas mesmas raízes?
A frase de que todos os troncos estão conectados por uma única rede contínua de raízes ajuda a explicar Pando, mas simplifica a realidade subterrânea. O que está estabelecido é que os rametes pertencem ao mesmo clone e surgiram de um sistema de reprodução radicular compartilhado ao longo de sua história.
Partes desse sistema podem morrer, fragmentar-se ou perder conexões físicas enquanto outras permanecem ativas. Portanto, a identidade de Pando não depende de cada um dos milhares de caules estar hoje fisicamente conectado a todos os demais por raízes intactas.

Quantos anos pode ter a árvore Pando?
Determinar sua idade é muito mais difícil do que medir sua área. Os caules visíveis não têm a idade do clone inteiro: alguns indivíduos podem ultrapassar 100 anos, morrer e posteriormente ser substituídos por novas brotações produzidas pelas raízes.
O próprio Serviço Florestal afirma que não existe uma forma precisa de calcular a idade do sistema radicular e associa sua origem ao período próximo ao fim da última era glacial. Assim, números específicos de milhares ou dezenas de milhares de anos encontrados em diferentes fontes devem ser tratados como estimativas, e não como uma idade comprovada.
Como um organismo tão gigantesco pode estar ameaçado?
Pando consegue substituir caules antigos por novos rebentos, mas esse ciclo depende de as brotações jovens sobreviverem. Pesquisadores observaram dificuldades de regeneração em diferentes partes do clone, especialmente devido ao consumo dos novos brotos por veados e outros herbívoros.
Doenças, insetos e mortalidade de árvores maduras também pressionam o organismo. Cercas e diferentes técnicas de manejo vêm sendo testadas para permitir que novos caules cresçam. O paradoxo é marcante: um clone que ocupou dezenas de hectares durante milhares de anos depende agora da sobrevivência de pequenos brotos para continuar renovando sua extraordinária floresta de um único genótipo.
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