Uma faixa de espuma branca tomou a beira-mar de Torres e a explicação começa em matéria orgânica agitada pelas ondas
Ressaca e ventos fortes espalharam espuma pela praia de Torres, enquanto biólogos explicaram como substâncias naturais estabilizam as bolhas
Uma extensa camada de espuma branca no mar de Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, surpreendeu moradores e visitantes em 19 de outubro de 2026. O material apareceu após um período de ressaca, ventos fortes e agitação marítima. Segundo biólogos, a explicação mais provável está na matéria orgânica naturalmente presente na água, que pode formar bolhas persistentes quando misturada ao ar pelas ondas.
Por que a espuma branca no mar de Torres apareceu depois da ressaca?
O fenômeno foi observado na segunda-feira, 19 de outubro, depois da passagem de um sistema meteorológico associado a ventos intensos na costa gaúcha. A movimentação das ondas favoreceu a formação de espuma, que se acumulou na faixa de areia e chamou atenção pelo volume e pela coloração.
O biólogo Douglas Gomes, da Secretaria de Meio Ambiente de Torres, explicou que a água marinha contém restos de algas, fitoplâncton e outras substâncias orgânicas. Quando o oceano fica agitado, esses materiais são misturados ao ar, produzindo bolhas que podem permanecer agrupadas e ser transportadas até a praia.
Leia também: Mais de 11 mil medidas de fósseis apontaram que o Spinosaurus passava a maior parte da vida na água
Como a matéria orgânica transforma a água do mar em espuma branca?
O segredo está em determinadas moléculas que funcionam como agentes tensoativos naturais. Elas possuem regiões com diferentes afinidades pela água e conseguem se organizar na superfície das bolhas, diminuindo a facilidade com que elas se rompem. A agitação mecânica fornece o ar necessário para produzir a espuma.
A formação depende da combinação de cinco elementos:
- Restos de algas e organismos microscópicos em decomposição;
- Proteínas, gorduras e outros compostos orgânicos dissolvidos;
- Ondas que incorporam pequenas bolhas de ar à água;
- Ventos que deslocam e concentram a espuma na costa;
- Condições marítimas que favorecem sua permanência na superfície.

Por que a espuma branca no mar de Torres pode permanecer visível durante horas?
Uma bolha formada apenas por água tende a desaparecer rapidamente. Entretanto, compostos orgânicos podem estabilizar sua superfície, dificultando a ruptura. Quando milhares dessas bolhas ficam agrupadas, surge uma camada espessa que pode resistir por mais tempo à movimentação da água.
O vento também influencia o resultado. Dependendo de sua direção e intensidade, a espuma pode se concentrar em determinados trechos, espalhar-se pela areia ou alcançar áreas próximas ao calçadão. Quando a agitação diminui e as bolhas se rompem, o material tende a desaparecer gradualmente.
O que os especialistas explicam sobre a origem natural da espuma marinha?
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) explica que a espuma oceânica pode surgir quando a matéria orgânica dissolvida é agitada por ventos e ondas. Florações de algas e sua posterior decomposição também podem aumentar a quantidade de substâncias capazes de estabilizar bolhas.
Em Torres, o biólogo Rodrigo de Rose da Silva considerou a origem natural a hipótese mais provável, devido às condições meteorológicas. Entretanto, ressaltou que somente análises da água poderiam descartar completamente contaminantes. A aparência branca, isoladamente, não comprova a composição química nem a segurança do material.
Quais condições ambientais favoreceram a espuma branca no mar de Torres?
Um aviso de ressaca da Marinha do Brasil indicava possibilidade de ondas de até 2,5 metros na costa gaúcha, com validade até a manhã de 19 de outubro. A combinação entre ondulação elevada e ventos fortes criou condições favoráveis à incorporação de ar e ao transporte da espuma.
Não foi divulgada uma medição laboratorial da quantidade de matéria orgânica presente no episódio. Portanto, os fatores identificados explicam o mecanismo provável, mas não permitem quantificar quanto cada componente contribuiu para o acúmulo observado.
| Fator observado | Papel na formação da espuma |
|---|---|
| Ressaca marítima | Intensifica a mistura entre água e ar |
| Ondas previstas de até 2,5 m | Indicam o período de agitação marítima |
| Matéria orgânica | Fornece compostos que estabilizam bolhas |
| Ventos costeiros | Transportam espuma até a faixa de areia |
| Análises laboratoriais | Necessárias para confirmar a composição |
Quando a espuma branca no mar de Torres pode indicar algum risco ambiental?
A maior parte das espumas marinhas tem origem natural, mas determinadas florações de algas podem liberar substâncias prejudiciais. Esgotos e outros contaminantes também podem contribuir para a formação de espuma. Alterações incomuns de cheiro, coloração ou presença de animais mortos justificam comunicar o problema aos órgãos ambientais.
No episódio de Torres, os especialistas apontaram condições compatíveis com um processo natural, sem confirmação de poluição. Ainda assim, ausência de indícios visuais não equivale a um laudo de qualidade da água. Naquele momento, o principal alerta aos banhistas estava relacionado à ressaca e às correntes marítimas, que podem oferecer perigo independentemente da espuma.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)