Uma fêmea de peixe escolheu machos cada vez mais parecidos com fêmeas e deixou cientistas tentando entender o motivo
Experimento com 23 peixes e nove gerações virtuais revelou preferências reprodutivas inesperadas e levantou hipóteses sobre sinais masculinos
Uma fêmea de peixe surpreendeu pesquisadores ao escolher parceiros virtuais que, a cada rodada de um experimento, ficavam menos parecidos com machos típicos de sua espécie. A descoberta ocorreu em uma pesquisa da Universidade de Exeter, no Reino Unido, publicada em setembro de 2026. Utilizando imagens digitais e algoritmos evolutivos, os cientistas investigaram como o peixe-espada-verde seleciona parceiros reprodutivos. O resultado mais inesperado levantou uma hipótese intrigante: algumas características masculinas poderiam ser percebidas como ameaçadoras, levando determinados indivíduos a preferir aparências menos masculinizadas.
Por que uma fêmea de peixe-espada-verde preferiu machos parecidos com fêmeas?
Durante o experimento, uma fêmea demonstrou uma preferência incomum. Conforme novas versões digitais dos parceiros eram produzidas, os machos selecionados passaram a apresentar características progressivamente mais semelhantes às das fêmeas. A mudança envolvia combinações de atributos visuais, como formato corporal, coloração e características da cauda.
Os pesquisadores ainda não sabem por que isso aconteceu. Uma possibilidade é que a fêmea estivesse evitando características masculinas percebidas como ameaçadoras. Entretanto, essa interpretação permanece hipotética, pois o experimento não mediu diretamente medo, agressividade ou respostas fisiológicas ao estresse.
Como os pesquisadores descobriram as preferências do peixe-espada-verde?
A equipe utilizou 23 exemplares de Xiphophorus hellerii, sendo 11 fêmeas e 12 machos. Cada animal foi colocado em um aquário equipado com duas telas, posicionadas em extremidades opostas, que exibiam possíveis parceiros virtuais em movimento.
Durante três minutos, os cientistas registraram quanto tempo cada peixe permanecia próximo das imagens. O parceiro mais visitado era considerado o preferido, e suas características eram combinadas com as de outro vencedor para produzir uma nova geração digital.
As principais etapas foram:
- Apresentação simultânea de dois parceiros virtuais;
- Registro do tempo próximo de cada imagem;
- Seleção dos indivíduos digitais preferidos;
- Combinação de características por algoritmos genéticos;
- Repetição do procedimento durante nove gerações.

O que os machos escolheram enquanto as fêmeas surpreendiam os cientistas?
Enquanto as fêmeas apresentaram preferências variadas, os machos demonstraram um padrão mais consistente. Eles favoreceram parceiras virtuais maiores, fazendo com que as fêmeas digitais da última geração apresentassem, em média, tamanho corporal mais de 24% superior ao das imagens iniciais.
Essa preferência possui uma explicação evolutiva plausível. Em muitas espécies de peixes, fêmeas maiores apresentam maior capacidade reprodutiva. Entretanto, os pesquisadores não demonstraram diretamente que o tamanho das parceiras virtuais selecionadas produziria mais descendentes reais.
Por que os parceiros virtuais ajudam a investigar a seleção sexual?
O experimento foi desenvolvido por pesquisadores do Centro de Ecologia e Conservação da Universidade de Exeter, incluindo Kathryn Bullough e Laura Kelley. A metodologia combina apresentações visuais com algoritmos genéticos, permitindo modificar várias características corporais ao longo de sucessivas rodadas.
O estudo publicado na revista Royal Society Open Science, em 29 de setembro de 2026, recebeu o título Exploring male and female mate preferences using genetic algorithms and digital phenotypes. A abordagem permite investigar combinações de características que seriam difíceis de produzir utilizando exclusivamente animais reais.
Quais características influenciaram as escolhas dos peixes?
Os modelos digitais apresentavam variações no tamanho corporal, largura do corpo, comprimento da cauda, coloração e padrões visuais. Essas características podem funcionar como sinais utilizados pelos peixes durante a avaliação de possíveis parceiros.
Entretanto, as preferências femininas não seguiram um padrão único. Algumas fêmeas favoreceram caudas mais longas ou cores mais intensas, enquanto outras apresentaram combinações diferentes. A escolha por machos progressivamente feminilizados foi observada em apenas uma participante.
| Aspecto analisado | Resultado observado |
|---|---|
| Machos participantes | Preferência por fêmeas maiores |
| Fêmeas participantes | Preferências individuais variadas |
| Uma fêmea específica | Escolha de machos progressivamente feminilizados |
| Parceiras digitais finais | Tamanho médio mais de 24% superior ao inicial |
O que essa descoberta revela sobre o comportamento do peixe-espada-verde?
O peixe-espada-verde é uma espécie de água doce nativa da América Central. Seu nome deriva do prolongamento característico da parte inferior da nadadeira caudal dos machos, semelhante a uma espada. Essa estrutura participa da comunicação visual e pode influenciar a escolha de parceiros.
A pesquisa demonstra que a seleção sexual pode envolver preferências individuais mais complexas do que a simples atração por características exageradas. Entretanto, as nove gerações eram exclusivamente digitais, não descendentes reais. Os resultados representam escolhas observadas em laboratório e ainda precisam ser comparados ao comportamento reprodutivo dos animais em condições naturais.
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