Uma estrela-do-mar parecida com personagem de desenho viralizou e a mesma expedição acabou rendendo 57 espécies novas
A expedição Talud Continental IV virou fenômeno ao vivo, mas a identificação de 57 espécies e cinco gêneros veio de análises posteriores.
Uma estrela-do-mar alaranjada que lembrava Patrick, de Bob Esponja, viralizou durante a expedição Talud Continental IV, realizada em 2025 no cânion submarino de Mar del Plata, na Argentina. Meses depois, cientistas identificaram 57 espécies e cinco gêneros novos em amostras principalmente recolhidas naquela missão. A descoberta continuou quando as transmissões já haviam terminado.
O que as câmeras mostraram no fundo do mar?
O robô submarino SuBastian filmou criaturas de águas profundas enquanto o navio Falkor (too) explorava o cânion. Nas transmissões, acompanhadas por milhões de pessoas, uma estrela-do-mar laranja ganhou o apelido de Patrick pela semelhança com o personagem.
Apesar da fama, o exemplar não era considerado uma espécie nova. O CONICET informa que a campanha durou 21 dias e realizou mergulhos de até 3.900 metros, permitindo coletar organismos para estudos posteriores.

Quais animais compõem as 57 espécies identificadas?
A análise posterior distinguiu espécies de quatro grandes grupos de invertebrados. Os cinco gêneros novos representam uma classificação taxonômica mais ampla, e não cinco espécies adicionais à contagem:
- 20 copépodes, pequenos crustáceos encontrados nas profundezas.
- 22 equinodermos, incluindo pepinos-do-mar e crinoides.
- 14 cnidários, como corais e penas-do-mar.
- Um molusco escafópode, grupo de concha tubular.
Qual é a diferença entre filmar, identificar e descrever?
Uma imagem pode revelar um organismo desconhecido, mas só a comparação especializada permite avaliar sua novidade científica. Identificação e descrição formal são etapas diferentes.
Como a identificação continuou depois das transmissões?
Entre 13 e 24 de julho de 2026, 20 taxonomistas da América Latina e da Europa reuniram-se na Universidade Maimónides, em Buenos Aires. O encontro analisou principalmente material da expedição de 2025, comparando características morfológicas e informações genéticas quando pertinentes.

A equipe registrou os achados na plataforma aberta Ocean Census NOVA. O Ocean Census divulgou os resultados em outubro de 2026 e destacou um pepino-do-mar apelidado de Loki, com apêndices semelhantes a chifres.
O que ainda precisa ser feito com o material coletado?
O levantamento está longe de encerrar o inventário do cânion. Apenas 10% das amostras de copépodes foram examinadas no encontro, e algumas hipóteses taxonômicas ainda exigem verificação:
- Analisar os numerosos espécimes ainda não examinados.
- Investigar possíveis novos grupos de corais por genética.
- Publicar descrições formais com nomes científicos válidos.
- Preservar exemplares de referência em coleções de pesquisa.
A ciência continuou muito além da estrela-do-mar viral
O número de 57 espécies resulta de trabalho especializado posterior à expedição, não de identificações instantâneas feitas diante das câmeras. A descrição científica formal exige publicação e exemplares de referência; reconhecer candidatos a novas espécies é uma etapa anterior.
A estrela-do-mar chamou o público para observar um ambiente pouco acessível. Já as amostras, os laboratórios e as coleções científicas permitiram ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade do Atlântico Sul, que ainda está longe de ser completamente catalogada.
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