Uma flor escondida na Tailândia parecia pertencer a um grupo conhecido até detalhes incomuns revelarem uma espécie completamente nova
Planta negra descoberta numa floresta tailandesa não realiza fotossíntese, depende de fungos subterrâneos e pode estar criticamente ameaçada
Uma pequena flor negra, com estruturas semelhantes a chifres e manchas alaranjadas, foi descoberta nas florestas da Tailândia. Batizada de Thismia daemona, a planta não realiza fotossíntese, vive associada a fungos subterrâneos e possui menos de 50 indivíduos conhecidos.
Como a flor Thismia daemona foi descoberta numa floresta da Tailândia?
A descoberta ocorreu em maio de 2025, durante levantamentos botânicos no Parque Nacional Thong Pha Phum, na província de Kanchanaburi, oeste da Tailândia. Pesquisadores das universidades Chulalongkorn e Prince of Songkla encontraram a planta entre folhas acumuladas no solo, em uma floresta montanhosa situada a aproximadamente 950 metros de altitude.
A localização surpreendeu os especialistas porque muitas espécies do gênero Thismia são conhecidas de florestas tropicais permanentemente úmidas em altitudes menores. A nova planta crescia em uma região com variações sazonais de umidade, ampliando o conhecimento sobre os ambientes ocupados por esse grupo.
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Por que a nova espécie recebeu o apelido de flor do diabo?
O nome daemona faz referência à aparência incomum de sua flor. A estrutura apresenta coloração predominantemente negra, uma cobertura em formato de cúpula e prolongamentos semelhantes a chifres. Perto da base, pequenas áreas vermelho-alaranjadas criam um contraste que lembra olhos brilhantes.
A identificação chamou a atenção por uma combinação de características pouco comuns:
- Flor quase negra, com manchas avermelhadas e alaranjadas
- Três prolongamentos semelhantes a pequenos chifres
- Ausência de folhas verdes e clorofila
- Dependência nutricional de fungos presentes no solo
- Ocorrência em uma floresta montanhosa com períodos de menor umidade

Como uma planta consegue sobreviver sem realizar fotossíntese?
Diferentemente da maioria das plantas, Thismia daemona não possui clorofila e não consegue transformar energia solar em açúcares. Ela apresenta uma estratégia conhecida como mico-heterotrofia, obtendo compostos orgânicos por meio de associações com fungos subterrâneos.
Essa dependência explica parte de seu comportamento discreto. A planta permanece quase inteiramente escondida no solo ou sob a serrapilheira, tornando-se mais perceptível durante a floração. Como sua sobrevivência depende da interação com organismos subterrâneos, alterações no solo podem afetá-la mesmo quando a vegetação acima parece preservada.
Quais evidências confirmaram que Thismia daemona era realmente uma espécie nova?
O estudo científico publicado na revista PhytoKeys, em 17 de agosto de 2026, combinou análises morfológicas e moleculares para verificar se a planta correspondia a alguma espécie anteriormente descrita. Os pesquisadores compararam suas estruturas florais e sequências genéticas com representantes conhecidos do gênero.
Os resultados colocaram Thismia daemona na seção Geomitra, anteriormente registrada apenas na Malásia Peninsular, em Bornéu e em Sumatra. A análise indicou proximidade com Thismia betung-kerihunensis, de Bornéu, mas revelou diferenças suficientes para justificar uma descrição independente. Com isso, o número de espécies de Thismia conhecidas na Tailândia chegou a 16.
Quais características diferenciam Thismia daemona de outras plantas tropicais?
A descrição botânica reuniu informações sobre anatomia, distribuição, nutrição e conservação. Esses elementos ajudam a reconhecer a espécie e permitem que outros pesquisadores verifiquem sua identidade em futuras expedições.
| Característica | Informação científica |
|---|---|
| Nome científico | Thismia daemona |
| Localização | Parque Nacional Thong Pha Phum, Tailândia |
| Altitude | Aproximadamente 950 a 970 metros |
| Nutrição | Mico-heterotrófica, dependente de fungos |
| População conhecida | Menos de 50 indivíduos |
| Conservação | Avaliação preliminar como criticamente ameaçada |
Por que a flor do diabo pode estar ameaçada mesmo dentro de um parque nacional?
Até a publicação do estudo, os pesquisadores conheciam apenas uma população de Thismia daemona, composta por menos de 50 indivíduos. A distribuição extremamente restrita levou à avaliação preliminar de que a espécie pode estar criticamente ameaçada, embora isso não corresponda necessariamente a uma inclusão formal na Lista Vermelha da IUCN.
O parque nacional recebe visitantes, e o pisoteio ou a alteração da serrapilheira podem prejudicar os pequenos organismos e os fungos dos quais dependem. Os pesquisadores defendem medidas de proteção do micro-habitat e participação das comunidades locais. A descoberta demonstra que mesmo áreas protegidas e cientificamente exploradas ainda podem esconder plantas desconhecidas, cuja conservação depende de reconhecê-las antes que desapareçam.
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