Uma ferrovia de 1.527 km pretende cruzar o interior brasileiro para conectar áreas produtoras diretamente a portos e à principal malha ferroviária do país
O projeto avança por etapas e combina mineração, agronegócio, porto marítimo e conexão com outros corredores ferroviários.
Do litoral baiano ao interior do país, um eixo ferroviário foi concebido para levar minério e grãos até uma conexão nacional de longa distância. A Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) tem 1.527 km no traçado originalmente outorgado, entre Ilhéus (BA) e Figueirópolis (TO).
Como a FIOL foi dividida para sair do papel?
O desenho original separou a ferrovia em três partes: 537 km entre Ilhéus e Caetité, 485 km entre Caetité e Barreiras e cerca de 505 km entre Barreiras e Figueirópolis. Juntos, esses segmentos formam a referência de 1.527 km associada ao projeto.
A modelagem recente alterou parte desse desenho. A ANTT estuda a FIOL 2 entre Caetité e Correntina, com ramal para Barreiras, e a FIOL 3 até Mara Rosa (GO), conectando o corredor à FICO e à Ferrovia Norte-Sul.

Por que a ligação com a Ferrovia Norte-Sul é tão importante?
A Ferrovia Norte-Sul é um grande eixo longitudinal do sistema ferroviário brasileiro. Ao alcançá-la, cargas do interior ganham acesso a conexões que seguem para diferentes regiões e terminais portuários.
No projeto original, a integração ocorreria em Figueirópolis, no Tocantins. A configuração atualmente estudada leva a conexão para Mara Rosa, em Goiás, formando um corredor leste-oeste mais amplo e articulado com a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste.
Quatro relações ajudam a dimensionar a função logística do projeto:
Que cargas podem usar esse corredor?
A FIOL foi concebida para atender principalmente minério de ferro e produção agrícola. No trecho entre Ilhéus e Caetité, a operação é associada ao escoamento mineral em direção ao Porto Sul, enquanto a expansão para o oeste baiano aproxima a ferrovia das áreas de soja e milho.
Nos estudos do corredor ampliado FICO-FIOL, cerca de 80% da demanda projetada corresponde a granéis sólidos vegetais. A composição estimada inclui 46% de soja, 28,5% de milho e 6,2% de farelo de soja; fertilizantes representam outra parcela relevante do fluxo previsto.
Os trechos cumprem papéis diferentes dentro da ligação:
O que muda para produtores do interior?
Uma ferrovia transversal pode reduzir longos deslocamentos rodoviários até terminais distantes. A proposta é levar grãos, minérios e outras cargas pesadas por trilhos, conectando áreas produtoras a corredores de exportação.
O efeito econômico, porém, depende de trechos concluídos, terminais e capacidade portuária. A própria modelagem oficial ressalta que o corredor só funciona de forma integrada com a conclusão da FIOL 1, da FIOL 2, da FICO 1 e com infraestrutura competitiva no Porto Sul.
A ferrovia já está pronta para operar de ponta a ponta?
Não. Os segmentos estão em estágios diferentes. A FIOL 1 foi subconcedida para conclusão e operação; a FIOL 2 segue ligada às obras da Infra S.A.; e a FIOL 3 integra a modelagem de uma concessão ferroviária mais ampla.
O Corredor Ferroviário Leste-Oeste em estudo reúne FIOL 2, FIOL 3 e FICO 1, com 1.708 km no pacote de concessão e investimento previsto de R$ 28,5 bilhões. Esse número não substitui os 1.527 km do traçado original da FIOL.
Por que o número de 1.527 km ainda aparece nos documentos?
Os 1.527 km correspondem à Ferrovia de Integração Oeste-Leste originalmente outorgada entre Ilhéus, na Bahia, e Figueirópolis, no Tocantins. É essa configuração que explica a referência histórica à conexão direta com a Ferrovia Norte-Sul em território tocantinense.
Os estudos posteriores redesenharam parte do corredor e passaram a considerar Mara Rosa, em Goiás, como conexão estratégica com a FICO e a Norte-Sul. Por isso, documentos atuais podem apresentar extensões diferentes sem que estejam descrevendo exatamente o mesmo pacote ferroviário.
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