Uma coluna de rocha quente atravessou o fundo do mar e pode ter construído duas cadeias vulcânicas diferentes perto da Austrália
Pesquisa revela como uma única coluna de rochas quentes pode ter se dividido nas profundezas da Terra e formado duas cadeias vulcânicas no oceano
Uma enorme pluma mantélica, formada por rochas quentes que ascendem das profundezas da Terra, pode ter originado duas cadeias de vulcões submarinos próximas à Austrália. Publicada em agosto de 2026, a pesquisa relaciona as cadeias Lord Howe e Tasmantid a uma mesma fonte de calor, separada em dois caminhos por uma antiga placa oceânica.
Por que a pluma mantélica formou duas cadeias vulcânicas diferentes?
A aproximadamente 600 quilômetros da costa australiana, a ilha Lord Howe representa a parte visível de uma extensa cadeia de antigos vulcões submarinos. Grande parte dessas montanhas permanece escondida sob o mar da Tasmânia, enquanto outra cadeia, denominada Tasmantid, acompanha uma trajetória aproximadamente paralela, centenas de quilômetros a oeste.
O aspecto intrigante está na proximidade entre essas formações. As duas cadeias permaneceram separadas por aproximadamente 650 a 900 quilômetros durante mais de 40 milhões de anos. Modelos anteriores indicavam que plumas mantélicas tão próximas tenderiam a se aproximar e se fundir, tornando difícil explicar a persistência de dois alinhamentos vulcânicos.
O que os pesquisadores descobriram sobre a pluma mantélica?
A nova pesquisa propõe que as duas cadeias não surgiram de fontes independentes. Uma única coluna ascendente de material quente teria encontrado uma antiga placa oceânica que afundou no manto terrestre. Essa barreira, situada a aproximadamente 500 quilômetros de profundidade, desviou o fluxo para caminhos diferentes.
A simulação reproduziu a separação observada entre as cadeias vulcânicas, indicando que uma pluma pode permanecer dividida durante dezenas de milhões de anos. A composição química semelhante das rochas reforçou essa interpretação, sugerindo que os vulcões de Lord Howe e Tasmantid receberam material de uma mesma região profunda do planeta.
- As cadeias ficam separadas por aproximadamente 650 a 900 quilômetros;
- O alinhamento paralelo persistiu por mais de 40 milhões de anos;
- Uma placa oceânica antiga teria desviado a pluma;
- A barreira estaria próxima de 500 quilômetros de profundidade;
- As rochas apresentam assinaturas isotópicas semelhantes.

Como uma pluma mantélica consegue criar vulcões no oceano?
Plumas mantélicas são regiões de material rochoso relativamente quente que ascendem lentamente pelo interior terrestre. Embora o manto seja predominantemente sólido, suas rochas podem deformar-se ao longo de milhões de anos. Quando esse material sobe, a redução da pressão favorece a fusão parcial, produzindo magma que pode alcançar a superfície.
Enquanto a pluma permanece relativamente estável, a placa tectônica australiana se desloca sobre ela. Novos episódios de vulcanismo ocorrem em posições sucessivas, formando alinhamentos de montanhas submarinas. Esse mecanismo explica por que os vulcões das duas cadeias apresentam idades progressivamente menores em direção ao sul, registrando o deslocamento da placa.
Como os cientistas investigaram a origem dessas cadeias submarinas?
O estudo foi liderado por Ben R. Mather, da Universidade de Melbourne, com participação de Maria Seton, Simon Williams e outros pesquisadores internacionais. Publicado inicialmente em 31 de agosto de 2026 na revista Gondwana Research, o estudo científico original recebeu o título Parallel volcanic chains generated by plume-slab interaction.
A equipe combinou simulações tridimensionais do manto terrestre, reconstruções de movimentos tectônicos e análises geoquímicas. Os modelos acompanharam aproximadamente 70 milhões de anos de evolução, enquanto reconstruções geológicas examinaram os últimos 200 milhões de anos. A assinatura isotópica EM1 encontrada nas duas cadeias forneceu evidências adicionais de uma origem profunda compartilhada.
Quais diferenças existem entre as cadeias de Lord Howe e Tasmantid?
Embora compartilhem características químicas, as cadeias apresentam diferenças importantes na evolução do vulcanismo. As reconstruções indicam que a produção de rochas vulcânicas diminuiu na cadeia Lord Howe durante aproximadamente os últimos 23 milhões de anos. Na Tasmantid, os vulcões mais recentes apresentam volumes relativamente maiores, sugerindo atividade mais intensa no passado geológico recente.
A ilha Lord Howe destaca-se porque parte de sua estrutura vulcânica ultrapassou o nível do oceano. Seus picos, como o monte Gower e o monte Lidgbird, preservam vestígios de um antigo vulcão extinto. As demais elevações da cadeia permanecem predominantemente submersas, dificultando a coleta de amostras e a reconstrução completa de sua história.
| Característica | Resultado científico |
|---|---|
| Cadeias investigadas | Lord Howe e Tasmantid |
| Separação entre cadeias | 650 a 900 quilômetros |
| Persistência paralela | Mais de 40 milhões de anos |
| Profundidade da barreira | Aproximadamente 500 km |
| Origem proposta | Uma pluma dividida em dois ramos |
Por que a descoberta pode mudar a compreensão das plumas mantélicas?
A interpretação sugere que contar cadeias vulcânicas não significa necessariamente contar fontes independentes de magma. Uma mesma pluma pode produzir diferentes trajetórias ao encontrar obstáculos profundos, modificando a maneira como pesquisadores utilizam vulcões antigos para reconstruir o movimento das placas tectônicas e a circulação de materiais no interior terrestre.
O modelo também prevê que o ramo associado a Lord Howe poderá enfraquecer progressivamente, enquanto Tasmantid se tornaria dominante. Entretanto, essa evolução representa uma previsão geológica de longo prazo, não a indicação de uma erupção iminente. Imagens sísmicas mais detalhadas e novas amostras de rochas serão necessárias para testar a geometria proposta e compreender melhor essas estruturas profundas.
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